quinta-feira, 3 de novembro de 2016

REVISTAS IMPERDÍVEIS


Sou apaixonado por História naval e, considerando o nosso passado de potência marítima, presumo que muitos outros Portugueses também o serão. Daí recomendar a leitura de duas revistas que, nos seus últimos números, consagram o essencial das suas páginas a esse apaixonante assunto. A primeira delas é a «Visão História» (nº 37, de Setembro) que, sob o título «A Grande Aventura dos Mares» me surpreendeu pela variedade e pela qualidade dos seus entusiasmantes capítulos. Esta revista, que ainda se pode encontrar nas bancas de jornais, custa apenas 4,90 euros, ou seja menos do que um (prejudicial) maço de cigarros.
A outra revista é editada pela reputada National Geographic, da qual constitui uma edição especial. Apresenta-se com o título «A Era das Explorações - O Nascimento de um Mundo Global» e dá largo espaço às navegações portuguesas de outrora (mas não só), como parte importante desse desígnio. Custa 6,95 euros, mas vale bem o seu preço.
São ambas profusamente ilustradas e merecem ocupar um lugar de destaque lá em casa, naquilo a que poderíamos chamar a nossa 'revistoteca'.

QUE VENHA O DIABO E ESCOLHA...

É já no dia 9 do mês em curso, que os norte-americanos vão às urnas para escolher o sucessor de Barack Obama na Casa Branca. Pelo que tenho visto e ouvido, não me parece que algum dos candidatos em liça -Donald Trump e Hillary Clinton- tenha arcaboiço (político e moral) para assumir o espinhoso cargo de presidente dos Estados Unidos da América, a mais poderosa nação do planeta. Aliás, durante uma campanha eleitoral marcada pela troca de insultos e pela emergência quase diária de escândalos (partilhados), fico confortado na ideia de que essa gente é perigosa para a paz e para a saúde económica do planeta, visto a posição de 'lidership' mundial assumida (muitas vezes de maneira arrogante e abusiva) pelos 'states'. Por essas e por outras razões, não tomo partido nesta eleição e aguardo, obviamente apreensivo, a escolha do diabo...

quarta-feira, 2 de novembro de 2016

A ESSÊNCIA DOS NOSSOS POETAS


MONANGAMBA

Naquela roça grande não tem chuva
é o suor do meu rosto que rega as plantações:

Naquela roça grande tem café maduro
e aquele vermelho-cereja
são gotas do meu sangue feitas seiva.

O café vai ser torrado
pisado, torturado,
vai ficar negro, negro da cor do contratado.

Negro da cor do contratado!

Perguntem às aves que cantam,
aos regatos de alegre serpentear
e ao vento forte do sertão:

Quem se levanta cedo? quem vai à tonga?
Quem traz pela estrada longa
a tipóia ou o cacho de dendém?
Quem capina e em paga recebe desdém
fuba podre, peixe podre,
panos ruins, cinqüenta angolares
porrada se refilares

Quem?

Quem faz o milho crescer
e os laranjais florescer
- Quem?

Quem dá dinheiro para o patrão comprar
máquinas, carros, senhoras
e cabeças de pretos para os motores?

Quem faz o branco prosperar,
ter barriga grande - ter dinheiro?
- Quem?

E as aves que cantam,
os regatos de alegre serpentear
e o vento forte do sertão
responderão:

- Monangambééé...

Ah! Deixem-me ao menos subir às palmeiras
Deixem-me beber maruvo, maruvo
e esquecer diluído nas minhas bebedeiras

- Monangambééé...


