quarta-feira, 7 de junho de 2017
A ESSÊNCIA DOS NOSSOS POETAS
FADO DAS HORAS
Chorava por te não ver,
por te ver eu choro agora,
mas choro só por querer,
querer ver-te a toda a hora.
Passa o tempo de corrida,
quando falas eu te escuto,
nas horas da nossa vida,
cada hora é um minuto.
Quando estás ao pé de mim,
sinto-me dona do mundo.
mas o tempo é tão ruim,
tem cada hora um segundo.
Deixa-te de estar a meu lado
e não mais te vás embora
para meu coração coitado
viver na vida uma hora.
Este bonito poema é da autoria de D. António de Bragança (1895-1964) e foi especialmente escrito para ser musicado pelo conde de Sabrosa e cantado pela grande e aristocrática fadista D. Maria Teresa de Noronha, mulher do referido compositor. O «Fado das Horas» foi um dos maiores êxitos discográficos desta inesquecível artista e, obviamente, um dos poemas que consagraram D. António.
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