sábado, 23 de novembro de 2013

UM ILUSTRE DESCONHECIDO

De costas voltadas para a imensidão do oceano Pacífico, numa atitude assumida de conquista das terras californianas que descobriu (para o rei de Espanha), João Rodrigues Cabrilho está personificado nesta estátua que domina a baía de San Diego, o mais importante porto militar da costa oeste dos Estados Unidos da América. Onde qualquer miúdo das escolas o conhece e pode resumir as suas façanhas. Contrariamente àquilo que acontece no nosso país, sua pátria, onde este insigne navegador do século XVI é praticamente desconhecido. De miúdos e de graúdos... Curiosidade : uma outra estátua foi erguida em honra de João Rodrigues Cabrilho em San Pedro Bay, no porto de Los Angeles.

O ASSALTO CONTINUA...

O assalto ao bolso dos Portugueses continua. E vai agravar-se, já no início do próximo ano, mercê da infame cumplicidade -com os senhores Portas e Passos Coelho- de toda a direita parlamentar. Direita que acabou de votar mais cortes nos ordenados dos funcionários públicos e nas reformas dos pensionistas do Estado. Isto, enquanto os banqueiros (que se encontram entre os verdadeiros culpados da crise) continuam a ser poupados pela mansuetude do desgoverno que temos. Simplesmente escandaloso e indigno ! Tenho um familiar próximo, aposentado da função pública, a quem foi surripiada (só neste mês de Novembro) a quantia de 1 000 euros em descontos. O que é, sem dúvida, um 'privilégio', visto haver por aí gentinha que fez, no mesmíssimo período, descontos superiores ao da soma que efectivamente recebeu... Será isto justo ? Será isto legal ? Será que o empobrecimento geral das populações contribui para o desenvolvimento do nosso país ? -Eu cá tenho sérias dúvidas sobre isso. Entretanto, sem o dinheiro dos fregueses para assegurar a sua continuidade, o comércio vai definhando e as lojas encerram portas. Assim como as fábricas que alimentam o sector.  As empresas vão à falência, aos milhares, mandando para o desemprego legiões de trabalhadores. E o clima de contestação das pessoas vai aumentando. Aqui há dois ou três dias atrás foram as forças policiais do país (também elas na agonia) que manifestaram a sua hostilidade à política de sacrifícios continuados imposta pele troika e pelos seus leais servidores. Os militares ameaçam, também eles, participar numa próxima manifestação. E se isto acabar por dar bronca da grossa ? Quem vai assumir responsabilidades ? A pergunta fica no ar. Enquanto o assalto continua...

sexta-feira, 22 de novembro de 2013

«WARUM MEIN VATER ?»