** António Jacinto (1924-1991) foi um poeta e prosador angolano, natural da cidade de Luanda. De seu nome completo António Jacinto do Amaral Martins, também usou o pseudónimo de Orlando Távora para assinar os seus contos. Foi militante do MPLA, co-fundador da União de Escritores Angolanos e membro do Movimento de Novos Intelectuais de Angola. A sinistra PIDE prendeu-o durante 12 longos anos, nomeadamente no campo de concentração do Tarrafal, em Cabo Verde. Exerceu a profissão de técnico de contabilidade e -depois da independência do seu país- esteve no governo de Angola, onde desempenhou, sucessivamente, os cargos de ministro da Educação e secretário de estado da Cultura. Deixou-nos vários livros. Cito «Poemas», «Outra Vez Vovô Bartolomeu» e «Sobreviver em Tarrafal de Santiago». O poema «Monagamba» foi musicado e cantado por Rui Mingas **

O NOSSO MUNDO É BELO (91) : BURQUINA-FASO

TERRA NOSTRA, UMA JÓIA DOS AÇORES

Este é um bonito e luxuriante recanto do parque Terra Nostra, na ilha de São Miguel. Propriedade privada, esta área encantadora está, no entanto, aberta à visita dos turistas. Que, daqui, só podem levar gratas recordações...

A PALHAÇADA CONTINUA

A aversão da actual direcção leonina ao Benfica é tão raivosa e irracional, que -disseram os jornais- um dos jogadores do plantel do Sporting foi proibido de levar, para a academia alcochetense, o seu Ferrari; que, obviamente, é vermelho. Há gente que, francamente, não tem a noção do ridículo... Parece que o atleta (proprietário da referida 'bomba') já encarou a eventualidade de a pintar de verde com riscas brancas, mas o seu garagista conseguiu dissuadi-lo do intento. Porque um Ferrari assim 'vestido' seria, no mínimo, grotesco. Ah ! Enquanto benfiquista, desejo ao Sporting Clube de Portugal toda a felicidade do mundo, no seu jogo de logo à noite contra os alemães do Borussia de Dortmund. E digo isto com toda a sinceridade.

terça-feira, 1 de novembro de 2016

CINE-NOSTALGIA (56)

«ESCRAVOS DO VÍCIO» («Days of Wine and Roses») é uma película norte-americana realizada  por Blake Edwards. Estreou em 1962 e teve um elenco de luxo, encabeçado por Jack Lemon e por Lee Remick, mas que também contou com o trabalho competente, embora mais discreto, de Charles Bickford, Jack Klugman, Alan Hewitt, Tom Palmer e Debbie Megowan, entre outros. Esta fita, com fotografia a preto e branco e com 117 minutos de duração, foi distribuída pela companhia Warner Bros.. Recebeu vários prémios prestigiosos, nomeadamente o Óscar de 1963 para a Melhor Canção Original  e, no Reino Unido, o BAFTA de 1964. Ainda em 1963, no Festival Internacional de San Sebastian, este filme recebeu o Prémio OCIC e viu a merecida consagração de Lemon e Remick, que ali, naquela cidade espanhola, foram distinguidos com os prémios de Melhores Actores. «ESCRAVOS DO VÍCIO» é um drama pungente, que tem por tema o alcoolismo. Assunto delicado, que Edwards tratou com grande inteligência, mas sem concessões, descrevendo, neste seu trabalho, a lenta mas segura degradação física e moral de um casal apanhado pela engrenagem do vício. Este filme é, ainda hoje, considerado um dos melhores jamais realizados em Hollywood sobre o flagelo do alcoolismo. A história contada é a de Joe Clay, agente publicitário, que, devido a pressões e problemas de vária ordem encontrados durante a sua carreira profissional, acabou por sucumbir ao consumo exagerado de álcool. E que arrastou, para o turbilhão em que se tornou a sua vida, a sua própria esposa. Eu nunca pude ver esta fita numa sala de cinema; e só o descobri nos anos 70, atravás da sua difusão por um canal francês. Mas, confesso que este melodrama arrepiante foi um dos filmes que mais marcou a minha vida de jovem adulto. Infelizmente, não tenho na minha videoteca uma cópia deste filme notável.