sábado, 23 de setembro de 2017

GRILO BEM VESTIDO

Dizem os cientistas, que existem à superfície da Terra mais de 900 espécies de grilos. O que é obra ! Entre estes  insectos ortópteros (da família dos gafanhotos), o que a imagem representa é aquele a que comummente se chama 'grilo arcos íris'. Penso não haver nome mais apropriado para dar a este vistoso insecto, que a tão caprichosa Natureza vestiu com (quase) todas as cores e matizes do também vulgarmente designado 'arco da velha'. -Não acham ?

NOS PRIMÓRDIOS DA AVIAÇÃO : ROLAND GARROS

Roland Garros foi o primeiro homem a atravessar o mar Mediterrâneo, numa viagem aérea sem escalas. Para além desse feito, ocorrido a 23 de Setembro de 1913 e que marcou a História da Aviação, este pioneiro (que cometeu a sua proeza aos comandos de um aeroplano Morane-Saulnier, com motor Gnôme de 60 cv), bateu vários recordes do mundo de altitude (todos eles devidamente homologados) e foi um exímio piloto de acrobacias; disciplina em que conquistou inúmeros prémios. Roland Garros também deixou o seu nome na História enquanto piloto de guerra. Durante o primeiro conflito generalizado (1914-1918) abateu aviões do inimigo e a ele se ficou a dever a invenção de um dispositivo que permitia o tiro de metralhadora através do hélice; sistema esse, que seria mais tarde aperfeiçoado pelo engenheiro holandês A. Fokker, que se colocou ao serviço da aviação da Alemanha Imperial. Roland Garros -insigne aviador francês- morreu num combate aéreo a 5 de Outubro de 1918, quer dizer a escassas semanas do término da 1ª Guerra Mundial. Com o seu nome foi baptizado um dos maiores estádios de ténis do mundo, que se situa na Porta de Auteuil, em Paris.

(M.M.S.).

P.S.: estas linhas (algo modificadas) fizeram parte de uma crónica de maior dimensão, publicada numa revista castrense («M. A.») em 1983.

sexta-feira, 22 de setembro de 2017

A SAÚDE PRIMEIRO ! CUIDADO COM O USO EXCESSIVO DE SAL

-Sabia que -segundo estudos  recentes e com conclusões apresentadas pela Sociedade Portuguesa de Hipertensão- se cada um de nós consumisse menos de 2 gramas de sal por dia, esse simples acto reduziria a taxa de AVC's de 30 a 40%, com repercussões nos cinco anos seguintes ? Pois é verdade. O que significaria que, em Portugal, haveria menos 11 000 acidentes vasculares cerebrais por ano. -Sabia, por outro lado, que o sal pode ser substituído, em muitas ocasiões, por ervas aromáticas, por especiarias, pelo vinagre, pelo limão; cujo uso culinário não tem consequências nocivas para o nosso corpo ? Experimente e melhore a sua saúde.

quinta-feira, 21 de setembro de 2017

AS MINHAS CRÓNICAS (9)

«A MULETA DE PESCA BARREIRENSE» - Com este título, foram publicadas (em data de 22 de Fevereiro de 2002) no semanário regional «J. do B.» estas linhas referentes a uma curiosa (e desaparecida) embarcação da qual já ninguém se lembra. A não ser, ainda e porventura, alguns velhinhos, com idades a rondar os 100 anos.  Vou reproduzir aqui esse texto, apenas com algumas alterações de somenos importância. Ei-lo :

