quarta-feira, 18 de abril de 2018

«SERPICO»

Aqui há dias tive ganas de recordar (graças a um velho DVD) uma película realizada em 1973 por Sidney Lumet, e que eu vira, algures e em tempo oportuno, no ecrã de uma já esquecida sala de cinema. Esse filme foi intitulado «Serpico» e teve a interpretação (memorável) de Al Pacino no papel-título. Actor que acabou por receber, merecidamente, um 'Golden Globe' pelo seu mui convincente desempenho do papel (verídico) de um inspector da Polícia Metropolitana de Nova Iorque às voltas com a corrupção, quase generalizada, que reinava naquela instituição. A fita, excelente, termina com o baleamento de Frank Serpico (presumivelmente por colegas seus) e com o afastamento voluntário de um homem honesto e insubornável. Mas incapaz de suportar a indiferença criminosa com que os seus superiores hierárquicos lidavam com o flagelo que minava a polícia a a confundia com aqueles que, em teoria, ela deveria combater. Aconselho vivamente os que nunca viram esta película a descobri-la com urgência. Porque «Serpico» é um filme exemplar e o retrato de um tempo (não muito distante) em que -na Cidade dos Arranha-Céus- havia tanto a temer do banditismo organizado como daqueles que por lá deveriam manter a ordem e impor o respeito pelas leis.

terça-feira, 17 de abril de 2018

O NOSSO MUNDO É BELO (151) : BARÉM

NOS TEMPOS DA MARINHA À VELA...

Este navio foi realizada em 1903. É a barca de 4 mastros «Regina Elena» (mandada construir pela casa armadora de Pietro Milesi), que hasteou bandeira italiana nos seus primeiros anos de vida. Repare-se na importância do seu velame e na complexidade do conjunto de cabos que permitiam a boa utilização dos panos. É evidente que este grande veleiro (tal como todos os outros dos seus congéneres) só podia navegar com o concurso de uma numerosa equipagem, constituída por oficiais e marinheiros esforçados e altamente competentes. As chamada barcas (mercantes rápidos em uso no século XIX e início da centúria seguinte) tinham 3 ou 4 mastros vestidos com velas redondas. Salvo o de popa (também chamado de mezena), que usava pano áurico-latino. O navio-escola da Armada Portuguesa (a «Sagres», ex-«Guanabara», ex-«Albert Leo Schlageter») é uma barca de 3 mastros. (Ampliar a imagem com um clique do rato).

'PUBS' ANTIGAS


Estes velhos cartazes publicitários promoveram algumas prestigiosas marcas de vinho do Porto; o mais precioso néctar extraído dos vinhedos durienses.

O LOBO NA HERÁLDICA LOCAL

O lobo ('Canis lupus'), outrora abundante nas serranias do nosso país, sempre foi um animal malquisto das populações rurais portuguesas. Pelo facto destas o associarem -quase sempre- ao extermínio dos rebanhos, que, outrora, constituíram o fulcro da economia das populações montesinas. Populações que o perseguiram, ao longo dos séculos, até à sua quase extinção. Desse antagonismo entre homens e feras nasceu uma série de lendas e de contos, cuja divulgação muito contribuu para a generalizada antipatia que as lusas gentes (mas não só elas, infelizmente) votam a esse canídeo e, nomeadamente, ao 'Canis lupus signatus', que é a sub-espécie ibérica. Diga-se que a nossa população de lobos tem crescido (assim como a da vizinha Espanha), graças a medidas de protecção desses animais selvagens consignadas em leis de preservação da Natureza. Calcula-se que a população actual de lobos em Portugal seja da ordem dos 300 indivíduos; todos eles concentrados nas serranias do norte do país. Mas, enfim, não era bem disto que eu aqui queria falar. O tema (brevíssimo) que eu aqui desejava abordar era o do lobo na nossa heráldica municipal. E, diga-se, em boa verdade, que nenhum dos nossos municípios achou por bem inclui-lo no seu brasão de armas. Já algumas freguesias o fizeram. -Quantas são ? Confesso que não sei, mas eu achei, até agora, 4 aldeias que colocaram o 'Canis lupus' no escudo que, heraldicamente, as identifica. São essas terras : Covão do Lobo, antiga freguesia do concelho de Vagos (no distrito de Aveiro), hoje integrada na nova União das Freguesias de Fonte de Angeão e Covão do Lobo; Lapa do Lobo, freguesia do concelho de Nelas (no distrito de Viseu); Parada, no concelho de Almeida (no distrito da Guarda), aldeia que hoje faz parte da União das Freguesias de Amoreira, Parada e Cabreira; e Sedielos, freguesia do concelho de Peso da Régua (no distrito de Vila Real). Mas haverá por cá, com certeza, algumas outras. Que, posteriormente, eu terei muito prazer (porque não tendo rebanhos, gosto dos lobos) em revelar os seus nomes e os seus brasões.

