Este 'cartoon', de autor que desconheço, diz tudo sobre a crise. Se a dita é dura para os novos pobres, o que ela não pesa para os ricos...
segunda-feira, 4 de novembro de 2013
COMO A CRISE É PESADA PARA OS RICOS
Este 'cartoon', de autor que desconheço, diz tudo sobre a crise. Se a dita é dura para os novos pobres, o que ela não pesa para os ricos...
OLHA, UM OURIÇO-CACHEIRO !

Ontem de manhã, ao sair de minha casa, topei, inesperadamente, com um destes simpáticos bicharocos. O ouriço-cacheiro ('Erinaceus europaeus') estava no meio da calçada e colocou-se em posição de defesa (formando uma temível bola de espinhos), assim que deu pela minha presença. Como tenho imenso respeito pela fauna selvagem -que a vida moderna continua, inexoravelmente, a dizimar- tive o cuidado, antes de seguir o meu caminho, de o ajudar a afastar-se da rua; por onde circula um dos seus mais letais inimigos : o automóvel. Quando coisas destas me acontecem fico contente; tal como os meninos dos escuteiros a quem é dada a oportunidade de realizar a sua BA quotidiana. O mesmo já me aconteceu com cobras e lagartos. Que, geralmente, não gozam dos favores das populações, sejam elas urbanas ou rurais. Sem ser um fervente seguidor de São Francisco de Assis, sempre achei que há lugar na Terra para todos os seres da Criação. Afinal, alguns deles até já cá estavam antes de aparecer a espécie humana... Por isso, há que ter muito respeitinho por toda essa bicharada.
ANTIGOS OFÍCIOS



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Barqueiro : a fotografia (bastante antiga) mostra um desses rudes homens do Douro, que -nas suas características barcas à vela- asseguravam o transporte de passageiros, de mercadorias e até de gado entre as duas margens do rio. Esta tarefa exigia força e destreza e era, por essas razões, reservada aos homens mais vigorosos e mais conhecedores das manhas de um curso de água ainda bravio e, por vezes, muito traiçoeiro.Vendedor ambulante de bebidas frescas : os homens e as mulheres que exerciam este mester calcorreavam as ruas de Lisboa (e de outras urbes) nos tórridos meses de estio. Propunham, geralmente, aos seus clientes água fresca e capilé. Esta última bebida era um xarope de avenca, que, diluído em água fresquinha, era muito desalterante e muito saboroso. Desapareceu, quase completamente, para deixar espaço aos refrigerantes industriais.
Bagageiro da TAP : num tempo em que, no continente, só o aeroporto de Lisboa tinha alguma expressão internacional, os bagageiros da TAP (que, geralmente eram citadinos, vivendo na capital ou nos seus subúrbios) asseguravam o transporte de malas, maletas, pacotes e outros volumes, da sala de registo de bagagens directamente para o porão das aeronaves. Isto num tempo em que os aviões comerciais ainda estavam equipados com motores de hélice e que os controlos de segurança não existiam.
Sapateiro : curiosamente, chamam-se 'sapateiros', nos dias de hoje, ás pessoas que são profissionalmente incompetentes ou que exercem -sem brio- os respectivos ofícios. O que constitui uma tremenda injustiça para com estes profissionais do passado, que executavam todo o seu trabalho (árduo e de desempenho difícil) à mão; praticamente sem o auxílio de maquinaria. Tive um tio que era sapateiro e, desde menino, me dei conta, ao observá-lo, de que o seu trabalho exigia rigor e competência. Enfim, precisamente o contrário da reputação que, por pura imbecilidade, foi feita aos profissionais do ramo.
«QUEM COMPRA, LEVA MAIS CALOR PR'A CASA»...

Estamos em plena época das castanhas (e da água-pé, com o São Martinho à porta) e, nas ruas das nossas vilas e cidades, já se fazem ouvir os pregões (cada vez mais tímidos, é certo) dos seus vendedores : «Quem quer quentes e boas ?». Sortilégio de uma estação, já fresquinha, que anuncia os rigores de um Inverno que se avizinha...
SÃO MAIS DO QUE AS MÃES ! E CUSTAM-NOS COURO E CABELO...