É sabido que o Barreiro foi, em tempos que já lá vão, uma importante terra de pescadores. E também de marítimos exercendo outro género de fainas, tais como, por exemplo, a do transporte fluvial de passageiros e mercadorias entre a nossa industriosa cidade, a capital portuguesa e outras localidades da borda d'água.
O trabalho específico desses barreirenses do passado cumpria-se, essencialmente, no espaço navegável do Coina e do estuário do Tejo, mas podia estender-se, também e por vezes, muito para além da barra do maior dos rios ibéricos.
Os 'camarros' ligados professionalmente a tais actividades residiam, como é natural, nas zonas de praia que envolvem a sua terra natal. Zonas onde varavam as suas embarcações e onde existiram, desde recuadas épocas, indústrias de construção naval e de reparação de barcos. Segundo refere Armando da Silva Pais num dos seus indispensáveis livros sobre a História local, «O Barreiro Antigo e Moderno», o último desses estabelecimentos industriais pertenceu a Francisco José Bravo e cessou a sua actividade em 1914.
Para poderem exercer esses seus ofícios, os marítimos barreirenses utilizaram vários tipos de embarcações. As silhuetas de algumas delas (fragatas, varinos e botes, por exemplo) permanrcem vivas na memória de muita gente. E alguns dos nossos conterrâneos mais idosos e mais lúcidos talvez ainda se recordem (como acima sugeri) de terem observado, na sua meninice, o casco bojudo e o velame, deveras original, das derradeiras muletas 'barreireiras'.
Esse tipo de embarcação que, ao que parece, perdurou até aos anos 20 (do passado século, obviamente) também era comum aos marítimos do Seixal. Daí que a muleta figure na heráldica municipal das duas cidades vizinhas. Aliás como elemento principal dos respectivos brasões de armas.
Refira-se agora, depois deste intróito, que a muleta era, ao que se presume, um barco de origem mediterrânica; e que se desconhecem as circunstâncias e a época exacta (talvez no decorrer dos séculos XVII ou XVIII) da sua introdução no estuário do Tejo. Há até quem veja na muleta barreiro-seixalense uma parente afastada de certa barca catalã e da 'paranzella', uma embarcação usada pelos insulares da Itália ocidental.
A muleta era um barco de casco robusto e arredondado, que estava equipada com um aparelho algo complexo, compreendendo mastro, paus e vergas, para além de de uma dezena de panos de diferentes formas e dimensões. Destinada, em princípio à pesca de arrasto, a muleta dispunha de uma tripulação de mais ou menos quinze homens.
Media entre 10 e 15 metros de comprimento e podia arvorar mais de 170 m2 de vela, o que era considerado extraordinário para uma embarcação com as suas dimensões. O seu mastro era curto e acentuadamente inclinado para a vante. Sustinha uma verga muito comprida (de alongamento duas vezes superior ao do mastro), na qual se içava a vela de maiores proporções. A muleta estava ainda equipada com dois compridos paus (os 'botalós'), que, partindo de meia nau, se prolongavam muito para além da proa e da popa da singular embarcação. Esses paus serviam para hastear parte do restante velame e para fixar alguns dos cabos necessários à utilização da 'tartaranha'.
Além da sua vela principal, que era triangular (uma vela latina, pois), a muleta envergava panos que eram designados, segundo a sua forma e serventia, pelos bizarros nomes de 'varredouras' (de cima ou de baixo), 'muletins', 'toldos' e 'cozinheira'. Apesar de extraordinário, tal conjunto vélico conferia a este desaparecido barco de pescadores uma silhueta das mais airosas. Facto que se pode comprovar através do visionamento de algumas fotografias, desenhos e pinturas que perenizaram a sua recordação.
A 'tartaranha', que acima referimos, era uma rede de arrasto em forma de saco, manipulada lateralmente pelos homens das muletas. Curiosamente, em determinada altura (início do século XIX), as leis vigentes no nosso país reservaram a exclusividade do seu uso aos pescadores da Arrentela, do Barreiro, dos Olivais e do Seixal. O peixe capturado pelas muletas, nomeadamente pelas embarcações barreirenses desse tipo, destinava-se, sobretudo, ao abastecimento da população de Lisboa, cidade para cujos mercados ele (o pescado) era tranferido diariamente, graças à utilização das 'enviadas', barquinhos velozes, concebidos para assegurar essa função.
As muletas timham por zona habitual de pesca a barra do Tejo e uma porção da costa portuguesa que se estendia, 'grosso modo', da Nazaré até ao cabo Espichel. No supracitado livro de Armando da Silva Pais (que foi uma das diversas obras de que nos socorremos para podermos redigir estas despretensiosas linhas), colhemos os nomes de todas as muletas existentes no Barreiro por volta de 1875. Essa relação, que foi fornecida ao autor de «O Barreiro Antigo e Moderno» por António José da Loira, menciona as seguintes embarcações : a «Bexiga», a «Saloia», a «Gaiola», a «Joana», a «Bolacha», a «Patarata», a «Larga-a-Rolha», a «Estrada-de-Ferro», a «Choca», a «Zabumba» e a denominada «Os Leões».
Os tripulantes das muletas, aliás como os demais pescadores barreirenses de finais do século XIX, usavam um traje que, no essencial, era constituído pelas seguintes peças vestimentares : camisola de lã em tons amarelados, colete carmesim, cinta vermelha e calças castanhas. Na cabeça, usavam esses homens um tradicional barrete vermelho com dobra verde. Calçavam meias altas de lã branca (até ao joelho) e botas de cano de meia-perna.
Para terminarmos estas linhas sobre a 'muleta barreireira' (nome pelo qual esse barco também era conhecido), informamos aqueles que tiveram a santa paciência de nos ler do seguinte : poderão, se quiserem, admirar no nosso riquíssimo Museu de Marinha (que funciona, como é do conhecimento geral, numa ala do mosteiro dos Jerónimo) alguma preciosa documentação sobre o veleiro aqui evocado. Com efeito, existem no património exposto dessa prestimosa instituição, uma série de fotografias (datadas do início do século XX), gravuras e pinturas realizadas por artistas que viveram nesse já longínquo tempo das muletas. E que tiveram a feliz ideia de reproduzir as ditas embarcações, para regalo dos nossos olhos.

(M. M. S.).

-COMO FAZER UM HERÓI ?

«RECEITA PARA FAZER UM HERÓI»

Tome-se um homem,
Feito de nada, como nós,
E em tamanho natural.
Embeba-se-lhe a carne,
Lentamente,
Duma certeza aguda, irracional,
Intensa como o ódio ou como a fome.
Depois, perto do fim,
Agite-se um pendão
E toque-se um clarim.

