quinta-feira, 17 de agosto de 2017

CRIME (SALVO SEJA) E CASTIGO

Cristiano Ronaldo dos Santos Aveiro, quiçá o mais conhecido português do seu tempo, estima-se vítima de uma cabala; por causa daquela história de impostos reclamados pelo fisco espanhol e também pelo facto de ter sido, no decorrer do seu último jogo contra o F.C. Barcelona, expulso e posteriormente castigado com cinco jogos. Eu não tenho absolutamente nada contra este fabuloso futebolista funchalense, que eu creio não ter voluntariamente fugido ao pagamento de impostos (mas há aqui um assunto que ele tem de esclarecer com as finanças do país vizinho, às quais, estou certo disso, ele poderá apresentar, com calma, as suas razões), nem simulado um penalty no 'match' contra os rivais catalães. Basta ver as imagens da TV, para nos darmos conta de que não houve batota. Mas os árbitros (sejam eles espanhóis ou não) também se enganam e o «melhor jogador do mundo» não sairia diminuído se (por causa desse erro) ficasse impossibilitado de jogar contra o próximo adversário do Real Madrid. O agravamento do castigo ficou estritamente a dever-se ao facto de Cristiano se ter precipitado e ter empurrado o juiz de campo. Nessas circunstâncias, e CR7 sabe-lo, não havia maneira de safar-se ao pesado castigo infligido pela máxima instância do futebol castelhano. Acho, pois, que não foi por Cristiano «ser quem é», que agora se deve sentir injustiçado. É bom que os profissionais de futebol entendam -uma vez por todas- que as regras são para cumprir. Eu sei que um jogo de máxima tensão, como o é sempre o grande clássico da liga espanhola, arrasa os nervos de qualquer dos actores; mas eles têm de controlar os nervos ou... de assumir os erros cometidos e não se admirarem de castigos recebidos e plenamente justificados. Porque o jogo tem leis, que devem ser imperativamente cumpridas. É tudo. Isto dito, eu penso que Cristiano Ronaldo é um moço inteligente e de boa fé e que, acalmados os ânimos, ele até será capaz de reconhecer que falhou. E se o fizer, tal gesto só lhe ficará bem. Quanto ao título deste 'post', quero precisar que quis, apenas, fazer uma brincadeira com o de um romance de Dostoievski. Naturalmente !

NOS TEMPOS DA MARINHA À VELA...

A imagem de topo mostra o gigantesco veleiro «Preussen» (uma galera de 5 mastros), que pertenceu ao famoso armador alemão F. Laeisz. O tal que geria uma frota de navios, cujos nomes começavam, todos, pela letra P. A pintura que aqui representa o «Preussen» foi executada pelo artista francês Roger Chapelet (pintor oficial da marinha gaulesa), que também deixou traços da sua arte no nosso país; onde pintou, entre outros veleiros, a barca «Sagres». Visita frequente dos portos chilenos, onde ia carregar guano, o «Preussen» (que podia navegar à velocidade máxima de 18,5 nós) perdeu-se no canal da Mancha, em 1910, depois de ter sido abalroado por um navio a vapor. O veleiro germânico ainda chegou a ser socorrido por um rebocador inglês e encaminhado para o porto de Dover; mas uma violenta tempestade rompeu as amarras que ligavam as duas embarcações... Ficando à deriva, o «Preussen» foi, depois, assaltado por violenta tempestade, que lhe causou avarias irreparáveis e o afundou. A fotografia (em baixo) mostra o navio nos tempos áureos em que fazia a ligação Europa-América do Sul pela perigosa rota do cabo Horn.

O NOSSO MUNDO É BELO (131) : KIRIBATI

QUANDO OS FÓSFOROS FALAM...

Engenhoso e comovente.

CUBO COMESTÍVEL E... SAUDÁVEL

Sem palavras... Mas com muita admiração pelo criador deste cubo; que, como se pode observar, nada tem a ver com o de Rubik.

FOI HÁ 870 ANOS !

