domingo, 22 de outubro de 2017

O TARRO


Este recipiente, inteiramente fabricado com cortiça pelos camponeses do Alentejo, é o tarro; cujas características térmicas são excelentes e que foram comprovadas por séculos de uso. Infelizmente, estes objectos -nos quais se conservavam alimentos secos e molhados, já não têm utilização prática, pois foram substituídos por modernices coloridas, em plástico. Mas, também, porque já não fazem falta no campo. Onde acabou o trabalho escravo, de sol a sol, e as ceifas já não são o que foram. Agora, os tarros  são vendidos nas feiras de artesanato, como meras recordações de outros tempos, de outras vidas...

PUBLICIDADE DE OUTROS TEMPOS (6)



Eis aqui alguns cartazes publicitários promovendo serviços, artigos e/ou produtos nacionais. Algumas das marcas aqui referidas sobreviveram ao tempo e à concorrência estrangeira. Mas este 'post' apenas se preocupa com o lado artístico (ou curioso) de cada um desses 'reclames' (como então eram chamados) e com o facto dos mesmo poderem despertar recordações, quiçá adormecidas, na memória de algumas pessoas que por aqui vão passando... Nada mais do que isso.

PARIS DE FRANÇA


Este é o brasão de armas da cidade de Paris, capital da República Francesa. Que resumiremos assim, em linguagem não erudita, pois dessa percebem os heraldistas : o escudo apresenta as cores tradicionais da cidade -azul e vermelha- sendo que a primeira está semeada de flores de lis (ouro). Na parte inferior do dito está representada uma nave de prata, vogando sobre águas agitadas de mesma cor. Exterior do escudo : coroa mural (ouro) de cinco torres. Ramos (frutados) de carvalho e de louro. Em baixo, listel com a frase latina «Fluctuat Nec Mergitur», que se pode traduzir por 'sacudida (pelas ondas) mas não afunda', numa referência à nave, que aqui representa a cidade. Sob o listel figuram três condecoração concedidas à cidade : a Ordem da Libertação, a Legião de Honra e a Cruz de Guerra (1914-1918) com palma. Referimos, ainda, que as cores azul e vermelha são as de Paris desde a Idade Média. As flores de lis, símbolo da realeza, são apanágio de todas as 'boas cidades de França'; foram abolidas durante as épocas napoleónica e revolucionária e regressaram mais tarde aos brasões de grandes cidades. A nave e a divisa também são de origem antiquíssima e foram introduzidas no brasão há séculos; pertenceram, primitivamente, à importante corporação dos barqueiros do Sena, que teve, outrora, grande importância na vida económica e social de Paris.

HISTORIETA VERÍDICA


Em Portugal, a chamada dinastia Filipina foi constituída por três soberanos espanhóis, todos eles de nome Filipe. Que por cá reinaram de 1580 até 1640, ano da restauração da nossa independência e da ascensão ao trono de Portugal de D. João IV. Foram eles Filipe II (filho de Carlos V e de Isabel de Portugal) e os seus descendentes directos e sucessores Filipe III e Filipe IV. Figuras que, na nossa História, ficaram registadas, como é sabido, com os nomes de Filipe I, Filipe II e Filipe III. O que, talvez, muita gente não saiba é que o último dos Filipe que cingiu a coroa portuguesa (Filipe IV, ou III, como se preferir) era um homem algo vaidoso, que, em vida, escolheu ele próprio o cognome de «o Grande». Ora com a perda do trono de Portugal e do território nacional, o soberano ressentiu-se. Mas um dos seus cortesãos, o 7º duque de Medinaceli, don Luis Antonio de la Cerda y Dávila (1607-1671) teve esta extraordinária e bajuladora saída : «Passa-se com Sua Majestade o que se passa com os buracos, quanto mais terra perdem 'más grandes' são». Notas : a História de Espanha também chama ao derradeiro dos 'nossos' Filipes «o Rei Planeta». O retrato aqui anexado de Filipe IV/III é da autoria de Velásquez (que, curiosamente, era de ascendência portuguesa) e pertence às colecções da National Gallery, de Londres.