Serve-se morto.

** Reinaldo Ferreira (1922-1959), poeta português **

ALBARQUEL


Esta fotografia -de autor que eu não consegui identificar- mostra a praia de Albarquel (nas proximidades da cidade de Setúbal) em meados do século XX. É, pois, a imagem de um tempo ainda sem grande número de turistas (nacionais e estrangeiros) e sem automóveis. Agora, nos meses de veraneio, a praia está pejada de banhista e na estrada que a serve é impossível estacionar um automóvel depois das 8 horas manhã. Mudam os tempos...

CINE-NOSTALGIA (79)

«PIXOTE, A LEI DO MAIS FRACO» é um filme brasileiro realizado, em 1980, por Hector Babenco. Do elenco artístico fazem parte Fernando Ramos da Silva, Marília Pêra, Jorge Julião, Gilberto Moura, Zenildo Oliveira Santos, José Nilson dos Santos e Jardel Filho. Distribuído internacionalmente pela Columbia Pictures, tem fotografia a cores e uma duração de 125 minutos. Foi um dos grandes sucessos do cinema do país irmão das duas últimas décadas do século XX. É um filme duro (direi mesmo muito violento), sem concessões, que aborda o tema da delinquência infantil, que é uma constante (por falta de resolução dos graves problemas sociais que atormentam o país) nas ruas da cidade de São Paulo. A história contada é a de Pixote, um rapazito de condição miserável que, apanhado numa rusga, transita por casas de correcção, que são autênticas universidades do crime; onde ele -com os seus amigos Dito, Fumaça e Lilica, entre outros- descobre a droga, a violência (incluindo os homicídios cometidos a sangue frio e, por vezes por razões fúteis), o negócio do sexo, etc. «PIXOTE, A LEI DO MAIS FRACO» constituiu, aquando da sua estreia, um choque tremendo na Europa, que, despreocupadamente, ignorava o alto grau de criminalidade que invade -ainda hoje, pois não houve melhorias- as grandes urbes da América do Sul. E da qual os jovens de baixo extracto social são os protagonistas e as principais vítimas. Esta película foi rodada como se tratasse de um documentário (atroz), que exala uma indesmentível realidade, que abrande milhões de meninos e de meninas, que vivem num intolerável mundo de desesperança. Para reforçar essa ideia, basta dizer que o 'herói' da fita, Fernando Ramos da Silva (um amador recrutado pela produção num dos bairros miseráveis de São Paulo, a maior cidade do hemisfério sul). tinha 10/12 anos na altura da rodagem do filme e que, alguns anos mais tarde, quando contava 19 anos de vida, foi abatido mortalmente a tiro pela polícia, aquando de um ataque à mão armada falhado. Quem ainda não viu este filme brasileiro, unanimamente aplaudido e vencedor de vários prémios internacionais (em Locarno, em San Sebastian, em Nova Iorque, etc.), deveria vê-lo sem tardar.

QUANDO PASSA O 'ZEPPELIN'...

Este é o dirigível alemão «Graf Zeppelin», que -nos anos 30 do passado século- realizava voos regulares entre a Europa e as Américas- Chegou -para grande benefício da propaganda nazi- a efectuar uma volta ao mundo. Foi desactivado em 1937, depois da catástrofe que destruiu o seu congénere (de mesma nacionalidade) «Hindenburg» e que causou 35 mortes. O 'Zeppelin' chegou a sobrevoar a minha anónima aldeia do Alto Alentejo no início dos anos 30... Onde semeou o terror na população local, que jamais vira um 'charuto' daquelas descomunais dimensões. Lá na aldeia ainda hoje há pessoas desse tempo (entre elas minha mãe, que conta 95 anos de idade) que se lembram desse espantoso acontecimento; e, os mais lúcidos, ainda sabem contar como foi...

UM LIVRO QUE SE RECOMENDA

Como qualquer outra nação do planeta  (com História), o nosso Portugal é uma terra e um povo que transmitem e recebem heranças. Poderíamos referir-nos à herança latina (legada pelos Romanos), à herança celta, à herança árabe, etc. Mas aquela que eu aqui quero sucintamente  referir (e que nós, injustamente, teimamos em esquecer) é a que nos veio da África negra. -Sabiam, por exemplo, que a presença de africanos em Portugal, está referenciada e documentada desde o século XIII e que teve a sua maior relevância na época dos Descobrimentos ? Pois é verdade. Durante um longo período da nossa História, os contactos com essa gente vinda de longe foi ensombrada por uma relação desumana entre senhores e escravos. E nós, portugueses brancos, há que reconhecê-lo, não nos comportámos como cristãos, como gente que viu no outro um irmão. Mas essa foi, infelizmente, uma atitude assumida pela totalidade das nações europeias, nos olhos de cujas populações luzia -em relação ao africano negro- a chama da ambição, proporcionada pela compra e venda de seres humanos. Esse longo e vergonhoso período (que durou séculos) é coisa do passado, que, a mim, causa alguma moléstia; mas que não tenho pejo em evocar. Consola-me, todavia, o facto dos africanos -de antiga ou mais recente presença no nosso país- beneficiarem, hoje, dos mesmos direitos que a restante população; independentemente da cor da sua pele e do seu credo. Embora tenhamos de reconhecer, que muitos deles ainda são descriminados socialmente e alvo de inaceitável xenofobia. Vem todo este palavreado a propósito de um livro editado pelos CTT (já há algum tempo), da autoria de Isabel Castro Henrique e que se intitula «A Herança Africana em Portugal». No qual se evoca a vivência das comunidades negras e se referem as «marcas indeléveis (que elas deixaram) nas mais variadas expressões do modo de ser, de pensar e de agir dos portugueses». É um livro deveras interessante e que eu aproveito para recomendar a todos aqueles que, regularmente ou não, 'passam' por este blogue. Esta obra pode ser comprada (ou encomendada) em qualquer posto dos Correios. Vem acompanhada por 6 selos -com o valor facial de 7,34 euros- e por um bloco numerado da emissão subordinada ao mesmo tema.

