Embora tenham sido dados nomes diferentes aos homens da cavalaria e a acção desta fita decorra numa região desértica do sudoeste dos Estados Unidos (muito longe do território de Montana), a verdade é que toda a gente relacionou os militares de «Forte Apache» (filme realizado por John Ford em 1948) com os do regimento derrotado pelos guerreiros de Crazy Horse e de Sitting Bull em Little Big Horn -a 25 de Junho de 1876- e o presunçoso tenente-coronel Owen Thursday (aqui encarnado por Henry Fonda) com o indisciplinado e arrogante George A. Custer. Comparações fáceis de fazer, quando se tem um conhecimento básico da História do Faroeste e muito especialmente das chamadas Guerras Índias. Que são, refira-se, matérias incontestavelmente fascinantes.
sexta-feira, 6 de janeiro de 2017
UM EPISÓDIO DAS GUERRAS ÍNDIAS NO CINEMA
Embora tenham sido dados nomes diferentes aos homens da cavalaria e a acção desta fita decorra numa região desértica do sudoeste dos Estados Unidos (muito longe do território de Montana), a verdade é que toda a gente relacionou os militares de «Forte Apache» (filme realizado por John Ford em 1948) com os do regimento derrotado pelos guerreiros de Crazy Horse e de Sitting Bull em Little Big Horn -a 25 de Junho de 1876- e o presunçoso tenente-coronel Owen Thursday (aqui encarnado por Henry Fonda) com o indisciplinado e arrogante George A. Custer. Comparações fáceis de fazer, quando se tem um conhecimento básico da História do Faroeste e muito especialmente das chamadas Guerras Índias. Que são, refira-se, matérias incontestavelmente fascinantes.
FEIJÕES
Feijões : uma das muitas dádivas alimentares que as Américas ofereceram ao mundo. Para regalo dos muitos apreciadores destas leguminosas, que se podem cozinhar de mil e uma maneiras. Outrora com má fama, foram depois reabilitadas pelos nutricionistas, que acreditam que -consumidas com peso e medida- são um alimento saudável e indispensável da nossa dieta. Produzem-se, anualmente, em todo o mundo mais de 23 milhões de toneladas de feijões, sendo que a Índia, o Brasil e Mianmar vão à frente na lista dos principais produtores. As feijoadas (nomeadamente a brasileira e as portuguesas), as sopas que os incluem e os famosos 'chiles con carne' são pratos apreciados preparados com este produto, que apresenta uma infinidade de variedades.
A ESSÊNCIA DOS NOSSOS POETAS
Com Palavras
Com palavras me ergo em cada dia!
Com palavras lavo, nas manhãs, o rosto
e saio para a rua.
Com palavras - inaudíveis - grito
para rasgar os risos que nos cercam.
Ah!, de palavras estamos todos cheios.
Possuímos arquivos, sabemo-las de cor
em quatro ou cinco línguas.
Tomamo-las à noite em comprimidos
para dormir o cansaço.
As palavras embrulham-se na língua.
As mais puras transformam-se, violáceas,
roxas de silêncio. De que servem
asfixiadas em saliva, prisioneiras?
Possuímos, das palavras, as mais belas;
as que seivam o amor, a liberdade...
Engulo-as perguntando-me se um dia
as poderei navegar; se alguma vez
dilatarei o pulmão que as encerra.
Atravessa-nos um rio de palavras:
Com elas eu me deito, me levanto,
e faltam-me palavras para contar...
Egito Gonçalves, in «Antologia Poética»
José Egito de Oliveira Gonçalves (1920-2001), que era natural de Matosinhos, foi um ilustre poeta (mas também tradutor e editor) português. Várias vezes premiado pela qualidade da sua poesia, deixou obra vasta e traduzida em vários idiomas : francês, polaco, búlgaro, inglês, turco, romeno, castelhano, catalão.
Com palavras lavo, nas manhãs, o rosto
e saio para a rua.
Com palavras - inaudíveis - grito
para rasgar os risos que nos cercam.
Ah!, de palavras estamos todos cheios.
Possuímos arquivos, sabemo-las de cor
em quatro ou cinco línguas.
Tomamo-las à noite em comprimidos
para dormir o cansaço.
As palavras embrulham-se na língua.