Foi na manhã do dia 15 de Março de 1147 -durante o reinado de D. Afonso Henriques e aquando das guerras da Reconquista- que os Portugueses tomaram, definitivamente, a cidade de Santarém; que se encontrava na posse dos Almorávidas. A queda dessa praça de guerra, de onde partiam frequentes ataques mouros contra Coimbra e Leiria, foi de grande importância. Para suster essas agressões sobre duas cidades importantes do Reino e porque também permitiu encarar, com optimismo, um futuro ataque dos Portugueses a Lisboa. Cuja queda acabou por ocorrer nesse mesmo ano, no memorável dia 25 de Outubro. Uma das grandes figuras da conquista de Santarém foi -segundo reza a tradição- o cavaleiro Mem Ramires; que, dias antes da investida vitoriosa dos guerreiros lusos, entrara na cidade disfarçado de mercador e ali colhera informações preciosas sobre as suas defesas e sobre o número e hábito dos seus ocupantes. Foi, pois, a partir desses dados, que os Portugueses prepararam os planos de acção que haveriam de levar à captura da actual capital do Ribatejo. Apesar da forte resistência que lhes foi oferecida. Uma estátua a el-rei D. Afonso Henriques foi erguida -em memória deste evento- no que resta do castelo da antiga Scalabis. Que, no sítio da Porta do Sol, tem uma esplêndida vista sobre o rio Tejo e sobre as lezírias da sua margem esquerda.

O PROGRESSO TECNOLÓGICO É UMA COISA ESPANTOSA. -MAS, E O RESTO ?...

Este quadrirreactor é o fabuloso Airbus A-380, o maior avião de passageiros jamais construído. O desenvolvimento deste mastodonte, pode resultar, num futuro próximo e segundo os peritos, na realização de um avião capaz de transportar à volta de 1 000 passageiros; que voarão confortavelmente a uma velocidade de 1 000 km/hora para qualquer lugar do planeta. -Quem imaginaria isto, já não digo no tempo dos pioneiros, mas há somente 50 anos atrás ? A evolução das técnicas desenvolveu-se com uma rapidez estonteante. Que o progresso social e moral das nossas sociedades não foi capaz de acompanhar... O que é lamentável e motivo de preocupação. Porque sem um mundo mais justo, muitas destas invenções só beneficiarão uma franja ínfima da população mundial.

RACISMO EXACERBADO E PRESIDENTE CONTESTADO

Depois dos incidentes ocorridos em Charlottesville (na Virgínia), entre militantes anti-racistas e as irmanadas cliques do partido nazi e do Ku-Klux-Klan, o presidente dos EUA adoptou a atitude que já se esperava dele : pôs todos no mesmo saco e deu, até em certa medida, razão aos segregacionistas destas duas organizações criminosas. Daí ter recebido uma lisonjeira carta de agradecimentos de um antigo 'boss' dos sinistros encapuzados do klan; que têm na sua História (que começou em 1865, logo após a derrota confederada na Guerra Civil) uma sucessão de crimes horríveis contra a comunidade afro-americana e contra aqueles brancos que, com coragem e dignamente, se têm batido -ao longo dos anos- pela igualdade de direitos. O que se está a passar nos 'states' e que é encorajado, da maneira que se vê, pela primeira figura do Estado, é deveras preocupante, susceptível de incendiar os ânimos e de colocar certas cidades da maior potência do mundo a ferro e fogo. Em relação a Trump, fica provado -uma vez mais- que o homem não está à altura dos problemas que, periodicamente, sacodem a América do norte. E o melhor que ele poderia fazer era demitir-se. Coisa que, como todos sabemos, ele nunca fará. Até porque conta com a solidariedade de muita gente do seu partido, que o apoia em todas as circunstâncias. Mesmo naquelas que são contra os interesses de «todos os americanos», que ele -o presidente- pretende 'governar'. Veremos o que tudo isto vai dar... Mas que estes acontecimentos não pressagiam nada de bom, não é difícil adivinhar.