SABOROSA E DESALTERANTE CIDRA

No nosso país, não há tradições de produção e consumo de cidra. Pese o facto de nós termos regiões (algures no norte e no centro de Portugal) propícias -pela natureza do seu solo e do seu clima- à implantação de campos de macieiras-cidreiras. Talvez essa 'falha' se deva a razões puramente económicas, visto o plantio da vinha ser, sem dúvida, uma actividade mais rentável, proporcionadora de maiores lucros... Digo eu : é pena, porque a cidra (proveniente da fermentação de maçãs) é uma bebida deliciosa, barata e saudável. E, em relação ao vinho, tem a vantagem de oferecer um índice alcoólico mais fraco. Descobri a cidra, na Normandia (França) no ano de 1965; numa região onde essa pinga era, então, a bebida de todos os dias. A tal ponto, que, nesse tempo e nesse lugar, ela era muito simplesmente chamada 'la besson', a bebida , no inconfundível 'patois' local. Nessa época e nas classes menos abonadas da sociedade normanda (já lá vai mais de meio século...) o vinho era coisa fina, só para consumir aos domingos e dias festivos. Mais perigoso, era (e é) o produto destilado da cidra, uma aguardente comummente chamada 'calvados' ou mais simplesmente 'calva', que pode atingir um grau alcoólico deveras elevado. E que, convém, naturalmente, consumir com muita, muita moderação. Quase cinco décadas de vivência no noroeste de França, conferiram-me alguns hábitos e saberes próprios de um estrangeirado; mas eu tomo isso como uma mais valia da minha formação humana e da minha maneira de olhar o mundo e de conviver com os outros. E até na sociedade (por vezes quase hermética) da Normandia da segunda metade do século XX eu consegui construir relações duradouras. O que não era fácil para quem vinha de fora e se arreigava (o que não era o meu caso) a costumes e regras comportamentais distintas.

BERLIM : PRIMEIROS DIAS DE MAIO DE 1945

Esta fotografia foi tirada nas ruas de uma Berlim devastada pelos bombardeamentos da aviação aliada e pela artilharia soviética. A cena decorre nos primeiros dias do mês de Maio de 1945 e por altura do suicídio (no seu 'bunker') do chanceler que quis subjugar o mundo. Na foto podem observar-se um carro de combate do Exército Vermelho (um dos muitos que conquistaram a capital da Alemanha e atiraram por terra as promessas de Hitler sobre o 'Reich dos Mil Anos') e vários repórteres de guerra acreditados junto das forças armadas da URSS. Passou-se isto há mais de 72 anos, mas é bom que esta recordação da vitória da coligação anti-nazi -que pôs termo, na Europa, ao maior drama da História da Humanidade- se mantenha viva na nossa memória. Nem que seja só para nos lembrar o alto preço a pagar pela guerra... Preço a pagar pelos povos, naturalmente, pois são eles as principais vítimas da loucura dos políticos.

O NOSSO MUNDO É BELO (138) : MALÁSIA

quarta-feira, 20 de setembro de 2017

-APOGEU E QUEDA, OU APENAS UM INCIDENTE DE PERCURSO ?


Este altaneiro autocarro do Benfica tem quatro andares. Tantos quantos os campeonatos de futebol da 1ª Liga conquistados pelo clube nestes últimos anos. -Será que a indolência dos jogadores do actual plantel tem a ver com a perigosidade de colocar, em cima deste veículo, mais uma plataforma ? -Ou haverá outros constrangimentos (como o da obrigatoriedade de nele instalar um elevador) para podermos subir aos lugares cimeiros da tabela ? Os benfiquistas não sabem... Nem entendem lá muito bem, porque razão a máquina encarnada emperrou subitamente. Talvez um dia alguém nos explique isso...

