quinta-feira, 22 de dezembro de 2016

FALECEU MICHÈLE MORGAN

Faleceu no passado dia 20 do mês em curso (há dois dias), em Neuilly-sur-Seine, sua terra natal, Michèle Morgan; que foi uma das grandes actrizes francesas (de teatro, de cinema e de televisão) do seu tempo. Tinha 97 anos de idade. Conheço melhor a sua carreira cinematográfica (constituída por mais de 70 obras) e, da sua filmografia, destaco as películas (que vi todas) «La Symphonie Pastorale», «Les Sept Péchés Capitaux», «Les Orgueilleux», «Les Grandes Manoeuvres», «Fortunat» (que eu aprecio muito especialmente) e «Benjamin ou les Mémoires d'un Puceau». Aqui fica um adeus a essa grande senhora.

DIXIT NATÁLIA CORREIA...


«Todos temos uma parte misteriosa e há quem pretenda resolver os seus mistérios na psicanálise. Eu prefiro dar-lhes voz na poesia»

* Natália Correia (1923-1993) *

VINHOS VELHOS

«Vinhos velhos... dão alma nova», diz o rifão. Já a experiência ensina que os ditos só serão devidamente apreciados por aqueles que os bebem com moderação e sem lhes vender o espírito. Nesta quadra festiva, é bom não esquecer que o seu consumo exagerado, sem conta e medida, pode ser nefasto para a saúde do desregrado e estragará, pela certa, a alegria de quem com ele convive. Que é como quem diz, de todos os outros que connosco partilham os momentos bons e festivos do Natal e do Ano Novo. Vinhos velhos e outras bebidas alcoólicas ? -Porque não ? -Fazem parte da festa. Mas só quando consumidos com precaução e com parcimónia.

quarta-feira, 21 de dezembro de 2016

A VER PASSAR NAVIOS...

Estes dois magníficos cartazes de início do século XX, promovem as linhas das companhias de navegação Red Star Line e American Line, que eram associadas. Isto, num tempo de grandes crises (políticas e sociais) na Europa, que incitavam as populações mais pobres do Velho Mundo a tentar a aventura da emigração para a mirífica América. A Red Star Line e a American Line foram duas das companhias que asseguraram o transporte desses emigrantes nas suas viagens transatlânticas. Que foram, quase sempre, viagens sem retorno...

PORTO INVERNAL, PORTO ETERNO

O Porto no Inverno : sob um céu borrascoso, a ponte de D. Luís e a serra do Pilar miram-se nas águas frias e profundas do rio Douro. Mas nem na estação turisticamente menos atractiva, a Cidade Invicta perde uma onça do seu 'charme' secular. Porque o calor que irradia dos corações dos tripeiros -povo hospitaleiro por excelência- substitui (e compensa) as temperaturas baixas denunciadas pelos termómetros... É tempo, pois, de nos recolhermos, passando meia-hora diante de uma xícara de café num popular e ruidoso estabelecimento do Bolhão ou -se preferirem ambientes mais chiques- visitarmos o monumental e aconchegante 'Majestic', onde nos deliciaremos com uma chávena de chocolate quente e perfumado. Mas, de qualquer maneira, é importante permanecermos de olhos bem abertos. Para vermos palpitar a cidade «onde houve nome Portugal».

terça-feira, 20 de dezembro de 2016

CITAÇÃO


«Não temos nas nossas mãos as soluções para todos os problemas do mundo;  mas diante de todos os problemas do mundo temos as nossas mãos»

** Friedrich Schiller (1759-1805), poeta e filósofo alemão **

A ESSÊNCIA DOS NOSSOS POETAS

Um Homem

De repente
como uma flor violenta
um homem com uma bomba à altura do peito
e que chora convulsivamente
um homem belo minúsculo
como uma estrela cadente
e que sangra
como uma estátua jacente
esmagada sob as asas do crepúsculo
um homem com uma bomba
como uma rosa na boca
negra surpreendente
e à espera da festa louca
onde o coração lhe rebente
um homem de face aguda
e uma bomba
cega
surda
muda

** António José Forte (1931-1988), in «Uma Faca nos Dentes». Poeta português, natural da Póvoa de Santa Iria, ligado ao movimento surrealista. Foi um dos membros integrantes do Grupo do Café Gelo. Desempenhou funções profissionais na Fundação Gulbenkian e nas Bibliotecas Itinerantes. Manteve colaboração com vários jornais e revistas e deixou-nos  o essencial da sua poesia nos livros «Uma Faca nos Dentes» (que foi prefaciado pelo seu amigo Herberto Hélder) e «Uma Rosa na Tromba de um Elefante», este destinado a um público infanto-juvenil. Faleceu em Lisboa com 57 anos de idade **