FANGIO, A REFERÊNCIA

O volante argentino Juan Manuel Fangio (1911-1995) foi -durante muitas décadas- a grande referência do automobilismo de competição ao mais alto nível. O seu recorde de 5 vitórias no Campeonato do Mundo, só em 2003 seria batido pelo fenomenal (e desditoso) piloto alemão Michael Schumacher. Mas o nome de Fangio permaneceu na memória colectiva dos amantes de desportos motorizados, graças a expressões que, ainda hoje, são usadas em diferentes países e são reveladoras do seu grau de popularidade. Como, por exemplo : «tomar-se por Fangio», frase muito usada na Europa, sobretudo em França, na Bélgica, na Suíça e no Mónaco... Mónaco, principado que quis homenagear este corredor de automóveis dos anos 50 do passado século num dos seus selos de correio; que eu aqui vos mostro. Curiosidade : Juan Manuel Fangio conduziu durante toda a sua carreira desportiva (galardoada com os títulos de 'campeoníssimo' em 1951, 1954, 1955, 1956 e 1957) sem ter tirado a Carta de Condução ! Documento que só obteve em 1961, três anos depois de ter abandonado a sua invejável actividade desportiva.

quarta-feira, 16 de agosto de 2017

CINE-NOSTALGIA (74)

«MARIA CANDELÁRIA» («María Candelaria») é um clássico do cinema mexicano. Foi realizado, em 1943, por Emilio Fernández ('el Indio'), que também é co-autor do argumento. Teve, na interpretação dos papéis principais, excelentes actores, entre os quais se devem destacar Dolores del Río, Pedro Armendariz, Alberto Galán, Rafael Icardo Miguel Inclán e Margarita Cortés. Foi uma das películas (quiçá a primeira) que revelou o cinema mexicano para além das fronteiras do país; nomeadamente na Europa, onde esta mescla de exotismo, de emoção e de religiosidade surpreendeu muita gente e recolheu rasgados aplausos da crítica. Apresentada no Festival de Cannes, esta fita logrou arrecadar o Grande Prémio para o Melhor Filme; galardão que hoje se denomina Palma de Ouro. Refira-se, a título de curiosidade, que a vedeta feminina -Dolores del Río- já havia trabalhado em Hollywood, onde se estreou em 1926 num trabalho de Raoul Walsh, sendo, por consequência, um rosto conhecido. A história contada -um drama pungente- é a de uma bela indígena, que é alvo da perseguição feita pela população da aldeia onde vive; tal qual sua mãe, que fora acusada pelos seus conterrâneos de conduta imprópria. Enamorada de um rapaz pobre (Lorenzo), María Candelaria é perseguida pelo homem mais importante da sua aldeia, que a cobiça, mas a quem ela recusa determinantemente entregar-se. Quando ela adoece, o seu suspirante pobre comete a 'indelicadeza' de roubar quinino para lhe acalmar as dores e... um vestido de noiva. E é, por cauda desse crime de amor, encarcerado na cadeia local. Para o tirar de apuros e recolher o dinheiro que permitirá libertá-lo, María aceita servir de modelo a um pintor. E os aldeões, excitados por quem lhe quer mal, acusam-na injustamente de ter posado nua. Os ânimos aquecem ao rubro e a jovem e pura beldade -que clama a sua inocência- é apedrejada junto à prisão e expira nos braços de Lorenzo; que conseguira forçar as portas da cadeia. Esta película foi divulgada localmente por Filmes Mundiales e internacionalmente pela M. G. M.. foi filmado (por Gabriel Figueroa, outro grande nome do cinema mexicano) a preto e branco e tem uma duração de 96 minutos. Infelizmente, nunca consegui encontrar uma cópia videográfica desta obra, que já tem o seu lugar na História do cinema mexicano.

ESPLENDOROSO VELEIRO


Este magnífico veleiro é o «Mircea» da armada romena. É um dos gémeos da nossa actual «Sagres» e do «Eagle», navio-escola da Guarda Costeira dos Estados Unidos da América. A base do «Mircea» é no porto de Constanta, no mar Negro. Tive, por várias vezes, a ocasião de o admirar. E até de o visitar, por ocasião de uma das suas passagens por Rouen, quando este navio ali participou numa das regulares concentrações de veleiros organizadas nesse porto marítimo-fluvial da Normandia...

terça-feira, 15 de agosto de 2017

AS MINHAS CRÓNICAS (5)


Este texto foi publicado (em Março de 2002) no «J. do B,», com o título de «FRAGATAS DO TEJO». E corresponde à ideia que eu me fiz (para além de informação colhida em diversas fontes) desses barcos de trabalho (à vela), que eu ainda conheci -em grande número e em plena actividade- no estuário do maior rio peninsular. Algumas pequenas modificações do texto foram necessárias, para o actualizar.