COMERES DO ALENTEJO


A cozinha alentejana -simples, sápida e generosa- é um dos grandes cartazes turísticos de uma região que só há pouco despertou para essa actividade de receber e proporcionar prazer a quem nos visita. E, para enaltecer essa gastronomia portuguesa, tão genuína e tão particular, celebram-se, ao longo do ano, encontros, festas e festivais que a colocam em relevo; quer dizer no sítio certo. Isso, sem contar, com o esforço de certos profissionais da restauração, que, em toda a nossa região (que se estende da margem esquerda do Tejo até aos contrafortes das serras algarvias), dão o seu melhor para -todos os dias- fazerem a cabal demonstração de como é possível conciliar autenticidade com modernidade.

EPISÓDIOS DA HISTÓRIA DO CINEMA : EVOCANDO «TEMPOS MODERNOS», A ÚLTIMA FITA DE CHARLOT

O mundo encontrava-se ainda fortemente abalado pelo terrível 'crash' bolseiro de 1929, quando Charlie Chaplin -extremamente chocado pelo desemprego e pela miséria engendrados pela crise económica- decidiu realizar o seu sétimo filme de longa metragem. Nessa altura, esse génio do espectáculo cinematográfico não podia sequer imaginar que «Tempos Modernos», a fita em questão, se tornaria no seu mais controverso trabalho e que a reflexão social veiculada por essa sua obra acabaria por levá.lo, alguns anos mais tarde, diante da famigerada Comissão de Actividades Anti-Americanas, presidida pelo senador fascista Joseph McCarthy.
A rodagem de «Tempos Modernos» (que, lembramos, foi o último filme mudo de Chaplim e a derradeira fita em que apareceu a imortal figura de Charlot) teve início em Setembro de 1935 e durou quatro meses. A película foi estreada oficialmente a 5 de Fevereiro de 1936 no Rivoli Theatre de Nova Iorque, sendo -logo após essa sua primeira projecção- vilipendiada pela imprensa nacional, nomeadamente e com particular virulência pelos jornais e outras publicações do grupo Hearst, que acusaram o seu autor e principal intérprete de ser 'bolchevique' e 'um inimigo declarado dos grandes empresários e da polícia' dos Estados Unidos.
Negativamente influenciado pelas múltiplas e arrasadoras críticas de que o filme foi alvo, o público norte-americano não reservou a «Tempos Modernos» o sucesso popular que este inolvidável filme merecia. Indubitavelmente ! Assim, as receitas de bilheteira foram, nos 'states', medíocres, em consequência do verdadeiro trabalho de sapa levado a cabo pelos jornais hostis a Chaplin.
Na Europa as coisas passaram-se de maneira diferente. Se na Alemanha hitleriana um interdito de exibição foi pura e simplesmente decretado e proclamado pelo sinistro Dr. Goebbels, ministro da propaganda do regime nazi, já os críticos de cinema de Inglaterra, de França e das outras nações democráticas do nosso continente acolheram entusiasticamente esta nova película do 'Eterno Vagabundo'. Película que não hesitaram qualificar de obra-prima e qualificar como um grande momento de cinema. Quanto ao público, no seu geral, esse riu e sorriu com os impagáveis apartes de Charlot, enquanto os cinéfilos mais esclarecidos viram em «Tempos Modernos» (filme hoje reconhecido, unânime e universalmente, como sendo uma das obras mais importantes da História da 7ª Arte) a denúncia clara, necessária e inadiável da desumanização do trabalho fabril.
Diga-se, a título de curiosidade e para finalizar estas modestas linhas, que Charlie Chaplin encarou o insucesso desta sua película, nos EUA, como um fracasso imerecido e as demolidoras e malévolas acusações da imprensa ianque como uma ofensa pessoal. Nessas circunstâncias, não é de admirar que, muito antes da sua dramática saída do país (nas condições que todos conhecemos e que já fazem, também elas, parte da atribulada História do Cinema, mas não só), o inexcedível artista britânico tenha manifestado o desejo de abandonar definitivamente território da América do norte. Foi, aliás, por essa época (1936) que o genial criador de Charlot empreendeu uma longa viagem pelo Extremo Oriente na companhia de Paulette Goddard, actriz com a qual Chaplin contraiu um matrimónio secreto, aquando de uma escala no porto chinês de Cantão

(M.M.S.).

AS MINHAS CRÓNICAS (8)

«O PRIMEIRO COMBATE ENTRE NAVIOS COURAÇADOS MODERNOS». Tal é o título desta crónica escrita há mais de 10 anos, mas que -por falta de publicação adequada à introdução deste tema- se manteve inédita. Até hoje.

