sexta-feira, 3 de setembro de 2010

OS FILMES DA MINHA VIDA (43)


«A BALADA DE GREGÓRIO CORTEZ»

FICHA TÉCNICA
Título original : «The Ballad of Gregorio Cortez»
Origem : E. U. A. / México
Género : Drama/Western
Realização : Robert M. Young
Ano de estreia : 1983
Guião : Robert M. Young e Victor Villaseñor
Fotografia (cor) : Ray Villalobos
Música : W. Michael Lewis e Edward J. Olmos
Montagem : Arthur Coburn e John Bertucci
Produção : Moctezuma Esparza e Michael Hausman
Distribuição : P. B. S.
Duração : 100 minutos

FICHA ARTÍSTICA
Edward James Olmos (Gregório Cortez), James Gammon (Frank Fly), Tom Bower (Boone Choal), Bruce McGill (repórter Blackerly), Brion James (capitão Rogers), Alan Vint (Mike Timmell), Timothy Scott (xerife Morris), Pepe Serna (Romualdo Cortez), Michael McGuire (xerife Glower), Barry Corbin (Abermathy), Jack Kehoe (procurador Pierson), Rosana de Soto (Carlota Muñoz), Victoria Plata (Carmen Cortez), etc...
Sinopse
Na sequência de um mal-entendido, ocorrido aquando de um interrogatório policial, o cidadão mexicano Gregório Cortez abate -em estado de legítima defesa- o xerife Morris, do condado de Gonzalez, Texas.
Está-se no dealbar do século XX (precisamente no ano de 1901), mas as populações texanas ainda não esqueceram o histórico e traumático drama de Forte Álamo. É, pois, animada do mais puro espírito revanchista que uma tropa de 600 rangers se lança numa desenfreada e impiedosa perseguição a Gregório Cortez, através da mais inóspita e perigosa região do sudoeste dos Estados Unidos.
Onze dias depois, apesar do número e da fanática persistência dos seus inimigos, Gregório Cortez atravessa o rio Grande e vai colocar-se a salvo em território mexicano. Logrando escapar, assim, à gigantesca caça ao homem que os texanos encarniçadamente lhe moveram.
Informado, entretanto, que a despeitada justiça ianque retém prisioneira toda a sua família, o fugitivo toma a corajosa decisão de regressar a Gonzalez, se bem que esteja perfeitamente cônscio de que, no Texas, terá de afrontar as iniquidades de um tribunal muito permeável às reacções e às pressões da população local, notoriamente conhecida pelo seu xenofobismo e pelo seu carácter vindicativo.

O MEU COMENTÁRIO
Inspirado num acontecimento autêntico (relatado por Américo Paredes no seu livro «With his pistol in his hand» e cantado num célebre e popular corrido), «A Balada de Gregório Cortez» é uma produção americano-mexicana com realização de Robert M. Young, cineasta que, com esta fita, receberia vários prémios em festivais internacionais, nomeadamente nos de San Sebastián (Concha de Oro) e de Cannes (Caméra d'Or).
Além do mérito que tem, portanto, de se apoiar numa história verídica, que, no seu tempo, exacerbou paixões e mobilizou as opiniões públicas do Texas e do norte do México, «A Balada de Gregório Cortez» oferece-nos também interessante matéria de reflexão sobre a fragilidade do indivíduo face à desumanização da engrenagem policial-judicial.
Elaborada na linha daquele magnífico western de Abraham Polonsky intitulado «O Vale do Fugitivo», esta película de Young (igualmente despojada de romantismo) constitui, ainda, um requisitório contra certa imprensa que -em inícios do século XX, como nos nossos dias- vive do escândalo, não hesitando mistificar os seus leitores para, assim, os manipular mais facilmente e, ao mesmo tempo, tirar proventos da venda de jornais.
«A Balada de Gregório Cortez» apresenta-se, deste modo, como um filme diferente e como uma obra cativante no morno panorama do cinema western da década de 80. Pena é que este honesto e belo trabalho de Robert M. Young não tenha encontrado um distribuidor no nosso país e que os westernófilos portugueses (e todos os outros amadores de bom cinema) só o tenham podido descobrir através do formato reduzido, e redutor, do vídeo.
Cumprimentos, no entanto, à Edivídio, firma que, aqui há uns bons anos atrás, teve a óptima ideia de mostrar em Portugal esta obra invulgar, ao colocar no nosso mercado de aluguer a cassete desta película. Só nos resta perguntar : para quando o aparecimento de uma cópia de «A Balada de Gregório Cortez» em formato DVD?

(M. M. S.)


Edward James Olmos interpretou (muito bem) a personagem de Gregório Cortez, figura nuclear desta belíssima fita americano-mexicana, realizada por Robert M. Young em 1983


Este filme -inspirado por um acontecimento verídico, ocorrido em 1901 na fronteira entre o Texas e o México- chegou a ter edições VHS em vários países da Europa, incluindo Portugal...


Mas, para comprar a cópia em suporte DVD, só nos 'States' e em versão V.O. integral. Quanto tempo teremos que esperar ainda, para ver «A Balada de Gregório Cortez» editada na Europa, com versões em várias línguas ? -O que espanta é que este filme de qualidade, ostracizado pelos editores do Velho Mundo, até por cá recebeu vários prémios prestigiosos, nomeadamente em Cannes ('Caméra d'Or') e em San Sebastian ('Concha de Oro')...

O WYOMING EM TODO O SEU EXPLENDOR


Esta soberba fotografia (em glorioso preto e branco) é da autoria de Ansel Adams, que a tirou no ano de 1925. Mostra uma paisagem do estado do Wyoming : as montanhas Teton e o rio Snake...