FRAGATAS DO TEJO

Em meados da década de 60 (do século XX, obviamente) eram ainda cerca de mil as fragatas do Tejo, que navegavam nesse mar interior a que se assemelha o maior dos nossos rios. Essa navegação fluvial fazia-se, geralmente, entre as diferentes terras da borda d'água e a capital, para onde as activas fragatas levavam areia, cereais, tijolos, cimento, cortiça e muitas outras mercadorias necessárias à indústria e comércio locais. E de onde traziam, para diferentes localidades da beira rio, diferentes outros produtos.
As fragatas de maior porte podiam deslocar mais de 100 toneladas e medir uns 25 metros de comprimento. Barcos de casco robusto e artisticamente decorado (sobretudo à entrada das duas câmaras), as fragatas do Tejo estavam equipadas com um único mastro (inclinado para a ré), que envergava um grande vela de carangueja e um ou dois panos de proa. As fragatas eram, geralmente, tripuladas por 4 homens (o arrais, o camarada e 2 moços), que, para além de assegurarem a navegação das ditas embarcações, se transformavam -no início e no término de cada viagem- em esforçados carregadores e descarregadores de mercadorias.
-Quem não se lembra de ver os fragateiros nos cais do Barreiro, do Seixal, de Alhos Vedros, da Moita e de tantas outras localidades ribeirinhas -vergados sob o peso de enormes fardos- correndo (na execução de verdadeiros números de equilibristas) sobre compridas e flexíveis pranchas ?
A lida dos fragateiros era de tal modo violenta, que exigia a ingestão de copiosas refeições. Eu lembro-me, por exemplo, de ver, quando era gaiato, um desses valentes e rijos trabalhadores, natural da já citada vila de Alhos Vedros e grande amigo da minha família, 'atacar' descomplexadamente, almoços que podiam compor-se de 1 kg de bacalhau (produto alimentar relativamente barato em meados do século transacto), de 5 kg de batatas e de 1 litro de vinho tinto. Ou de o ver optar, em substituição do 'fiel amigo', por uma caldeirada (pescada e primorasamente cozinhada pelo próprio) que, em circunstâncias normais, daria para 3 ou 4 pessoas. Simplesmente impressionante ! Mas assim o exigia o organismo de gente que, para ganhar a vida, não hesitava 'atirar-se' a volumosos fardos de cortiça que chegavam a pesar a 'bagatela' de 100 kg !
Diz-se que a típica fragata do Tejo apareceu no curso inferior do rio há já muitos séculos. Há até peritos na matéria que pretendem e afirmam que o seu antepassado mais longínquo era uma embarcação da Idade Média, cuja configuração não seria muito diferente da daqueles barcos que os camarros da minha geração ainda chegaram a conhecer às centenas e em plena actividade. Muitas dessas embarcações foram construídas no Barreiro, no tempo em que então vila dispunha de uma indústria naval na sua vasta zona ribeirinha. Armando da Silva Pais refere (em «O Barreiro Antigo e Moderno») a existência de estaleiros, onde foram realizados alguns desses barcos, nomeadamente em Alburrica, no esteiro que banha também a actual rua Miguel Pais e em vários outros sítios da terra.
A fragata do Tejo rebocava, quase sempre, uma pequena lancha -a catraia- que servia para facilitar as manobras de atracação e, essencialmente, para rebocar o barco-mãe quando se fazia notar a falta de vento. Nessas condições, um membro da tripulação tomava nela lugar e, à força de braços e de remos, tentava safar a fragata da indesejável e prejudicial calmaria.
Depois de, no rio Tejo de finais dos anos 60 (como já acima referi), as fragatas terem cedido o seu histórico lugar a unidades motorizadas, algumas delas ainda foram desguarnecidas de mastros e velas e transformadas em banais batelões. Que acabaram, todavia, por desaparecer, também eles, das águas do estuário, vítimas da modernidade. Eu ainda assisti, com sentida mágoa, confesso, ao fim inglório dessas úteis embarcações, vendo apodrecer os seus cascos no lodo dos esteiros do grande rio. Hoje, pouca coisa resta delas. Tive, no entanto, a ocasião de ver algumas dessas nossas velhinhas fragatas atracadas em portos algarvios. Passavelmente modificadas -já que transformadas em barcos de recreio- e ostentando bandeiras estrangeiras. Holandesas, sobretudo. De realçar é o facto de alguns municípios de localidades estuarinas terem tido sensibilidade para recuperar e restaurar algumas fragatas e varinos (este último é da família das fragatas, mas mais pequeno e com características algo diferentes no que respeita o casco), como foi o caso das Câmaras do Barreiro, da Moita, do Seixal, de Vila Franca de Xira, etc., que permitiram salvar alguns desses barcos à vela e transmitir às gerações vindouras esse património. Que faz da memória colectiva dessas comunidades.