Em 9 de Março de 1862, teve lugar no estuário do rio James, perto da localidade de Hampton Roads (na Virgínia, EUA), um acontecimento que podemos muito bem considerar como o primeiro episódio da guerra naval moderna. Um combate memorável, no qual participaram dois inovadores navios couraçados : o «Monitor», da marinha federal norte-americana e o «Virginia» (ou «Merrimac», nome pelo qual também é conhecido), uma unidade pertencente à armada da efémera Confederação dos Estados do Sul.
Antes de nos lançarmos no relato deste histórico evento, talvez seja conveniente abrir aqui um parêntese para situar, rapidamente, de maneira sucinta, o contexto em que se inscreveu esse novo capítulo da guerra naval. Vejamos então : em inícios da década de 60 do século XIX, algumas regiões do sul dos Estados Unidos decidiram separar-se politicamente do resto do país fundado por George Washington e seus pares. Refira-se que os 'pais' da constituição norte-americana haviam tomado em consideração esse direito e que a eventualidade de um ou mais estados poderem abandonar a União estava devidamente consignada e garantida no documento fundamental da nação. Apesar disso, o antagonismo político entre o Sul (cuja economia era essencialmente agrícola e se apoiava na exploração, em larga escala, de mão-de-obra escrava) e o Norte (industrial e abolicionista) sobrepôs-se à legalidade e foi-se agravando progressivamente, até se transformar num renhido conflito armado, que eclodiu, oficialmente, no dia 12 de Abril de 1861.
A partir daí, as forças fiéis ao governo federal começaram por impor um severo bloqueio naval aos portos sulistas, de modo a estrangular a economia dos rebeldes (termo pelo qual eram, geralmente, designados os secessionistas), que assentava na exportação -principalmente para a Europa- da sua produção de algodão e de tabaco e na importação de produtos manufacturados e de bens de consumo corrente provenientes do Velho Continente, nomeadamente de Inglaterra e de França.
Prosseguindo o fio da História, cumpre-nos agora referir que foi, pois, para tentar 'furar' esse bloqueio naval, que a asfixiava, que a Confederação dos Estados do Sul resolveu equipar a sua marinha de guerra com um navio capaz de resistir ao fogo mortífero da frota inimiga e que, ao mesmo tempo, lhe pudesse causar baixas irreparáveis e abrir brechas no apertado cerco que os nortistas impunham aos seus portos; situados na costa atlântica e no golfo do México. Nesse transe, os engenheiros navais confederados procederam, em grande segredo, à conversão de uma das suas velhas fragatas, a CSS «Virginia». Depois de lhe terem arrancado os mastros e suprimido o respectivo velame, os sulistas dotaram-na de uma superestrutura  que, vista de flanco, apresentava uma forma trapezoidal. Fortemente blindada, já que a dita superestrutura fora inteiramente revestida por compactas placas de aço, o renovado navio era propulsionado por uma máquina a vapor e impressionava, igualmente, pelo facto de estar eriçado de peças de artilharia de forte calibre.
Colocado sob o comando do capitão Franklin Buchanan, um oficial reputado pelo sua competencia (adquirida, outrora, a bordo dos navios da União), o poderoso couraçado da Confederação teve o seu baptismo de fogo no dia 8 de Março de 1862. Nesse dia, nas águas da vasta baía de Chesapeake, o «Virginia» atacou, sucessivamente, três vasos de guerra da marinha unionista -as fragatas «Minnesotta», «Cumberland» e «Congress»- afundando-os sem remissão. Segundo o testemunho de alguns membros das guarnições desses navios nortistas, que conseguiram escapar ilesos à chacina provocada pela intervenção do formidável couraçado da armada confederada, os projécteis disparados pelos artilheiros das suas fragatas escorregavam, literalmente, pelos flancos inclinados e chapeados do «Merrimac» (o outro nome atribuído ao navio «Virginia», como já acima referimos), perdendo, assim, toda a sua eficácia.
Esta vitória estrondosa dos sulistas não teve, porém, continuidade. Constituiu um caso isolado nesse conflito fratricida, nessa guerra civil atroz, que foi o afrontamento entre estados. É que, em Washington, o Ministério da Guerra tomara, atempadamente, conhecimento (graças a informações detalhadas comunicadas pelos seus espiões) da realização do temível navio inimigo. E, prudentemente, encomendara, também ele, a construção de um navio blindado, embora com com características próprias. Esse navio couraçado nortista, que haveria de receber o nome de «Monitor», fora concebido (a troco de 275 000 dólares) por um certo John Ericsson, um engenhoso emigrante de origem sueca.
Construído em apenas 100 dias, -nos estaleiros navais de Greenpoint, Nova Iorque- o «Monitor» nada tinha de comum, à excepção da blindagem, com o seu perigoso rival sulista. De menores dimensões, e por essa razão menos impressionante do que o vaso de guerra dos adversários, o novo navio dos federais era constituído por uma plataforma oblonga, quase submersa, da qual sobressaía uma torreta móvel e de forma cilíndrica, da qual afloravam dois poderosos canhões de 11 polegadas. O «Monitor» estava equipado com uma máquina a vapor, que, para além da propulsão, também fornecia a energia necessária à movimentação giratória da torreta. O comando do «Monitor» foi confiado ao tenente John Worden, que recebeu ordens da sua hierarquia para afrontar o inimigo logo que a ocasião se apresentasse.
Curiosamente, essa oportunidade surgiu muito rapidamente e o inevitável embate entre os dois monstros de aço ocorreu horas depois da espectacular vitória obtida pelo «Virginia»/«Merrimac», na baía de Chesapeake, contra as supracitadas fragatas dos nortistas. Esse autêntico choque de titãs teve, com efeito, lugar no dia seguinte -a 9 de Março de 1862- nas águas barrentas do estuário do rio James. Mas passemos, agora, a relatar o que realmente aconteceu nesse memorável dia : depois de terem estabelecido contacto visual, os dois navios lançaram-se, resolutamente, ao encontro um do outro. E, assim que a distância o permitiu, os novos couraçados começaram a alvejar-se mutuamente, tentando, ao mesmo tempo e mercê das hábeis manobras dos respectivos timoneiros, encontrar a posição mais adequada para alvejar os pontos vulneráveis do adversário. Embora a luta parecesse desigual, já que o «Merrimac» era três vezes maior do que o seu rival e estava superiormente armado (com 10 bocas de fogo), a verdade é que o «Monitor» compensava essa aparente desvantagem com a sua melhor capacidade de manobra e com o facto do seu comandante saber tirar proveito de uma silhueta baixa e, por consequência, menos exposta aos tiros do inimigo.
O combate desenrolou-se durante três longas horas (quatro, segundo certas fontes), sem que, depois de terminado, se tenha podido atribuir a vitória a um dos navios intervenientes nessa luta. Foi, pois, um combate sem triunfador nem vencido. Os estrategas da guerra naval, que analisaram minuciosamente todas as fases deste primeiro confronto entre couraçados, acharam que a marinha militar tiraria, no futuro, vantagens em equipar-se com navios dotados do binómio tecnológico vapor-hélice (comum aos dois navios) e armados com reparos móveis de artilharia, idênticos àquele que equipava o «Monitor».
Diga-se agora, para satisfazer a natural curiosidade de quem nos lê e que, eventualmente, se possa interessar pela temática naval, que o «Monitor» naufragou a sul do cabo Hatteras, no dia 31 de Dezembro de 1862, durante uma tempestade. E que fez parte de uma classe de navios que compreendeu mais duas unidade em tudo idênticas, que foram baptizadas, respectivamente, com os nomes de «Galena» e de «New Ironsides».
E, para concluir estas linhas, talvez seja interessante sublinhar (embora isso já seja outra história) que : a Guerra Civil -também chamada guerra da Secessão Sulista-  terminou no dia 9 de Abril de 1865, com a rendição incondicional, em Appomatox, do  general Robert Lee, comandante-chefe das tropas confederadas; que, na verdade e apesar do que aqui deixámos escrito, a marinha dos dois antagonistas não representou, nesse conflito, um papel relevante, pois as grandes e decisivas batalhas da Guerra Civil foram travadas pelos exércitos em terra; que na guerra em causa morreram, segundo fontes obviamente contraditórias, entre 600 000 e 1 000 000 de pessoas; que o referido conflito terminou com o retorno forçado à União dos estados dissidentes, facto que contrariava -como já foi dito- a letra da constituição dos Estados Unidos da América; que o presidente Abraão Lincoln (que foi assassinado cinco dias depois de consumada a vitória dos seus exércitos, por um fanático da causa confederada) afirmou publicamente que a abolição da escravatura (ainda hoje apontada, por alguns, como tendo sido a causa principal da eclosão deste conflito) foi apenas um pretexto secundário nesta guerra. E que aquilo que o motivou verdadeiramente, a ele Lincoln, na sua encarniçada luta contra os confederados foi a intransigente defesa da União e a reintegração na dita, dos estados secessionistas do Sul.

