Aos Portugueses pouco endinheirados, mas que ainda julgam, coitados, que os automóveis de determinadas marcas (de luxo) lhes podem conferir um estatuto especial neste mundo de vaidades e de ilusões, aqui deixo esta sugestão : a aquisição de um verdadeiro BMW, que fez furor nos tempos da minha juventude, o modelo 'Isetta'.
domingo, 2 de outubro de 2016
A VIDA NUM BMW
Aos Portugueses pouco endinheirados, mas que ainda julgam, coitados, que os automóveis de determinadas marcas (de luxo) lhes podem conferir um estatuto especial neste mundo de vaidades e de ilusões, aqui deixo esta sugestão : a aquisição de um verdadeiro BMW, que fez furor nos tempos da minha juventude, o modelo 'Isetta'.
A OLIVEIRA
A OLIVEIRAÓ linda e bela oliveira
de velho tronco cinzento,
quando por ti perpassa e esvoaça o vento,
as tuas folhas cantam-nos baixinho,
desta maneira, devagarinho :
-Eu dou o azeite brando
que tempera e que alumia;
eu acendo a luz do dia
quando a noite vem tombando.
Em casa do pobre eu sou
a alegria do seu jantar...
Coitado de quem andou
um dia inteiro a cavar !
Afonso Lopes Vieira
(Este poema foi um dos muitos que Lopes Vieira, vate leiriense, espalhou pelos livros (únicos) de instrução primária dos meus tempos de criança. Estes versos faziam parte do «Livro de Leitura da 3ª Classe»; daquele livro identificado pela ilustração de capa, que representava um sorridente menino com a farda da Mocidade Portuguesa, empunhando um estandarte dessa organização da juventude salazarista e rodeado de outros miúdos brandindo bandeirinhas da Fundação e da República. Estão a topar ?... Se não se lembram, aqui deixo imagem da capa do dito livro).
sábado, 1 de outubro de 2016
BELEZAS DA CIDADE-BERÇO
O AUTOMÓVEL DO DITADOR
Já aqui falei -neste blogue de coisas & loisas- de um veículo Mercedes-Benz 770 'Grosser' adquirido pelo estado português à Alemanha nazi, para uso exclusivo do ditador Salazar; que nunca gostou desse carro (hoje pertencente ao espólio do Museu do Caramulo), só o utilizando, ao que se disse, uma única vez : aquando de uma visita a Portugal do seu querido amigo Francisco Franco, o carrasco da República Espanhola. Hoje vou aqui recordar um outro automóvel do acima referido Presidente do Conselho de Ministros. Ou melhor, comprado para uso pessoal desse governante de má memória. Tal como o acima mencionado veículo, também este -um Chrysler 'Imperial'- era um carro blindado e com vidros à prova de bala. Era um modelo de 1937, com um robusto e potente motor V8 de 140 cv e com mais de 5 litros de cilindrada; e que, apesar do seu peso (2 650 kg), podia rolar à velocidade de 130 km/hora. O que era, diga-se de passagem, o máximo dos máximos que, naquele tempo, se podia dar nas péssimas estradas do país. Mas este sim, foi um carro ao gosto de Oliveira Salazar, que o utilizou em inúmeras circunstâncias, tanto no decorrer de missões oficiais, como em viagens de lazer, sobretudo aquelas que fazia regularmente à sua aldeia natal do Vimieiro, situada ali para as bandas de Santa Comba Dão. Viagens pessoais, cuja gasolina (isto no dizer de alguns dos seus próximos) o ditador pagava com dinheiro do seu próprio bolso. Mas, paradoxalmente, esse automóvel americano do professor Oliveira Salazar acabou por ficar na História por ter servido os interesses do PCP (Partido Comunista Português), organização proibida, logo clandestina, que foi a mais acérrima inimiga do ditador e da sua retrógrada política. O caso (extraordinário !) conta-se em poucas palavras : O Chrysler 'Imperial' era, de início, arrumado na garagem privativa da PIDE em Lisboa; mas em 1960, por falta de espaço, foi transferido para as instalações da cadeia de Caxias. Que, ao tempo, era um dos principais lugares de detenção de presos políticos. De gente que, com grande convicção e com muita coragem, afrontava a ditadura e os seus esbirros. Ora, quando souberam da presença do veículo em Caxias, alguns desses detidos -todos ligados à cúpula do PCP- começaram logo a arquitectar um projecto de evasão do Forte de Caxias, com o auxílio do potente e invulnerável automóvel do ditador. E, no dia 15 de Dezembro de 1961, lá vão eles (António Gervásio, Francisco Miguel, Elídeo Esteves, Domingos Abrantes, José Magro, Guilherme da Costa, Tereso e Verdial) a caminho da liberdade, depois de terem lançado, impetuosamente, o carro contra o portão do forte; que cedeu à formidável pancada do pesado veículo. Veículo que, quanto a ele, e apesar de metralhado pelos guardas prisionais e pelos agentes da PIDE, resistiu e logrou colocar a salvo os seus oito passageiros clandestinos. Parece que esta epopeia, protagonizada pelos militantes do PCP e que merecia ser contada num filme de Hollywood, provocou muitos engulhos a Salazar. Que terá passado a desprezar o seu Chrysler; ao ponto do carro (que só foi parcialmente restaurado) apresentar ainda hoje (na carroçaria e nos vidros) marcas dos balázios que nessa altura encaixou.
TESTE A SUA MEMÓRIA
Sabe de que filme de inícios da década de 60 foi extraída esta imagem, que mostra o Nazareno falando à multidão ? -Pois bem, trata-se da superprodução «O Rei dos Reis» («King of Kings»), realizada em 1961 por Nicholas Ray, após desistência de John Farrow. Ray que aqui dirigiu um surpreendente grupo de actores, com Jeffrey Hunter à cabeça (no papel de Jesus Cristo) e Carmen Sevilla na encarnação de Maria Madalena. Esta película da MGM -em cinemascope, colorida e com uma duração de 168 minutos- não tem nada de verdadeiramente original, à excepção, talvez, de Barrabás (papel interpretado por Harry Guardino) , que aqui é apresentado como chefe dos judeus contestatários. O sucesso desta 'fita bíblica' foi limitado, ficando-se muito aquém do sucesso esperado pela produtora.
QUANDO O SOL SE DEITA EM ÁFRICA...
ANTIGO BARCO DO MEDITERRÂNEO
Fenícios, Gregos e Romanos foram povos da Antiguidade que, sucessivamente e durante séculos, dominaram o Mediterrâneo. Mar ao qual estes últimos -os Filhos da Loba- até chegaram a chamar 'Mare Nostrum', o nosso mar. Mas, todos os outros povos ribeirinhos do Mediterrâneo nele navegaram, entregando-se a actividades tão tradicionais e comezinhas como a pesca ou o comércio de mercadorias entre cidades. A pirataria também foi, ao longo dos séculos, uma das actividades mais lucrativas praticadas neste espaço líquido. Onde o saque -a navios e a localidades costeiras- foi um dos grandes negócios desses recuados tempos... Servem estas linhas para apresentar o modesto barco de comércio, típico do Mediterrâneo oriental, que figura neste selo emitido pelos correios do estado de Israel.
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