(M. M. S.)

BEBER OU CONDUZIR, UMA QUESTÃO DE CIVISMO E... DE VIDA OU DE MORTE

Segundo notícias divulgadas nos jornais de hoje, parece que uma parte não-negligenciável dos automobilistas do nosso país continua a beber e a conduzir. Inaceitável fenómeno, que fez disparar, no passado ano, o número das vítimas mortais de acidentes rodoviários em Portugal. Parece que nas autópsias praticadas nos condutores que provocaram acidentes dessa natureza (e que pereceram em consequência deles), se chegou à conclusão de que 1/5 desses automobilistas acusava uma taxa de alcoolemia equivalente ou superior àquela que é punível por lei. Que é por cá -como todos sabem ou deveriam saber- de 0,05 gr/l. Os Portugueses estão -a fazer fé em dados fornecidos pela Organização  Mundial de Saúde- entre os 10 maiores consumidores de álcool do mundo e, no nosso continente, só são suplantados por povos do leste da Europa. Uma posição que, naturalmente, não nos enche de orgulho... E quanto mais cedo nos mentalizarmos que há uma escolha vital a fazer entre beber e/ou conduzir, melhor será para todos. Porque se trata de uma questão de civilização e nós não queremos ser assimilados a bárbaros e a irresponsáveis.

O ESCÂNDALO CONTINUA...

Dia após dia, semana após semana, mês após mês, os incêndios continuam a devorar a floresta portugueses; mas não só, pois -como é sabido- já houve dezenas de mortes causadas pelos fogos e aldeias inteiras foram ameaçadas de serem reduzidas a pó por um flagelo que, ciclicamente, se abate sobre nós. Ontem, a minha aldeia e os campos próximos estiveram parte do dia mergulhados numa impressionante nuvem de fumo (talvez proveniente dos incêndios que lavram em Vila de Rei) e sobre ela continua a abater-se uma chuva de partículas de cinza, que mal se vê, mas que se insinua por todo o lado; inclusivamente para dentro de automóveis que permanecem fechados. Enfim, o regabofe continua... E já ganhou tal dimensão, que constitui falatório em telejornais de TV's estrangeiras. Posso afirmá-lo porque já vi e ouvi tais noticiários. E, pelo que se pode observar, parece não haver solução à vista. E a pergunta que todos os Portugueses fazem é a seguinte : -Quando terminará este inferno ? A pergunta continua sem resposta; e, sobretudo, sem uma política de contenção definida; política que nos garanta a tomada de medidas que, em Verões próximos, sejam susceptíveis de acabar com o escândalo e com o drama vividos e sofridos pelas populações rurais da nossa terra. Basta !