Aqui há 2 ou 3 dias atrás ouvi o primeiro-ministro alvitrar, na Assembleia da República, que no seu gabinete se haviam poupado somas inferiores de 35% às dispendidas pelo gabinete do seu socrático antecessor. E o homem afirmou isto com aquele ar impante que todos lhe conhecem. Como se este detalhe (longe de estar provado) fosse algo de extraordinário e susceptível de salvar a Pátria. A verdade, porém, é que o chefe do governo tem uma corte de dezenas e dezenas de funcionários às suas ordens, que custam (segundo jornais que nunca foram desmentidos) aos contribuintes que nós somos, qualquer coisita como 134 000 euros mensais. No gabinete de Passos, só assessores são 10, mais uma legião de adjuntos. Técnicos especialistas são 4, mais 1 coordenadora, mais 13 técnicos administrativos e mais 9 técnicos de apoio auxiliar. E motoristas são, segundo a última contagem, uma dúzia. Todos a usufruírem de chorudos emolumentos, que nada têm a ver com os magros salários recebidos pelos operários que produzem riqueza. Estes números não são de minha invenção. Foram apurados pela imprensa e têm circulado na Net. Com nomes e somas auferidas por cada um dos servidores de Sua Mediocridade. Só gostaria de relembrar uma coisa : no tempo de Marcelo Caetano, derradeiro presidente do conselho da ditadura -quando Portugal vivia um dos momentos mais complicados da sua História contemporânea, com 3 guerras coloniais para gerir- o gabinete do sucessor de Salazar funcionava com 5 elementos. Que incluía o próprio chefe do governo. Está tudo dito. Ou melhor, não está ! Porque eu gostaria que me contassem, esmiuçadamente, o dia-a-dia de um 1º ministro com tanta gente à volta dele. Confesso que gostaria que me explicassem o que é que o homem realmente faz... Além, naturalmente, de botar discursos sem conteúdo, que ofendem a inteligência dos Portugueses e que já não convencem ninguém.
sexta-feira, 1 de novembro de 2013
AS METAMORFOSES DA PANTERA NEGRA : DE LEÃO AFRICANO A ÁGUIA EUROPEIA
Esta foi uma das equipas de júniores (espero não me enganar) do Sporting Clube de Lourenço Marques (Moçambique) em finais dos anos 50. Um dos jogadores agachados (o 4º a contar da esquerda para a direita) chama-se Eusébio Ferreira da Silva e, nesse tempo, ainda não podia imaginar que viria a ser uma das maiores 'stars' do futebol mundial. Ao serviço do Benfica e da selacção portuguesa de futebol.
A NEGLIGÊNCIA E A POBREZA MATAM NO NOSSO PAÍS
A notícia dos jornais que, hoje, mais me comoveu e indignou foi -sem dúvida alguma- a que fez referência à morte de um menino de 8 anos, filho de pais romenos a viver no Algarve. A criança regressou da escola com sinais reveladores (segundo a sua própria mãe, que é formada em farmácia) de estar a sofrer de apendicite aguda. Conduzida ao Hospital do Barlavento, o apressado diagnóstico aí feito foi de que ela estaria desidratada (!), de nada valendo as súplicas da mãe do menino, que informou o médico de serviço das suas suspeitas e que lhe solicitou um exame mais aprofundado. Mandado para casa, sem o recurso ao exame que o bom senso impunha, o menino foi conduzido, sempre pelos pais, ao Hospital de Portimão; onde também nada foi feito para detectar a causa do mal de que ele padecia. Em desespero de causa, os pais (actualmente desempregados, como tanta gente neste país) conduziram o seu menino a uma clínica particular, onde os exames feitos ao paciente revelaram que o diagnóstico maternal estava correctíssimo. Mas essa clínica recusou-se fazer a operação cirúrgica que urgentemente se impunha, porque os pais do menino não tinham os 2 000 euros para a custear. Chamado o INEM, a criança foi, então, conduzida de helicóptero para um estabelecimento hospitalar de Lisboa, onde veio a falecer. Pelo facto de, entretanto, o seu estado se ter agravado, por ser demasiado tarde... E eu pergunto-me : que raio de país é este que nos estão a querer impingir, onde se deixa morrer uma criança de 8 anos, por evidente negligência dos médicos e porque os pais não têm o dinheiro exigido para o socorrer na hora ? Será isto a antevisão do que nos espera, de um país que alguns querem dominado pela saúde privada, em que só os ricos se poderão salvar ? Será isto conforme à letra da Constituição da República Portuguesa, lei fundamental que consagra o direito de todos à saúde, que os senhoritos do desgoverno que temos querem virar do avesso ? Espero que os Portugueses estejam alerta, que pensem no que se passou com esta infeliz criança e que denunciem este tipo de situações, que teima em repetir-se no nosso país.
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