FUTEBOL ALENTEJANO


Lusitano Ginásio Clube (de Évora)


O Elvas Clube Alentejano de Desportos (de Elvas)


Sponting Clube Campomaiorense (de Campo Maior)

Estes são os três clubes alentejanos que já militaram nos nossos campeonatos principais (1ª divisão nacional e 1ª liga) de futebol. Todos eles estão hoje em escalões menores da modalidade. Porque o futebol profissional se tornou, nos tempos que correm, um sorvedouro de dinheiro, que eles não podem agariar; nem com receitas de quotização, nem com os chorudos subsídios indispensáveis à sua manutenção entre os grandes clubes portugueses. Clubes que são grandes em tudo, até nas suas medonhas dívidas, que somam milhões e milhões de euros...

quinta-feira, 2 de setembro de 2010

ONDE PARAM AS CÓPIAS DESTE FILME ?


Cartaz original

As necessidades dos milhares de canais de televisão existentes (que preenchem uma parte substancial da sua programação com filmes) e a indústria do vídeo, que agora vive do negócio (muito rentável) da venda de cópias de obras cinematográficas, ressuscitaram centenas de fitas estreadas há 30,40,50 anos, que nós, cinéfilos, guardávamos -como velhas relíquias- num cantinho da nossa memória. E ainda bem ! Mas acontece que algumas dessas películas permanecem, teimosamente, ausentes, como se tivessem sido marcadas por uma estranha maldição. É o que acontece, por exemplo, com um filme realizado por Ronald Neame em 1962, estreado no nosso país com o título de «O Fugitivo de Zarhain». Há décadas que tento encontrar rastos da sua passagem pelos diferentes canais de TV de Portugal, de Espanha e dos países europeus de expressão francesa... Sem resultado ! Às vezes, pergunto a mim próprio se tal desaparecimento não terá a ver com o facto do filme contar a história de um rebelde que, num país árabe imaginário (Zarhain), pega em armas para lutar contra a corrupção reinante no lugar. E que, por medo de desagradar a certos potentados do Próximo Oriente, em cujas nações também imperam a injustiça e os petrodólares, se tenha retirado tal película de circulação. Mas isto é, apenas, uma suspeita... Ah ! A fita em causa tem no seu elenco vários actores de valor, como Yul Brynner, James Mason, Sal Mineo, etc


Cartaz italiano

O FORTE DE PENICHE


O outrora sinistro Forte de Peniche ergue-se numa falésia, junto ao mar. A área fortificada (que hoje ocupa quase 2 ha) tem a sua génese num castelo edificado, ao que parece, por volta do ano de 1557, quando D. João III ainda reinava em Portugal. Sofreu vários restauros e ampliações ao longo dos séculos, nomeadamente durante as Guerras da Restauração, aquando da ocupação da vila pelo exército napoleónico e durante o reinado de D. Miguel. Desempenhou funções militares até 1897. O forte foi utilizado como lugar de detenção para os Boeurs que se refungiaram em Moçambique, após a sua derrota diante das tropas britânicas da África do Sul; e, mais tarde, durante a Grande Guerra, foi prisão para nacionais da Alemanha e da Áustria...


Em 1930, a fortaleza foi transformada, pelo Estado Novo, em prisão política de segurança máxima, a fim de acolher todos aqueles que contestavam a legitimidade de Salazar e do seu governo de inspiração fascista. Por ali passaram inúmeros cidadãos (dos dois sexos), que sofreram inauditas torturas físicas, vexames de toda a ordem e cumpriram longas penas de prisão. Por delito de opinião. Na foto, em primeiro plano, pode ver-se um baluarte de forma circular, que foi utilizado para isolar os presos mais rebeldes. Foi daí que, numa noite gélida de Dezembro de 1954, se evadiu o quadro comunista Dias Lourenço (recentemente falecido), para grande espanto dos seus carcereiros; que consideravam a fuga do 'segredo' como impossível


Hoje, as sinistras celas dos presos políticos do Forte de Peniche podem ser visitadas pelo público. A entrada é gratuita e a visita é, no mínimo, bastante instrutiva sobre aquilo que foi a 'máquina de repressão' do salazarismo. Eu sei do que falo, porque tive a oportunidade de fazer essa visita há poucas semanas


Álvaro Cunhal -a mais carismática figura da resistência portuguesa ao regime de Salazar- esteve detido muitos anos na fortaleza de Peniche. Foi ali que, nas difíceis condições que se adivinham, ele executou os seus famosos 'Desenhos da Prisão' e colheu inspiração para a escrita de alguns dos livros que nos deixou; como, por exemplo, «Até Amanhã Camaradas»
(este retrato do líder do P. C. P. é da autoria do artista Xesko)


Em 3 de Janeiro de 1960, Cunhal e vários outros membros do Comitê Central do seu partido, foram os protagonistas de uma espectacular fuga do Forte de Peniche; que abalou o regime e constituíu uma derrota para a PIDE, a tenebrosa polícia política do Estado Novo

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O chamado Núcleo da Resistência é apenas uma das secções do rico Museu Municipal da cidade de Peniche. Que é composto, igualmente, por interessantes secções de arqueologia, história, etnografia, etc. O conjunto destes núcleos é visitado anualmente por mais de 40 000 pessoas.

PRAZER DE ONTEM E DE HOJE


Ontem, como hoje, o passeio de eléctrico de Sintra à Praia das Maçãs (e volta) proporciona um verdadeiro gozo a todos aqueles que empreendem tal viagem. Ora experimente !

PERIGOSAS E FASCINANTES


Assim se podem classificar estas serpentes, cujo beijo ou abraço são quase sempre fatais para as suas presas. Humanas incluídas...