FUTEBOL CASEIRO : AS LIÇÕES DA SEGUNDA JORNADA

Com o fecho, ontem, da 2ª jornada do campeonato da 1ª Liga de Futebol, pudemos observar que os chamados 'clubes grandes' (e putativos candidatos ao título de campeão nacional) tiveram enormes dificuldades em impor-se, ganhando aos seus adversários pela margem mínima e, para dois deles, nos minutos finais dos jogos disputados. -Significa isto que há mais qualidade no futebol que, ao mais alto nível, se pratica em Portugal ? Estou convencido que sim. Como estou convencido, de que qualquer dos clubes que se mantêm no cimo da tabela acabarão, nas próximas jornadas, por sucumbir à pressão das ditas 'equipas menores'. Que têm bons jogadores e que contam com o saber de técnicos inconformados e altamente competentes. Acho que isto -para além de constituir um alerta para os 'vencedores antecipados'- é muito bom e interessante para a progressão do campeonato. Que, tornando-se menos previsível, acaba por ser mais atractivo. Acho, por outro lado, que a introdução do video-árbitro constitui uma melhoria nos jogos, pois não atrasa de maneira significativa o desenrolar dos 'matchs' e que interfere com mais justiça no resultado final. Apesar de torcer pelo Benfica, devo dizer que gosto disto. Porque, no fundo, o que me interessa é o jogo pelo jogo. É o futebol pelo futebol.

O NOSSO MUNDO É BELO (130 : UZBEQUISTÃO

segunda-feira, 14 de agosto de 2017

HOSPITALIDADE


Não me canso de referir aqui, que a filatelis é um nundo de permanente fascínio. E eu nem sequer sou coleccionador... Abordando temáticas diversificadas, este passatempo já demonstrou ser também um vector de cultura, que abrange todas as áreas do saber : Artes, Ciências e Técnicas, Geografia, História, Fauna e Flora, Etnografia, Costumes, etc. O selo que agora aqui vos deixo, refere uma 'arte' que, infelizmente, se está a perder nas nossas nações ditas 'civilizadas'. A arte de bem receber, a arte da hospitalidade. Emitida pela administração postal russa, esta estampilha mostra-nos uma senhora em traje tradicional, recebendo -à entrada de sua casa- os convidados esperados. E que são recebidos, como mandam as regras locais, com o pão e o sal. Sinal inequívoco de boas vindas. Bonito !

EMBLEMA DE VENEZA

Nos tempos áureos da República Sereníssima de Veneza, esta bandeira flutuava sobre a Cidade dos Doges e sobre as suas  colónias : que, nos séculos XV e XVI, eram constituídas -para além de vastos territórios no nordeste da actual Itália- por possessões na margem oriental do Adriático e por muitas terras, nomeadamente ilhas do Mediterrâneo oriental, tais como Cândia (a Creta dos nossos dias) e Chipre. Isso, sem falar nas zonas de influência comercial desse império, que se estendiam do mar Negro até ao Oriente; onde Veneza era aliada de poderosos potentados locais. Mas voltemos à bandeira, que é o tema (breve) deste texto. De forma rectangular, com 6 decorativos apêndices (ou cadilhos) do lado oposto ao da haste, apresentava cores vivas -vermelho e ouro- sendo o seu elemento principal o famoso Leão de São Marcos; cujas patas dianteiras seguram (quase sempre) uma Bíblia e uma espada. Este símbolo também foi largamente difundido sob a forma da altos e baixos relevos, estátuas, pinturas, etc. Também os navios da numerosa frota veneziana desses tempos usavam este sinal de identificação, arvorando-o em pavilhões e flâmulas ou, até e ocasionalmente, pintado nas velas. a República de Veneza dispunha, então, de esquadras de guerra poderosas (essencialmente constituídas por galés, galeaças por naves de alto bordo) e -como não podia deixar de ser- de frotas mercante numerosas, a condizer com o poderio comercial da Cidades dos Doges.

ATLETAS PORTUGUESES TRIUNFAM EM LONDRES

Ontem, no decorrer dos Mundiais de Atletismo disputados em Londres, a portuguesa Inês Henriques -filiada no C. N. de Rio Maior- venceu a difícil prova dos 50 km de marcha atlética; conquistando a respectiva medalha de ouro. Para além dessa proeza, Inês bateu o seu próprio recorde do mundo da modalidade, descendo a marca para as 4 horas 5 minutos e 56 segundos. Parabéns a esta atleta, que (e não é de agora) muito honra o desporto português de alta competição. E já, agora, porque também são merecidas, iguais felicitações para Nelson Évora que, nos mesmos mundiais, já havia conquistado a medalha de bronze do triplo salto.


Quem igualmente merece aplausos, são os nossos atletas Érica Gomes (medalha de prata), Cristiano Pereira (medalha de prata), Lenine Cunha (medalha de prata), Ana Filipa (medalha de bronze) e Hélder Mestre (medalha de bronze); que nas suas disciplinas também se ultrapassaram e mereceram honras de pódio. Obrigado a todos !

