sábado, 7 de dezembro de 2013

DECEMBER 7, 1941. REMEMBER !

Foi há 72 anos -em 7 de Dezembro de 1941- que os japoneses atacaram (de surpresa, sem prévia declaração de guerra) a base aeronaval norte-americana de Pearl Harbour, no Hawai. A mortandade aí ocasionada pelos nipónicos, exaltou os ânimos da população estadunidense e obrigou o governo de Washington a aliar-se  às potências europeias, que já combatiam o eixo Berlim-Roma-Tóquio. Essa histórica decisão dos Estados Unidos da América deu à Segunda Guerra Mundial uma nova dimensão, arrastando, nomeadamente para a zona do Pacífico, forças militares de uma importância jamais vista naquelas bandas. A Europa também beneficiou, naturalmente, com a entrada em guerra do gigante americano; que, com o seu poderio industrial (principalmente), constituiu um ajuda decisiva para o reforço dos arsenais das nações (Reino Unido e URSS) que por cá resistiam, praticamente sozinhas, ao avanço dos exércitos hitlerianos. Acho que, no dia aqui assinalado, o império do Japão prestou, involuntariamente, um grande, um enorme serviço aos Aliados, despertando a fúria do titã adormecido. Porque esse acto insensato tornou claro (pela primeira vez deste que o conflito eclodira, em 1939) que alguma coisa iria mudar. E que o nazismo e os apaniguados de Hitler tinham os dias contados.

A ESSÊNCIA DOS NOSSOS POETAS


BENÇÃOS

Bem hajas, ó luz do Sol,
Dos órfãos gasalho e manto,
Imenso, eterno farol
Deste mar largo de pranto.

Bem hajas, água da fonte,
Que não desprezas ninguém;
Bem haja a urze do monte,
Que é lenha de quem não tem.

Bem hajam rios e relvas,
Paraíso dos pastores!
Bem hajam aves das selvas,
Música dos lavradores !

Bem haja o cheiro da flor,
Que alegra o lidar campestre;
E o regalo do pastor,
A negra amora silvestre !

Bem haja o repouso à sesta
Do lavrador e da enxada;
E a madressilva modesta,
Que espreita à beira da estrada !

Triste de quem der um ai
Sem achar eco em ninguém !
Felizes os que têm pai,
Mimosos os que têm mãe !

** Tomás Ribeiro, poeta português (1831-1901), in «D. Jaime» **

sexta-feira, 6 de dezembro de 2013

ADEUS MADIBA !...

Faleceu ontem à noite em Joanesburgo -com 95 anos de idade- Nelson Mandela. Que foi uma das figuras mais nobres e mais fascinantes da História Universal dos séculos XX e XXI. Artífice do desmantelamento do odioso regime de 'apartheid' (luta que ele pagou com 28 longos anos de cadeia), Mandela foi também o obreiro da transição sul-africana; que, sem a sua clarividência e a sua generosidade, teria resultado num trágico banho de sangue. Nelson Mandela foi, no seu tempo, um dos raros heróis globais. Obrigado por teres existido e por nos deixares um legado tão prenhe de humanidade. Que o teu exemplo nos inspire (a todos) até ao fim dos tempos.

quinta-feira, 5 de dezembro de 2013

RECORDAÇÕES (9)

Quando eu era menino e frequentava a 3ª classe de instrução primária (grau escolar a que corresponde hoje, penso eu, o 3º ano do ensino básico) tomei conhecimento -no meu Livro de Leituras- de um texto que me deixou deveras impressionado. E que eu, ainda agora, sei quase de cor : «O Alcaide do Castelo de Faria». E isso, apesar de, entretanto, terem decorrido 60 longos anos ! O texto em questão (que eu só muitos anos mais tarde vim a saber ter sido inspirado num escrito do grande Alexandre Herculano) exaltava a figura e a atitude de um certo Nuno Gonçalves, alcaide de um castelo «que se ergueu no monte da Franqueira, a pouca distância da cidade de Barcelos», que terá vivido nos perturbados  tempos de el-rei D. Fernando de Portugal; e que preferiu, num lance de fidelidade e de heroísmo, que «as lanças dos castelhanos» lhe atravessassem «o corpo com inúmeros golpes», do que incitar o filho a render-se ao inimigo. Esse texto, que ocupava -com um sugestivo desenho- apenas duas páginas do meu «Livro de Leitura da 3ª Classe», foi, sem dúvida, um daqueles que, desde muito jovem, despertaram o meu interesse pela História de Portugal e a minha natural propensão para amar (sem lamechices) este país que é o meu. Que, nesta segunda década do século XXI, tão maltratado é por alguns dos seus próprios filhos. Bastardos que o têm saqueado e desvirtuado, como se nós fôssemos uma qualquer nação, sem memória, sem honra, sem pergaminhos. Estamos num tempo em que os interesses colectivos deste povo são vendidos ao estrangeiro por indivíduos sem pátria, que se põem em bicos de pés para adquirirem, para eles próprios, estatuto e proventos, que não se coadunam, minimamente, com a generosidade de que este povo tem dado provas ao longo dos seus 9 séculos de existência. Gente que se esforça por eliminar da memória dos Portugueses as suas referências históricas e os seus motivos de legítimo orgulho nacional. Atente-se, por exemplo, no que essa gente está a fazer àqueles marcos importantes da nossa História -tais como o 1º de Dezembro e o 5 de Outubro- datas riscadas do calendário por obra e graça de quem gostaria (é por demais evidente) de apagar a própria identidade do país e de dissolvê-la numa amálgama de territórios controlados -política e economicamente- pela Alemanha de Angela Merkel. Não sou antieuropeu (até achei que a ideia e o espírito inicial da CE era uma boa coisa), mas não quero, de todo, o meu país submetido ao 'diktat' germânico. Até porque acho que num Portugal sem corrupção e sem incompetentes é possível viver livre e dignamente. Porque, ao contrário do que para aí se pretende, Portugal não é um país pobre. Pobre é a Suíça ! Só que esse país tem gente competente, trabalhadora e que, praticamente, não sabe o que é vender-se. Em relação às simbólicas datas da nossa História, agora desprezadas e lançadas às urtigas, espero que os governos vindouros as restabeleçam. Como é de sua obrigação !