As mais puras transformam-se, violáceas,
roxas de silêncio. De que servem
asfixiadas em saliva, prisioneiras?
Possuímos, das palavras, as mais belas;
as que seivam o amor, a liberdade...
Engulo-as perguntando-me se um dia
as poderei navegar; se alguma vez
dilatarei o pulmão que as encerra.
Atravessa-nos um rio de palavras:
Com elas eu me deito, me levanto,
e faltam-me palavras para contar...
Egito Gonçalves, in «Antologia Poética»
José Egito de Oliveira Gonçalves (1920-2001), que era natural de Matosinhos, foi um ilustre poeta (mas também tradutor e editor) português. Várias vezes premiado pela qualidade da sua poesia, deixou obra vasta e traduzida em vários idiomas : francês, polaco, búlgaro, inglês, turco, romeno, castelhano, catalão.
CINE-NOSTALGIA (62)

«NORMANDIE-NIÉMEN» é uma co-produção franco-soviética de 1960, que teve realização conjunta dos cineastas Jean Dréville e Damir Viatitch-Berejnykh. Para além de Charles Spaal, realce-se que o guião foi escrito pelos célebres escritores Elsa Triolet e Constantin Simonov. A produção deve-se às firmas Franco-London Film, Alkam Films e Mosfilm. Tem fotografia a preto e branco e uma duração de 121 minutos. Os principais actores do elenco são Georges Rivière, Marc Cassot, Giani Esposito, Pierre Trabaut e Gérard Buhr. O filme beneficiou com a inserção de sequências dos Arquivos Históricos da 2ª Guerra Mundial; o que lhe conferiu ainda mais autenticidade. Foi um êxito tremendo, registando cerca de 3 500 000 entradas só em França e arrecadando vários prémios domésticos e internacionais. Creio que esta película nunca foi exibida em Portugal, pelo menos antes da queda da ditadura. A temática de «NORMANDIE-NIÉMEN» é a da epopeia do Esquadrão de Caça 1/30, cujos pilotos desertaram a França de Vichy (que colaborou com as forças nazis de ocupação de França) para se juntarem aos seus congéneres soviéticos no combate aos hitlerianos. Essa frutuosa colaboração -que resultou em 200 baixas infligidas à aviação alemã- durou de 1942 até à vitória final dos Aliados, em 1945. A participação dos pilotos franceses foi muito apreciada pelos Russos e ainda hoje é celebrada (anualmente) pelas forças aéreas dos dois países. Muitos dos pilotos gauleses que viveram essa epopeia foram galardoados com medalhas e condecorações soviéticas, que recompensaram a sua bravura aos comandos dos famosos caças Yak 9; que foram os seus parceiros mecânicos (entre outros) dessa extraordinária aventura nos céus da Europa oriental. Belíssimo filme, que pode admirar-se graças a um DVD, devidamente remasterizado, vendido em França. Sem, todavia, dispor de legendagem na nossa língua. O que é pena...
Esta fotografia é alusiva à participação do Esquadrão francês com a União Soviética dos anos 40 do passado século. Nela se pode observar (em primeiro plano) um Yak 9 do Normandie-Niémen desses recuados tempos e um moderno Dassault 'Rafale'. Este, um formidável caça de última geração, que aqui ostenta uma 'roupagem' referente à colaboração de antanho das duas aviações militares.
TENHAM JUÍZO, PORQUE ISTO JÁ METE NOJO !

