terça-feira, 6 de dezembro de 2016

«JE NE VEUX QU'UN RÊVE»

JE NE VEUX QU'UN RÊVE

Je ne veux qu’un rêve
À demi-flottant,
Que mon âme brève
Passe en voletant,
Que la brume fine
L’enveloppe aussi;
Qu’elle s’achemine
Sans autre souci
Que celui d’errer
Avec une brise,
Sur l’arbre léger,
Sur la terre grise.

** Cécile Sauvage, poétesse française (1883-1927), in «Fumées» **

sábado, 3 de dezembro de 2016

VAMOS AO TEATRO


Vão prolongar-se até dia 11 do mês em curso -no Teatro-Cinema de Ponte de Sor- as representações da peça (inspirada nas obras de Samuel Beckett e Maurice Maeterlinck) «A ILHA». Este trabalho, com produção do Teatro da Terra, foi encenado por Maria João Luís e por Pessoa Júnior. As representações em questão serão propostas ao público de quarta a sábado às 21 horas e, nos domingos, às 16 horas. As ocasiões para ver bom teatro são tão raras por cá, que é meu dever aconselhar vivamente as gentes da minha região (mas não só) a não falharem este espectáculo.

sexta-feira, 2 de dezembro de 2016

A CONQUISTA DO GOSTO


Aqui há dias, num dos canais da nossa televisão, tive a oportunidade de ouvir um reputado chefe de cozinha tailandês dizer, mais ou menos, isto : foram os navegadores portugueses que nos trouxeram (em séculos passados) os produtos -tomates, malaguetas e açúcar de cana, essencialmente- que operaram uma reviravolta radical na nossa maneira de cozinhar. E referiu que, sem esses ingredientes, a gastronomia do seu país não seria o que é hoje; nunca teria gozado da reputação que desfruta internacionalmente, já que é considerada uma das mais apetecidas de todo o Oriente. É curioso que, quando se evoca a passagem dos nossos antepassados pela Ásia, é quase sempre questão de descobertas geográficas e de conquistas de territórios, referindo-se, raramente, a influência que eles deixaram noutras esferas. Tais como, por exemplo, na da divulgação de produtos que a lusa gente para lá levou da Europa, de África ou das Américas. Em troca, naturalmente, das tão desejadas especiarias, que também vieram revolucionar, no Ocidente, a maneira de cozinhar e de comer, num intercâmbio de gostos que mudou o mundo para sempre. Boa ocasião, esta, para mencionar o livro «A Aventura das Plantas e os Descobrimentos Portugueses», da autoria de José E. Mendes Ferrão. Cuja leitura -muito instrutiva, sobre um tema pouco explorado pela literatura- eu recomendo vivamente.

VEÍCULOS DOS BOMBEIROS

Este maravilhoso carro dos bombeiros foi desenhado e colorido pelo artista Tibor Gergely, que, em 1950, publicou nos Estados Unidos, para um público infantil, «The Great Big Fire Engine», um livro (profusamente ilustrado) sobre os veículos de luta aos incêndios. Bonito, não é verdade ?

quinta-feira, 1 de dezembro de 2016

ROSA ENJEITADA


ROSA ENJEITADA

Sou essa rosa, caprichosa, sem ser má
Flor de alma pura e de ternura ao Deus dará
Que viu um dia, que sentia um grande amor
E de paixão o coração estalar de dor

Rosa enjeitada
Sem mãe sem pão sem ter nada
Que vida triste e chorada
O teu destino te deu
Rosa enjeitada
Rosa humilde e perfumada
Afinal desventurada quem és tu?
Rosa enjeitada
Uma mulher que sofreu

Tão pobrezinha que ainda tinha uma afeição
Alguém que amava e que sonhava uma ilusão
Mas esse alguém por outro bem se apaixonou
E assim fiquei sem ele que amei e me enjeitou

Letra de «Rosa Enjeitada», na versão cantada por Hermínia Silva. Que é diferente da versão popularizada por Maria Teresa de Noronha.

NÃO GOSTEI !

Sou republicano.  Desde sempre e por pura convicção de que esse é o regime que melhor serve (ou que melhor deveria servir) os interesses do nosso povo. Mas confesso que, ontem, fiquei envergonhado com o triste espectáculo dado na Assembleia da República por certos deputados da nação; que hostilizaram, desnecessária e injustamente, o rei de Espanha Filipe VI; que, naquele câmara, acabara de pronunciar um discurso amistoso para com o nosso país e para com o seu povo, o nosso povo. Lembro que o rei esteve em Portugal a convite oficial da presidência da República e que, por via disso, era hóspede dos Portugueses. Que, por sinal até tiveram, nas ruas das cidades que o rei por cá visitou, o bom senso de lhe manifestar (assim como a sua esposa, a rainha Letícia) a sua incondicional simpatia. Filipe VI não é um ditador e até acredito, muito sinceramente, que ele seja um verdadeiro amigo de Portugal, considerando o facto deste país que é o nosso ter dado hospitalidade -em tempos difíceis para a sua família- a seu avô e a seu pai. Por isso, repito, achei que a atitude dos tais deputados (do Bloco de Esquerda) constituíram um acto inamistoso e escusado a um chefe de estado vizinho. Atitude que não honra quem a tomou e que, pela certa, nos envergonhou a todos. E, já agora, aqui deixo a pergunta : ser malcriado é revolucionário ?

VIVA O 1º DE DEZEMBRO !

A data de restauração da nossa independência -em 1640- não tinha qualquer valor simbólico (ou outro) para os despeitados figurões do anterior governo. Que, não sei se repararam, continuam a gesticular e a 'mandar bocas', como se ainda tivessem (coitados !) alguma importância nesta terra e para este povo; que eles humilharam e massacraram com cortes (cegos e estúpidos) nos salários e nas pensões, para além de terem procedido ao apagão dos feriados. Eu acho que a reposição de tudo isso foi positivo. Nomeadamente a deste feriado, que nos faz entranhar uma realidade tão simples quanto esta : somos um povo único; que não rejeita alianças, nem compromissos com as outras nações do planeta, mas que, ainda assim, deseja e quer marcar a sua diferença, a sua singularidade, na Europa e no mundo. Porque, se assim não fosse, já teríamos entregado a bandeira, o hino, o território e tudo aquilo que ainda nos distingue como pátria. Isto dito, quero repetir o grito que acima soltei : Viva o 1º de Dezembro de 1640, símbolo da independência reencontrada ! Foi há 376 anos, mas continua a ser importante para a maioria dos Portugueses.


Acima se reproduz a capa da revista de banda desenhada «O Diabrete», datada do 1º de Dezembro de 1948. Estava-se, então, em pleno regime ditatorial e o dia da Restauração era, nesse tempo, comemorado com os inflamados discursos dos salazaristas, com missas solenes e com desfiles da Mocidade Portuguesa. Tentativa oportunista de António de Oliveira Salazar, para identificar o Estado Novo com os valores da Pátria. O problema é que (enquanto exaltava o dia da Restauração) o regime mantinha o povo na miséria, privava-o de escola e mandava prender (pela sua tenebrosa polícia política) quem se opusesse às directivas do caudilho de Santa Comba. Nada, pois, a ver com com patriotismo, tal como o entendemos.