Ano de 1944 : após uma ocupação militar humilhante, que durou vários anos, a França foi libertada pelas tropas aliadas (sobretudo norte-americanas, canadianas e britânicas) que -a 6 de Junho- investiram vitoriosamente as praias da Normandia; e que, após violentos combates e o sacrifício de muitos milhares de mortos, fizeram recuar os exércitos nazis até aos confins da Alemanha. De uma Alemanha destruída por terríveis bombardeamentos aéreos e apanhada pela implacável tenaz formada pelas forças ocidentais supracitadas e pelos efectivos do temido Exército Vermelho do marechal Jukov. Que haveriam de conquistar Berlim (no dia 1º de Maio de 1945), a capital do 3º Reich. Depois deste introito, lembro-me que, afinal, do que eu queria falar neste 'post' (muito brevemente, como é óbvio), era de um dos dramas mais pungentes do pós-libertação da França : o da sorte reservada -pela generalidade dos franceses- às mulheres que praticaram aquilo a que eles chamavam, naqueles conturbados tempos, 'la collaboration allongée avec les boches'. Enfim, quero-me referir à violência histérica (e histórica) da qual foram alvo as mulheres que, durante a longa presença alemã, tiveram relações íntimas com os militares inimigos. Nesses dias agitados. essas mulheres (tivessem elas agido por amor, para assegurar a própria sobrevivência, para garantir o bem-estar dos seus em tempos de fome ou por razões menos justificáveis) foram objecto de brutalidades sem nome, por parte de gente que dizia agir patrioticamente e para devolver à França a honra perdida. Esse tempo foi, na realidade, uma época de atropelos à mais elementar justiça, que nunca foi vista nem achada aquando das torturas físicas e morais que foram infligidas às tais mulheres. Às vezes, por resistentes da última hora, cuja legitimidade assentava no simples facto de usaram uma braçadeira de um dos movimentos de partizans e de empunharem uma pistola. Naturalmente que não estou aqui a defender o colaboracionismo e a denegrir aqueles que nunca se vergaram à vontade dos ocupantes. Nem a estigmatizar os franceses em geral. Até porque actos desta natureza -que envolviam espancamentos, tosquiamentos, desfiles de mulheres nuas sobre as quais se lançavam injúrias e escarros, etc, etc- foram comuns a todos os países libertados da opressão nazi. Só estou aqui a dizer -com a frieza de alguém que observa os acontecimentos com um recuo de 70 anos- que esses 'linchamentos' na praça pública foram terríveis e causaram traumas -sobretudo nos filhos inocentes dessas uniões então consideradas pecaminosas e antipatrióticas- que perduram. Vem este meu palavreado a propósito de uma canção de Gérard Lenorman, que acabei de ouvir e da qual eu muito gosto, que se intitula «Warum Mein Vater ?». Cuja letra aqui deixo integralmente. Convém ainda dizer que o artista supracitado, nascido em 1945, é fruto da união (proibida) entre uma jovem francesa e um soldado alemão desconhecido. E que essa realidade marcou o cançonetista para toda a vida. Ao ponto de, com muita franqueza e com muita coragem intelectual, ele ter decidido romper o silêncio sobre as suas origens. Curiosidade : a fotografia anexada é da autoria do famoso repórter de guerra norte-americano Robert Capa e mostra uma mulher (aqui, por sinal, uma verdadeira colaboradora, militante de um partido pró-nazi) envolvida por uma multidão hostil. A foto em questão foi tirada em Agosto de 1945 e é conhecida pelo título «La Tondue de Chartres».

«WARUM MEIN VATER ?» (Pourquoi Mon Père ?)

En février quarante cinq, je suis né
Petit village de province, libéré
La jeune fille en crainte, délivrée
Jeté comme une lettre, un colis de promesses
Sans timbre et sans adresse!

Ma mère s´est débrouillée comme elle pouvait
J´étais les suites d´un homme du passé
Ses petits emplois de bonne, suffisaient
C´était pas la misère
Mais les amis de ma mère,
J´en avais rien à faire

{Refrain)
Warum mein vater
Traîne dans mon cœur
Warum mein vater
Mon enfance pleure
Warum mein vater
Traîne dans mon cœur
Warum mein vater
Mon enfance meurt

Aujourd´hui j´ai un fils blond comme les blés
Le jeu des générations a gagné
Mais resurgissent les questions, oubliées
Auxquelles personne ne répond
Alors je me suis fait un nom
Que mes enfants porteront

{Refrain}
Warum mein vater
Traîne dans mon cœur
Warum mein vater
Mon enfance meure
Mon enfance meure.

quarta-feira, 20 de novembro de 2013

SUÉCIA-PORTUGAL OU O DUELO ANUNCIADO ENTRE RONALDO E IBRAHIMOVIC

Assisti, ontem, através da televisão, ao embate futebolístico entre as selecções da Suécia e de Portugal, que teve lugar em Estocolmo. E, tal como milhões de Portugueses, deliciei-me com um 'match' equilibrado, mas francamente a correr melhor aos jogadores lusos; que não deixaram aos nórdicos a mínima possibilidade de vencer o desafio e de ganhar o direito de marcar presença no Mundial do Brasil, em 2014. Ambas as formações pugnaram para que brilhassem as suas duas superestrelas : Cristiano Ronaldo (do Real Madrid) e Zlatan Ibrahimovic (do Paris Saint Germain). Que cumpriram as promessas implicitamente feitas ao público, marcando todos os golos da partida. Que foram 'só' cinco ! Habituado a uma série de jogos medíocres, que a selecção das quinas disputou ultimamente contra formações que lhes eram inferiores, confesso que não estava à espera de tal brilharete. Ainda bem ! Até porque, para além de ter conquistado uma meta importante para o seu historial, os futebolistas nacionais também proporcionaram um espectáculo de grande qualidade técnica. Assim é que é bonito ! Assim é que eu gosto de futebol !