segunda-feira, 16 de abril de 2018

AS DUAS ROS(S)AN(N)A DO CINEMA ITALIANO... E INTERNACIONAL

O cinema italiano esteve (e está) recheado de belíssimas mulheres. Estou a recordar-me de duas actrizes transalpinas dos anos 50 e 60 (do passado século, obviamente) que, quando eu era adolescente, encheram os ecrãs das salas e das esplanadas portuguesas e entusiasmaram -com a sua perturbante formosura- os espectadores do tempo. Sobretudo os jovens da minha idade. Que, muitas vezes, acorriam às salas de espectáculos mais pela sua presença em cartaz, do que propriamente pela qualidade dos filmes propostos. Estou a lembrar-me, entre muitas, de Rossana Podestà (1934-2013) e de Rosanna Schiaffino (1939-2009), cujos dotes físicos suplantavam, sempre, o talento que estas senhoras até demonstraram ter em certas das películas que rodaram. Mas a imagem que prevaleceu destas criaturas de sonho, foi mesmo a das 'heroínas' (mais ou menos desnudadas) que irradiavam das pantalhas daquele tempo. Exemplos (e cito os títulos originais) : «Ulisse» (de Mario Camerini, 1954) e «Helen of Troy» (de Robert Wise, 1956), para a primeira, e «Le Miracle des Loups» (de André Hunebelle, 1961) e «The Long Ships» (de Jack Cardiff, 1964), para a segunda. Apesar do cinzentismo dessa salazarenta época, que saudades eu tenho do tempo das Ros(s)an(n)as !!!...

VITÓRIA (JUSTA) DO F. C. PORTO NA LUZ

O F. C. Porto venceu o tira-teimas da Luz (0-1) e deu um passo em frente na corrida para ganhar o título de Campeão Nacional de futebol ! Isso, num jogo com qualidade e sem casos dignos de menção. O Benfica dominou a primeira parte do jogo (infelizmente para os seus adeptos, sem golos) e os rivais foram mais fortes a partir do início do segundo meio tempo. Logrando marcar um golo letal no derradeiro minuto do jogo. Parabéns, pois, aos azuis e brancos, que voltam, de novo (e merecidamente) à liderança do campeonato e mais animados para os jogos que lhes restam disputar. Ao Benfica, neste confronto, talvez lhe tenha faltado o goleador de serviço, que ficou nas bancadas, devido a (mais) uma lesão. Mas isso não pode justificar tudo o que ocorreu no campo durante os derradeiros 45 minutos. Em que nos quis parecer que o Benfica jogou para o empate. Se assim foi, é normal o que, finalmente, lhe aconteceu. Lamentável também (sobretudo para os benfiquistas dignos desse nome) foi o que se passou fora do estádio, quando um bando de arruaceiros se travou de razões com a polícia e feriu 6 agentes da autoridade. O que se espera, é que os detidos na sequência desses incidentes tenham sido devidamente identificados e sejam impedidos, futuramente, de se aproximarem de todos os recintos desportivos. Que devem ser reservados -em regime de exclusividade- à gente civilizada.