sábado, 21 de outubro de 2017

FOTOGRAFIAS COM HISTÓRIA (68)

Esta fotografia foi tirada em Junho de 1909 na costa noroeste da ilha das Flores, nos Açores; logo após o naufrágio do paquete britânico «Slavonia» (ocorrido no dia 10 desse mesmo mês e ano), que ostentava as cores da prestigiosa companhia Cunard Line. O navio em questão partira de Nova Iorque com destino a Trieste (porto do Adriático), transportando, a bordo, uma tripulação de 225 membros e 597 passageiros. A sua rota normal passava 160 km a norte da ilha do Corvo, mas foi modificada quando os passageiros de 1ª classe solicitaram insistentemente ao capitão do navio para que lhes fosse permitido avistar, de perto, algumas ilhas do arquipélago português. Tendo acedido a esse pedido, o capitão do «Slavonia» dirigiu-se para a ilha das Flores. Onde, devido à fraca visibilidade, provocada por espesso nevoeiro, o navio foi violentamente encalhar nos rochedos de Baixa Rasa. Os socorros foram solicitados rapidamente (parece que foi do «Slavonia» em perdição que foram emitidos os primeiros sinais SOS da História da Navegação) e permitiram a célere chegada ao lugar do desastre dos navios germânicos «Prinzess Irene» e «Batavia», assim como várias embarcações de pesca açorianas, que acabaram por resgatar, sã e salva, toda a gente. Quanto ao «Slavonia» (que foi o maior de todos os navios perdidos naquelas paragens) desapareceu completamente da paisagem, depois da acção dos homens e das forças naturais. Mas foi, apenas, mais um entre o milhar de navios que, ao que se diz, por ali -pelos Açores- naufragaram desde o século XVI.

(Se quiser informação mais detalhada sobre o «Slavonia» e o seu naufrágio, consulte o meu outro blogue ALERNAVIOS).

FALECEU DANIELLE DARRIEUX

Faleceu em 18 de Outubro (há 3 dias) a actriz (e cançonetista) francesa Danielle Darrieux. Tinha 100 anos de idade e, segundo o seu companheiro, «ainda estava agarrada à vida»;  apesar de já não andar e de ter cegado. Participou em 110 filmes, alguns dos quais se tornaram clássicos do cinema gaulês e europeu. Adieu Danielle...

OS PORTUGUESES NOS CONFINS DO MUNDO

A ilha Gough -que faz parte do arquipélago de Tristão da Cunha e que é, por consequência, território ultramarino do Reino Unido- recebeu esse seu nome de um capitão homónimo da marinha real britânica, que ali aportou no ano de 1732. Mas antes disso, era mencionada nos mapas com a designação de ilha de Gonçalo Álvares, que foi o primeiro navegador que a avistou, no ano de 1505. Álvares era um experimentado marinheiro (piloto ou capitão) de D. Manuel I, que, aquando do achamento daquela terra (situada nos confins do Atlântico sul, entre a África austral e as costas da América meridional), seguia para o Oriente, integrado na esquadra que levava para a Índia o seu primeiro vice-rei : D. Francisco de Almeida. Voluntariamente, ou por se ter desgarrado do resto da frota, Gonçalo Álvares rumou ao sul, até àquele desolado lugar «onde a água e até o vinho gelavam», como relatou. Para além deste episódio da sua carreira de marinheiro, pouco se conhece da sua vida, inclusivamente a sua data de nascimento e o nome da sua terra natal. Sabe-se, no entanto, que já estivera na grande aventuras das Descobertas, pois acompanhara Diogo Cão na sua segunda viagem às costas de África e que seguira Vasco da Gama até à Índia (na nau «São Gabriel»), na famosa viagem de 1498. Também não se ignora, que foi nomeado por el-rei, Piloto e Patrão-Mor da Índia, alto cargo administrativo, que lhe conferia a responsabilidade de coordenar todas as viagens com destino ao Oriente. Gonçalo Álvares terá  falecido em 1521, tendo o seu cargo sido preenchido por outro notável navegador do tempo : João de Lisboa.