TESOUROS DA ARTE RENASCENTISTA


Este magnífico e triunfante David é, indubitavelmente, uma das obras mais importantes da estatuária mundial, de todos os tempos. Esculpida em glorioso mármore de Carrara, por Miguel Ângelo Buonarroti -que a terminou em 1504- foi encomendada (com uma série de outras esculturas) pela cidade de Florença. E simboliza o «sentimento de liberdades civis», que era apanágio daquela cidade-estado da península itálica. Esta fabulosa representação do herói bíblico, está exposta na galeria da Academia de Belas Artes de Florença. Onde foi colocada (por razões de preservação e segurança) no ano de 1873. Aquela que se pode ver numa praça pública florentina (Piazza della Segnoria) é, pois, uma réplica; que ali foi colocada em 1910. Portante se visitar Florença e quiser admirar a obra original do mestre, não se engane de lugar...


Retrato de Miguel Ângelo, o sublime autor desta obra-prima.

A PRINCESA E O XERIFE


A propósito de westerns, vejam só isto : um selo emitido pela administração postal do Principado do Mónaco, reproduzindo o cartaz (belga) do filme clássico «O Comboio Apitou 3 Vezes» («High Noon», 1952). -A que propósito ? Pelo facto da falecida princesa Grace (mãe de Alberto II, chefe da Casa dos Grimaldi e actual príncipe soberano desse minúsculo estado da Europa mediterrânica) ter sido -antes do seu matrimónio com o príncipe Rainier- uma 'star' do cinema norte-americano. A quem foi entregue, pela produtora United Artists e o realizador Fred Zinnemann, o principal papel feminino desta fita. A Grace Kelly, que teve como parceiro e herói o também famoso actor Gary Cooper. Nem mais, nem menos !


Nesta cena de «O Comboio Apitou 3 Vezes», a mulher do xerife Kane -uma 'quaker', uma integrista religiosa- tenta dissuadir o marido de lutar, de armas na mão, contra os foras-da-lei que o desafiam; representante da autoridade que vai lutar, sozinho, numa cidade acobardada...

domingo, 13 de agosto de 2017

«CHILDREN OF THE DUST»

Ontem tive a oportunidade de ver, pela primeira vez, um longo western (produzido para a TV), que considero autenticamente empolgante. Trata-se de um telefilm realizado, em 1995, por David Greene e que teve como principais intérpretes Sidney Poitier, Michael Moriarty, Joanna Going, Hart Bochner, Regina Taylor, Billy Wirth e James Caviezel. Colorida, esta obra tem cerca de 3 horas de duração e é apresentada em duas partes. A acção decorre no Oklahoma e noutras regiões do Oeste no imediato pós-guerra de Secessão e centra-se na agonia das tribos pele-vermelhas (despojadas dos seus territórios e obrigadas, pela força, a renunciar ao seu original modo de vida) e na situação sofrida pelos escravos negros recém-libertados, mas não-aceites pela comunidade branca e racista dos 'states'; que recorre à violência extrema do Ku-Klux-Klan para semear o terror entre os não-arianos. Contra os quais o execrado KKK cometeu crimes horrorosos. E mais não digo, porque vale mesmo a pena descobrir esta obra excelente. E rara, pois só lhe conheço edições videográficas nos países de língua inglesa e em Espanha. Foi aliás a versão comercializada aqui ao lado (comprei o DVD em Badajoz por menos de 13 euros) que me foi dada ver. Que, refira-se, só tem a V.O. e a versão dobrada em castelhano. O que é pena, pois, como é óbvio, gostaria de a ver legendada na nossa língua... Mas, enfim, com muito boa vontade deu para desfrutar de uma obra de valor, que não hesita denunciar uma das maiores taras que ainda apoquenta a sociedade norte-americana : o racismo, a violência contra a diferença. Aqui fica o meu sincero aplauso e o meu convite para que me seguem neste blogue tentem visualizar este trabalho inspirado por uma novela de Clancy Carlile e que em Espanha se intitula «Los Hijos de la Llanura»...