terça-feira, 17 de outubro de 2017

«BALADA DE OUTONO»

«BALADA DE OUTONO»

Águas e pedras do rio
Meu sono vazio
Não vão acordar
Águas da fontes calai
Ó ribeiras chorai
Que eu não volto A cantar

Rios que vão dar ao mar
Deixem meus olhos secar
Águas das fontes calai
Ó ribeiras chorai
Que eu não volto A cantar

Águas do rio correndo
Poentes morrendo
P'ras bandas do mar
Águas das fontes calai
Ó ribeiras chorai
Que eu não volto A cantar

Rios que vão dar ao mar
Deixem meus olhos secar
Águas das fontes calai
Ó ribeiras chorai
Que eu não volto A cantar.

** Zeca Afonso **

PORTO, 24 DE AGOSTO DE 1958 : AS CORRIDAS DE FÓRMULA 1 CHEGAM A PORTUGAL

Com organização e patrocínio do A. C. P., realizou-se pela primeira vez, em Portugal, uma prova de F1. A dita competição, denominada 7º Grande Prémio de Portugal e que contou, oficialmente, para o Campeonato do Mundo de Condutores, foi disputada no Circuito da Boavista, na cidade do Porto. Na corrida (a primeira da sua categoria realizada no nosso país) participaram 15 volantes de reputação internacional, sendo que um deles era (coisa inédita !) uma senhora : a italiana Maria Teresa Filippis, que competiu com um Maserati. A prova previa 50 voltas ao circuito (com 7,407 km de extensão), 'performance' que só dois pilotos lograram concretizar : os britânicos Stirling Moss (ao volante de um bólide Vanwall), que realizou as 50 voltas em 2 h 11 minutos e 27 segundos, e Mike Hawthorn (num Ferrari), que terminou a prova com mais 5 minutos e 12 segundo do que o vencedor. Os outros (Stuart Lewis-Evans, Jean Behra, Wolfgang von Trips, Jack Brabham, Maurice Trintignant, Graham Hill e demais participantes, todos eles reputados pilotos) atravessaram a meta com mais de uma volta de atraso em relação ao vencedor. Quanto à supracitada senhora, refira-se que acabou por desistir, depois do seu veículo ter tido uma avaria de motor durante a sétima volta do circuito.  Para além das três marcas-escuderias já mencionadas, também se apresentaram, no Circuito da Boavista (que, nesse dia, recebeu 100 000 espectadores) as equipas seguintes : BRM, Cooper-Climax e Lotua-Climax. Cinco pilotos pontuaram para o Campeonato do Mundo de Condutores, sendo que Stirling Moss arrecadou os 8 pontos atribuídos ao vencedor. Nota final : recordamos (a título de curiosidade) que Stirling Moss -que foi um dos mais reputados pilotos automobilísticos do seu tempo- nunca foi campeão do mundo...

CURIOSIDADES HISTÓRICAS

Sabia que o primeiro rei de Portugal -D. Afonso Henriques (1109-1185), fundador da dinastia de Borgonha- faleceu com a provecta idade de 76 anos, num tempo em que esperança de vida dos Portugueses não ia muito além dos 30 anos ? Pois é verdade.

segunda-feira, 16 de outubro de 2017

'POMMES DE TERRE À LA SARLADAISE'

Estas batatas (denominadas 'à la sarladaise') acompanham muito bem qualquer peça de carne assada no forno. Mas, no sudoeste de França, são especialmente preparadas para acompanhar pato confitado. As batatas são previamente cortadas às rodelas finas e fritas em banha de pato; produto que, não sendo fácil de encontrar por cá, se pode substituir por azeite extra virgem. Já na fase final desta operação, verte-se por cima das batatas uma boa porção de alho e de salsa finamente cortados. As batatas são mais saborosas quando ficam estaladiças. Bom apetite !

ESPANTOSO FUTEBOL HÚNGARO DOS ANOS 50

Ainda tenho uma vaga ideia da fama que teve o futebol húngaro (sobretudo o de nível de selecção) na década de 50 do século passado. Selecção que se sagrou campeã olímpica em 1952 e vice-campeã do mundo em 1954. Como também recordo a chegada a Espanha (na sequência dos dramáticos acontecimentos ocorridos em Budapeste no ano de 1956) de jogadores tão carismáticos quanto o eram Puskas, Kocsis e Czibor, que integraram esse 'team' maravilha. E que foram depois reforçar equipas como o Real Madrid e o F. C. Barcelona... Essa equipa-base  dos magiares era, antes da dispersão das suas vedetas, constituída por Grosics, Buzansky, Boszic, Lantos, Zakarias, Lorant, Toth, Hidgkuti e pelos já citados Czibor, Puskas e Kocsis. A Hungria nunca mais teve -na sua História desportiva- jogadores desse gabarito. E nunca mais teve a oportunidade de espantar o mundo do futebol. Quase me faz lembrar, a nível de equipas de clubes, o Benfica dos anos 60...

VELHO NAVIO, VELHA BANDEIRA

Esta fotografia tem mais de 100 anos e mostra-nos a velhinha fragata «D. Fernando II e Glória», que nos é sempre apresentada como a 'última nau da Índia'. Repare-se na bandeira hasteada à popa, que é a bicolor azul e branca do Portugal monárquico. Vi arder este navio no Mar da Palha, já lá vai meio século. Mais tarde foi restaurado e funciona. hoje, como navio-museu...

HORÁRIO DO FIM

Horário do Fim

morre-se nada
quando chega a vez

é só um solavanco
na estrada por onde já não vamos

morre-se tudo
quando não é o justo momento

e não é nunca
esse momento

Mia Couto, in "Raiz de Orvalho e Outros Poemas"