SEM SURPRESAS : RONALDO É O MELHOR EM ESPANHA

Sem desejar alinhar no polémico confronto «quem é o melhor ?», quero assinalar aqui que o nosso compatriota do Funchal recebeu, esta semana, o troféu -atribuído pela «Marca»- ao melhor futebolista a actuar no campeonato espanhol. É verdade que o seu principal rival está momentaneamente fora de combate. Mas também é certo, que o Cristiano fez (está a fazer) uma das mais extraordinárias épocas da sua carreira de futebolista emérito. O exemplo do jogo Suécia-Portugal foi a demonstração final e perfeita do seu talento na 'arte' de jogar a bola. Portanto, se ele receber, no próximo ano, a cobiçada Bola de Ouro atribuída pela FIFA ao melhor jogador do mundo, ninguém deveria ficar surpreendido com isso. Nem mesmo o arrogantezito presidente da UEFA, um tal Michel Platini, que também adquiriu o (mau) hábito de lançar bocas. A exemplo do que fez (autorridicularizando-se) um seu colega austríaco do mundo dos futebóis...

«IMPUNIDADE»

Estou a ler um livro interessantíssimo sobre os casos de (grande) corrupção que abalaram Portugal nestes últimos 40 anos. Intitula.se «Impunidade» e é da autoria da jornalista espanhola Virginia López, que, nas suas bem documentadas páginas, reúne 15 casos que deveriam envergonhar toda a lusa gente e mobilizá-la para que -uma vez por todas- nos fosse dita a verdade sobre assuntos que dizem respeito a todo e qualquer cidadão. Toda a verdade, sobre assuntos e negociatas protagonizadas pelo poder político e, a maior parte das vezes, pelos figurões do poder económico, cuja acção nefasta tanto tem prejudicado o nosso país. Tanto do ponto de vista financeiro, como da sua imagem perante o mundo civilizado. Portugal, que é uma das nações da Europa ocidental mais marcadas pela corrupção, desceu mais um ponto (segundo os jornais desta semana) na escala assustadora dessa pouca vergonha. Virginia López refere o caso do BPN como um dos casos mais paradigmáticos e revela que,  até Dezembro de 2012, só 12 das 300 testemunhas envolvidas nesse processo foram ouvidas pelos tribunais ! É bom lembrar que, no assalto do século (como já alguém lhe chamou), o estado já perdeu muitos milhares de milhões de euros; que o bom povinho português continua a pagar... Enfim, nas 300 páginas do livro em referência são escalpelizados os casos Camarate, do Fax de Macau, dos Hemófilos, do Saco Azul, da Universidade Moderna, da Casa Pia, Freeport, Apito Dourado, Portucale, Isaltino Morais, das Licenciaturas Relâmpago, dos Submarinos, Operação Furacão e Face Oculta, para além, naturalmente, do já citado ruinoso caso BPN. A leitura deste livro -que eu a todos recomendo vivamente- é elucidativa. E indispensável, para quem queira dar-se conta do pântano em que se encontra o nosso país; para onde foi atirado por figuras conhecidas, que deveriam estar -todas elas- atrás das grades. (A obra citada foi editada pel'A Esfera dos Livros e custa menos de 15 euros).

segunda-feira, 2 de dezembro de 2013

VIVA O 1º DE DEZEMBRO !

Apostado em apagar tudo o que cheire a patriotismo, o triste governo que temos decidiu eliminar do calendário de feriados o histórico dia 1º de Dezembro; data em que os Portugueses festejam a restauração do estado fundado em 1128 por D. Afonso Henriques. Indignados com tão espantosa ideia, os nossos compatriotas compareceram, ontem, em massa, na avenida da Liberdade (em Lisboa) para comemorar o evento e honrar os heróis de uma guerra pela independência, que durou 28 longos anos. Gostei ! E se não estive lá fisicamente, estive lá em espírito, com todas aquelas pessoas que não admitem que um bando de gente ignorante espezinhe os símbolos da Nação Portuguesa.