(M. M. S.).

terça-feira, 19 de setembro de 2017

DUARTE DE ARMAS E OS SEUS DESENHOS

Duarte de Armas (que viveu nos séculos XV e XVI) foi escudeiro de el-rei D. Manuel I (o 'Venturoso') e mereceu um lugar na nossa História, graças aos notáveis desenhos de castelos e vilas da nossa raia seca, que ele inseriu no seu famoso «Livro das Fortalezas»; uma obra inestimável que teve (em 1509) duas versões : uma com desenhos menos apurados, mais esquemáticos -conservada na Biblioteca Nacional de Madrid- e outra, de maior interesse artístico, que, hoje, se encontra na Torre do Tombo. Esta última edição contém desenhos e plantas de 57 fortificações (castelos, torres de defesa. etc.) e de vilas fronteiriças e suas defesas. Há também quem atribua a Duarte d'Armas (como, por vezes, também se ortografa o seu nome) a vista de Évora que se pode admirar no foral novo dessa cidade do Alto Alentejo e que apresenta a data de 1501.



Estas imagens do famoso livro de Duarte de Armas representam, de cima para baixo, os castelos e povoações de Chaves (2), Mértola (3), Sintra (4) e Olivença (5). A ilustração de topo é uma edição contemporânea do «Livro das Fortalezas», com prefácio de Manuel da Silva Castelo Branco.

segunda-feira, 18 de setembro de 2017

SABORES...