sexta-feira, 15 de novembro de 2013

O ALENTEJO É BELO

Esta foto (de autor que eu desconheço) mostra uma das belíssimas praias de Vila Nova de Milfontes. No sítio preciso onde as águas doces do rio Mira se confundem com as águas salgadas do oceano Atlântico. Quem disse, quem pretendeu que o Alentejo é uma vasta e desolada charneca, abrasada pelo Sol, no caminho para a costa algarvia ? Certamente gente que desconhece tudo (ou quase) sobre a mais vasta região de Portugal. Que tem para oferecer -a todos aqueles que ousem lançar-se na sua descoberta- maravilhas naturais como esta e como outras, que se estendem da península de Tróia (no concelho de Grândola) até à fronteira do antigo reino mouro de Al Garb. O Alentejo (com os seus areais dourados e com o 'resto') é realmente uma maravilha; onde tudo -paisagens, monumentos, costumes, gastronomia- ainda está por descobrir. Sobretudo pelos nortenhos, que por aqui passam sem parar e sem olhar. Tal atitude faz-me lembrar, curiosamente, os Portugueses dos tempos das Grandes Descobertas, que acharam a África do Sul e que partiam dessa terra da África austral -a abarrotar de ouro e de diamantes- depois de aí fazerem aguada, para demandar as longínquas ilhas das especiarias. De onde muitos não regressariam. Séculos depois da descoberta das terras do cabo da Boa Esperança, outros aproveitariam o que os navegantes lusos desprezaram...

AS METAS IMPOSTAS AO ZÉ PELOS SERVIÇAIS DA TROIKA

Sem direito a comentários. Para quê? (Clicar na imagem para a ampliar).

IR A NANTES E VER O ELEFANTE

Passei o último fim-de-semana na região de Nantes (no sul da Bretanha), onde vivem e trabalham a minha filha mais velha, o meu genro e dois dos meus netos. Netos que (como o tempo passa...) já vão a caminho dos 22 e dos 19 anos de idade. Foram uns dias bem passados, apesar das temperaturas serem inferiores de metade àquelas que se fazem sentir neste cantinho à beira mar plantado; que o Verão de São Martinho tem beneficiado com um tempo digno da mais formosa das Primaveras.  Nantes, que é a quinta ou sexta cidade de França (no que respeita o número de habitantes), é uma urbe muito dinâmica, tanto do ponto de vista económico como cultural. A propósito desta sua última faceta, quero referenciar um espectáculo a que tive ocasião de assistir no domingo passado, assim como centenas de outras pessoas, ao qual os locais chamam 'o passeio do elefante'. Trata-se da saída de um enorme robot -representando um gigantesco paquiderme- que passeia no espaço outrora ocupado pelos famosos estaleiros navais da cidade. O 'bicho' faz parte de um projecto artístico verdadeiramente inédito, que se inspirou «nos mundos inventados por Júlio Verne (ficcionista natural da cidade), no universo mecânico de Leonardo da Vinci e na história industrial de Nantes». Na prática, trata-se de apresentar, à população local e aos turistas, a cidade de Nantes como «uma metrópole criativa de sonho e de fantasia». A máquina em questão -fruto da invenção dos membros de uma associação chamada 'Les Machines de Île de Nantes'- é realmente sensacional, visto pesar 45 toneladas e medir 12 metros de altura por 31 metros de comprimento por 8 metros de largura. E esta 'coisa' (que pode transportar 50 passageiros) move-se lindamente, ao mesmo tempo que solta urros e que rega os seus admiradores com intempestivos jactos de água vaporizada. Confesso que me entusiasmei como uma criança, o que pode parecer bizarro quando, na realidade, já me aproximo dos 70 anos de idade... Qualquer dia volto lá. Até porque a viagem aérea é assegurada regularmente, de Lisboa a Nantes, por uma companhia 'low cost', que pratica preços verdadeiramente incríveis. Mais baratos, em determinadas ocasiões, do que uma viagem de comboio entre a capital e a cidade do Porto.