domingo, 14 de janeiro de 2018

ÁLVARO PIRES DE ÉVORA

O artista Álvaro Pires de Évora (ou Alvaro di Piero da Portogallo, como lhe chamam os italianos) é o primeiro pintor português com assinatura conhecida. Originário (muito provavelmente) da capital do Alentejo, Álvaro Pires viveu e trabalhou na primeira década do século XV. Executou grande parte da sua obra em Pisa, Volterra e Florença, onde residiu. O essencial da sua obra (uma trintena de frescos, tábuas e telas) é constituída por trabalhos de inspiração religiosa. Até há meia dúzia de anos não havia uma única manifestação da sua arte no nosso país. Agora está patente (felizmente) no Museu de Évora uma preciosa tábua pintada por esse nosso artista, intitulada «A Virgem com o Menino entre São Bartolomeu e Santo Antão sob a Anunciação». Esse trabalho -com mais de 600 anos- foi adquirido no estrangeiro, por 64 000 contos, graças a um grupo de mecenas. Mecenas que tiveram a inteligência e a magnanimidade de devolver ao museu da sua terra (Évora) uma obra marcante da nossa arte pictórica de Quatrocentos. Bem-hajam !

DELICIOSO CHÁ DOS AÇORES

-Sabia que o chá (ou melhor, os chás) da ilha de São Miguel (Açores) ganharam tal fama, que até são exportados para países asiáticos de grande produção, como, por exemplo, a Tailândia ? Pois é pura verdade, e isso deveria ser motivo de grande orgulho para os Portugueses !

VIVO E BEM VIVO !

O Benfica -que ontem venceu brilhantemente em Braga o Sporting local- está vivo e bem vivo ! E desiludiu todos aqueles que já o davam como morto e enterrado na corrida ao título. Depois da exibição de gala contra a temida equipa minhota, os encarnados transmitiram algum ânimo e muita esperança aos seus adeptos, que agora sabem que o 'penta' ainda é possível. De qualquer modo, muita da pressão está, agora, do lado dos adversários directos das águias; apesar destes ainda beneficiarem de algum avanço pontual e de jogos em atraso. Afinal, o campeonato ainda não acabou... «Et Pluribus Unum».

terça-feira, 9 de janeiro de 2018

ÍNDIOS ! ÍNDIOS !


Estes selos de correio das Ilhas Marshall, na Micronésia, prestam uma comovente homenagem a algumas das grandes figuras da secular História dos povos Ameríndios : a população original da América do Norte. Muitos destes homens são conhecidos dos europeus, graças à difusão do cinema western; no qual eles nem sempre foram retratados com verdade e com rigor. Aconselhamos a ampliar a imagem com um clique do rato.

ASSIM VAI O (NOSSO) MUNDO...


As relações diplomáticas (e outras) entre Portugal e Angola continuam a degradar-se. Sobretudo, por causa de Manuel Vicente (ex-vice-presidente daquele país africano), sobre o qual pendem suspeitas de corrupção de um alto funcionário da justiça portuguesa. João Lourenço -presidente da República de Angola- não quer entender que o estado português não pode transferir, como ele pretende, o processo para Luanda, porque isso não é legal numa nação democrática, onde existe separação do poder político do poder judicial. -Será que João Lourenço -que todos nós admiramos pelo excelente trabalho feito depois da sua tomada de posse- não percebe isso ? -Ou é homem para o qual todos os pretextos são válidos para 'ajustar contas' com a antiga potência colonial ? A ver vamos.


O futebol português (ou melhor, o que gira à sua volta) causa-me nojo. A última proeza de um 'agente desportivo' ficou a dever-se ao técnico do F. C. Porto (clube que, actualmente, tem uma grande equipa -sem dúvida a melhor do campeonato- e que merece amplamente, o 1º lugar na tabela classificativa); que dirigiu ao seu colega do Benfica insultos que só vêm confirmar aquilo que muita gente já sabia dele : que o Sérgio é um tipo colérico, excessivamente provocador, sem educação e sem ética. Um conselho : civilize-se.


Parece estar instalada a polémica sobre a escolha do nome do futuro aeroporto do Montijo. Que um comité (ao que parece já formado) quer chamar Aeroporto Mário Soares. No que me diz respeito, eu sou contra. Porque acho que os nomes dados a esse género de infraestruturas devem ser politicamente neutros. Sou contra, como o sou contra o nome de Sá Carneiro que foi dado ao antigo aeroporto das Pedras Rubras (que deveria, penso eu, ter o nome do ilustre piloto portuense Sarmento de Beires ou o de Sacadura Cabral, outro insigne aviador nortenho) e como seria contra se quisessem dar (não sei bem porquê) o nome de Álvaro Cunhal ao aeroporto do Algarve. Que, penso eu, deveria ser baptizado com o nome de Gago Coutinho, nascido em São Brás de Alportel, embora tivesse sido registado em Lisboa. Como acharia por bem que se honrasse a memória do piloto alentejano Brito Paes no aeroporto de Beja. Nisto tudo, penso que acertado só o nome há pouco atribuído ao aeroporto da Portela; que tem o nome de um general de aviação, que foi co-fundador da TAP.

-QUAL É A ORIGEM DA EXPRESSÃO 'DAR ÀS DE VILA-DIOGO' ?

Toda a gente conhece a expressão 'dar às de vila-diogo'; que significa fugir. Mas poucos portugueses e outros falantes da nossa língua conhecerão a origem de tão curioso dito. Ora, apesar de haver para essa tal expressão várias explicações, parece-nos que a mais plausível é a seguinte, citada por vários autores : no século XIII, em Castela e Leão, a perseguição religiosa aos judeus foi particularmente violenta. A tal ponto, que o Fernando III, senhor daqueles reinos ibéricos, decidiu tornar uma das suas vilas -a localidade de Villa Diego- um lugar onde os hebreus pudessem gozar de alguns privilégios, nomeadamente o de viver em paz, livres de persecuções. Assim, quando a sua situação se tornava insustentável noutros lugares de Espanha, os judeus fugiam para aquele lugar (cujo nome nós aportuguesámos para Vila Diogo), para se colocarem a salvo da ira religiosa (mas não só) dos cristãos.

segunda-feira, 8 de janeiro de 2018

A ESSÊNCIA DOS NOSSOS POETAS

NOVA CANÇÃO DO EXÍLIO

Minha amada tem palmeiras
Onde cantam passarinhos
e as aves que ali gorjeiam
em seus seios fazem ninhos
Ao brincarmos sós à noite
nem me dou conta de mim:
seu corpo branco na noite
luze mais do que o jasmim
Minha amada tem palmeiras
tem regatos tem cascata
e as aves que ali gorjeiam
são como flautas de prata
Não permita Deus que eu viva
perdido noutros caminhos
sem gozar das alegrias
que se escondem em seus carinhos
sem me perder nas palmeiras
onde cantam os passarinhos

Ferreira Gullar

O maranhense Ferreira Gullar, pseudónimo de José Ribamar Ferreira (1930-2016), foi poeta, prosador crítico de arte e biógrafo. Foi co-fundador da corrente literária denominada neoconcretismo. Membro da Academia Brasileira de Letras. Militante da esquerda, esteve exilado durante a ditadura militar.