DOIS FILMES EXCEPCIONAIS

Tive a oportunidade de ver, ontem, dois filmes extraordinários :
«ÁMEN», realizado em 2002 por Costa-Gavras e «DESPERTARES», uma obra de Penny Marshall estreada em 1990. A acção da primeira dessas fitas decorre durante a 2ª Guerra Mundial (essencialmente na Alemanha nazi) e conta-nos a história de um oficial do exército que, involuntariamente, serve nas fileiras das terríveis SS; onde ele passa a dirigir os serviços de fornecimento do gás letal Zyclon B, responsável pela morte de milhões de seres humanos nos campos de extermínio do 3º Reich. Cristão convicto, esse oficial (que arrisca a vida a qualquer momento) tenta alertar a hierarquia da Igreja Protestante alemã e até o papa, no Vaticano, sobre a mortandade provocada pelos hitlerianos, mas os seus esforços esbarram, sistematicamente com o 'medo' de se saber e de denunciar o drama horrível e incomensurável que -nos universos concentracinários da Europa, nomeadamente da Polónia ocupada- é vivido pelo povo judeu e por muitas outras minorias étnicas e sociais. Esta é uma história muito bem 'mise-en-scène', que consegue despertar as mentes (mesmo as mais obtusas) para uma das páginas mais trágicas da História da Humanidade. É um filme colorido, com uma duração de 130 minutos e com um elenco onde brilham, entre outros, os nomes de Ulrich Tukur, Mathieu Kassovitz, Marcelo Iures, Antje Schmidt e Sebastian Höss. Nota : 20/20.


O outro filme intitula-se «DESPERTARES» e é protagonizado por Robin Williams e por Robert de Niro. A história contada é a de um médico (especialista em neurologia) que vai exercer num hospital do Bronx (Nova Iorquee), onde ele se vai deparar com uma comunidade de doentes em estado vegetativo. Gente que fora vítima, muitos anos atrás, de uma epidemia de encefalite letárgica e que ninguém sabe e quer verdadeiramente tratar. A sua bondade e o recurso a medicamentos experimentais, vão facilitar-lhe o contacto com os pacientes e a sua terapia resulta -para os doentes- numa melhoria de vida inesperada. Que cria uma onda de solidariedade entre os mecenas de um hospital sem grandes recursos financeiros. Mas o caso de Leonard Lowe, um paciente de inteligência rara e com quem ele (o médico) tecera laços de amizade sincera e que tem uma recaída, trá-lo à realidade e dá-lhe a informação de que a cura é apenas transitória... Trata-se de um filme pungente (e ao que parece inspirado numa história verídica), que ofereceu a Robert de Niro um dos melhores papéis da sua carreira. Colorido e com 121 minutos de duração.
É um gosto ver cinema desta qualidade.

CURIOSIDADES DA NOSSA LÍNGUA (1)

Já alguma vez ouviu falar na 'água de cu lavado' ? -Não ? Pois esse curiosíssimo dito aplica-se, em Portugal, a certa e misteriosa beberagem que se acredita existir e que é dada a ingerir -de maneira pérfida, traiçoeira- a alguém que se deseja dominar. Sobretudo em questões de amor e de sexo. Por cá, ainda hoje se diz de alguém que se submete com grande facilidade à vontade do cônjuge, que bebeu 'água de cu lavado'; quer dizer, que não tem vontade própria, que é um fantoche nas mãos dominadoras de outrem. Essa prática (a existir) é, por vezes, assimilada à bruxaria. Parece que esta pitoresca expressão também se aplicou, outrora, a um 'tratamento' aplicado aos bebés, para que eles falassem mais rapidamente. E que consistia em dar-lhes a beber uma poção preparada com a água do próprio banho. Enfim, a meu ver, tudo isto são parvoíces, mas que é interessante comentar...

PONTE ASSUSTADORA

Esta é a espectacular ponte de Eshima Ohashi, que liga as cidades de Sakaiminato e de Matsue, situadas no Japão ocidental e próximas da tristemente famosa urbe de Hiroxima. A ponte em questão não é muito grande, pois mede 1700 metros de comprimento por 11 metros de largura. O que nela impressiona, é mesmo o seu índice de inclinação assustador. Assim concebido para que a via de água que a ponte transpõe ter de ficar aberta, em permanência, aos grandes navios que a cruzam.

À VELA E A VAPOR

Durante várias décadas (na transição dos séculos XIX para XX), os navios combinaram dois sistemas de propulsão : o facultado pelas tradicionais velas e o proporcionado pelas máquinas a vapor. Isto aconteceu num período em que as ditas máquinas ainda não eram totalmente fiáveis, mas também por outras razões. Sendo que uma das mais importantes tinha a ver com a dificuldade das embarcações do tempo se poderem abastecer em carvão em grande número de portos da Europa, mas não só. Também os veleiros puros navegaram muitos anos após ter surgido o primeiro desses inovadores engenhos, experimentados e divulgados por Robert Fulton. -E porquê ? Porque o espaço ocupado pelos motores e respectivo combustível, o carvão, reduziam substancialmente o espaço nos porões habitualmente reservados à carga; penalizando, assim, os armadores, cujos navios carregavam menos e rendiam lucros menores. Estes navios -os veleiros- só desapareceram totalmente do panorama do transporte de passageiros e frete muito depois de ter terminado a Grande Guerra...