domingo, 25 de fevereiro de 2018

TECNOLOGIA AMERÍNDIA

A famosa canoa dos nativos da América do Norte, é um dos legados deixados pelos povos comummente designados pelo termo (algo depreciativo) de pele-vermelhas. É evidente que ninguém sabe qual a nação ou qual a tribo que inventou esta embarcação ligeira e de fraco calado, para poder navegar nas águas rasas de lagos e rios. Construída à volta de uma armação constituída por finos ramos de árvores, o seu casco era totalmente feito com pedaços de casca de bétula ('Betula papyrifera'), cosidos entre si com raízes de pinheiro. E o estancamento das fendas era assegurado por musgos e resinas vegetais. Nas regiões onde esses materiais não existiam, a armação destas canoas era revestida de peles de animais, que (depois de curtidas e cosidas com tendões) também lhes garantiam a sua característica e apreciada leveza. A tal ponto, que durante as operações de portagem, cada uma destas embarcações podia ser facilmente transportada por um único homem. A canoa índia era movida por uma ou mais pagaias simples e a sua velocidade dependia, naturalmente, da força muscular e do número dos seus tripulantes, mas também -quando navegava contra a corrente- da impetuosidade das águas a vencer. Apesar da sua ligeireza e da sua aparente fragilidade, a canoa (ou piroga) dos índios da América setentrional podia transportar cargas importantes; nomeadamente fardos de peles, visto a dita ter sido, rapidamente, adoptada pelos brancos que se entregavam à caça de castores e ao rendoso negócio das peles preciosas do Oeste. Refira-se, para terminar estas linhas sobre a embarcação em apreço, que as canoas nativas causaram a admiração generalizada dos primeiros navegadores europeus que visitaram o Novo Mundo; que dispunham, eles, de botes construídos em madeira maciça, excessivamente pesados e pouco manobráveis. Contrariamente às canoas daqueles homens e povos que eles consideravam primitivos. Depois da assimilação forçada dos ameríndios do Canadá e dos EUA, este seu invento sobreviveu. As canoas índias (hoje utilizadas em actividades desportivas e de lazer) são agora fabricadas com contraplacados, ou com plásticos e fibras artificiais, mas mantêm a sua forma original. Tal como eram há mais de meio milénio, quando o homem branco as descobriu.

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