Todo o ruído que se está a fazer à volta da arbitragem nos jogos de futebol e que envolve ameaças e pressões de dirigentes de clubes, 'bocas' de jogadores e as habituais e intimidatórias movimentações dos arruaceiros das claques me impressiona de sobremaneira. E me afasta mais e mais de eventos ditos desportivos. Por causa de situações destas (e afins) é que eu já não sou sócio de clube algum e que há muito tempo deixei de entrar nos estádios de futebol. E, a continuar o escândalo, acho que acabarei por me desligar até do resto. Completa e definitivamente. Estou farto ! Se querem que vos diga o que penso, com toda a sinceridade, sobre a história das dezenas (ou serão já centenas ?) de 'penalties' reclamados por Porto e Sporting às equipas de arbitragem, aqui vai : as formações destes clubes estão a jogar mal (isso é visível !), sobretudo as suas linhas avançadas, que se têm mostrado ineficazes e não marcam golos. E depois querem ganhar com o trunfo das grandes penalidades reais ou inventadas. Daí o barulho dos respectivos dirigentes, que têm responsabilidades na compra (por milhões) de jogadores que não cumprem as promessas, de treinadores (presumidos) que revelam a sua ineficácia, etc. E que, perante isso, descarregam as responsabilidades que lhes cabem por inteiro nos desgraçados dos árbitros. Que erram por vezes, é certo (porque não são máquinas), mas que não podem ser apontados a dedo e carregar com a culpa de derrotas de equipas frustradas pela sua própria ineficiência(*). Acho que, na situação presente, perante o clima de insuspeição que se gerou à volta da arbitragem, seria bom que, desde já, se recorressem a meios tecnológicos para avaliar situações polémicas. O material já existe, porquê atrasar o que, cedo ou tarde, acabará por acontecer ? -Ou, então, que se importem juízes estrangeiros para arbitrar os nossos jogos da 1ª Liga. Veremos se eles podem fazer melhor...
(*) É por demais evidente que os insucessos do Sporting têm a ver com o jogo de uma equipa que é a sombra daquilo que foi na época passada. Como também é inconstatável que o Porto tem sido, nesta época futebolística, uma formação com altos e baixos, capaz do melhor como do pior. Perante estes factos, é desleal, é confrangedor, atribuir as culpas dos respectivos desaires aos árbitros.
quarta-feira, 4 de janeiro de 2017
RECORDANDO «A CARAVANA GLORIOSA», PRIMEIRO WESTERN MODERNO
«Com os corações fortificados pelo amor, eles enfrentaram os perigos das planícies». Tal era (como hoje se diz) o 'argumento de venda' do filme «A Caravana Gloriosa» («The Covered Wagon»), estreado em Portugal no ano de 1928, apesar de datado de 1923. Esta obra, inspirada num célebre romance de Emerson Hough, contava a história de amor entre Will Banion e Molly Wingate, que se conheceram numa caravana de pioneiros, durante a longa viagem para o Oeste; terra de todas as promessas. A película «A Caravana Gloriosa» foi realizada por James Cruze e produzida pela companhia Paramount Pictures, que desbloqueou uma soma considerável e pouco habitual para a época, para fazer desta fita um dos grandes sucessos do cinema western daqueles tempos. Objectivo conseguido, pois o filme em questão é, desde há muito, considerado como o primeiro grande western moderno da História do Cinema. Esta fita foi inteiramente rodada em exteriores, com a preocupação (conseguida) de conferir autenticidade à odisseia de um grupo de pioneiros que, para atingir a Terra de Promissão, se viu obrigado a lutar durante a sua perigosa viagem contra os obstáculos naturais (montanhas altaneiras, rios caudalosos, desertos escaldantes, etc.), contra os elementos e contra as tribos índias, que desejavam manter inviolados os seus territórios ancestrais. Sucesso comercial redundante, este western épico é, sem dúvida alguma, uma das obras-primas do cinema mudo. Filmada a preto e branco e com uma duração de 103 minutos, esta película contou com a participação dos actores J. Warren Kerrigan, Lois Wilson, Ernest Torrence, Alan Hale,Tully Marshall e Charles Ogle; vedetas que o tempo já há muito apagou da nossa memória...
GOSTO MUITO E RECOMENDO
Por vezes, preparo -enquanto refeição ligeira e como alternativa a um repasto 'normal'- duas fatias de pão de forma (com sementes) pré-aquecidas, regadas com um fio de azeite virgem extra e guarnecidas com 3 filetes de anchova marinados no vinagre. É consistente e delicioso em qualquer altura do ano. E, do estrito ponto de vista dietético, é bem melhor do que uma sanduíche de presunto (ou de fiambre, ou de chouriço) com manteiga. Experimentem !Os filetes marinados de anchova (por vezes adubados com ervas aromáticas) podem encontrar-se (em embalagens de diferentes pesos) nas peixarias, nomeadamente nas dos hipermercados. Os filetes de melhor qualidade e os mais saborosos vêm de Espanha e são vendidos a um preço acessível.
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