

No domingo passado, os eleitores catalães decidiram dar uma maioria de assentos no parlamento regional ('Generalitat') aos partidos independentistas. Mas esses eleitores também foram mais numerosos a dizer não à separação com Espanha. Então em que ficamos ? -Haverá assim tanta legitimidade para os eufóricos festejos dos separatistas e justificação para o delírio de gritos de vitória e de bandeiras nacionalistas que agitaram Barcelona nestes últimos dias ? -Eu cá tenho muitas dúvidas ! E sem ser rajoyista (longe disso), confesso que até fiquei aliviado com o resultado indefinido de uma eleição que, oficialmente, não era referendária em matéria de desvinculação da região autonómica da Catalunha do resto do território nacional. E fiquei aliviado, porque a pretendida separação de alguns abre a porta a instabilidades perigosas e de semelhante natureza no reino vizinho; mas não só. Os divisionistas de toda a Europa só estão à espera de um sinal, de uma oportunidade (que poderia ter sido dada pela Catalunha), para iniciarem uma série de acções similares e esquartejar ainda mais o continente europeu. Com o lote de conflitos que daí adviriam e as desgraças que se adivinham. Não ! Eu não sou adepto de uma Espanha esfrangalhada, nem de uns Açores desligados da mãe-pátria, nem de uma Córsega ou de uma Bretanha separadas do resto da França, nem de uma Itália nortenha que rompa com o resto da península da bota. Porque acho que os problemas que possam subsistir entre governos centrais e poderes regionais se podem resolver através da discussão democrática e civilizada. E não assim, com atitudes extremistas e prejudiciais aos interesses dos povos. Que têm tudo a perder no jogo das aventuras de cariz nacionalista. É a minha opinião...

A campanha eleitoral (para as legislativas) aproxima-se do fim. Segundo a imprensa e as suas sondagens diárias, a vitória da coligação PAF é quase certa. Mas a verdade, porém, só se conhecerá no domingo, dia 4 de Outubro, ao fecho das urnas. Tenho assistido a tanta coisa bizarra no decorrer destas últimas semanas, que não ficaria admirado se tivesse havido manipulação dos números e a escolha dos Portugueses viesse contrariar as ditas consultas de jornais e institutos de previsão. Mas a coisa mais extraordinária que eu vi no género e até hoje, foi a do frente a frente entre o ainda primeiro-ministro e o seu adversário do PS. Que, muito 'democraticamente', foi transmitido, em simultâneo, pelos três mais importantes canais de sinal aberto da nossa TV (RTP1, SIC e TVI), enquanto os debates com ou entre os outros candidatos foram relegados para canais de televisão pagos e, por causa disso, seguidos por uma minoria de futuros eleitores. Uma nojeira, batota suja, que só por si daria azo -num país normal- à invalidação dos futuros resultados. E o que é ainda mais fantástico, a meu ver, é que a maior parte dos nossos jornalistas e comentadores políticos até achou esta discriminação normal... Ou pelo menos, calou o bico. Bolas, estamos bem servidos !!!
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