A notoriedade deste cidadão holandês -que foi o último governador de Nova Amesterdão- deve-se mais ao facto do seu nome ter sido atribuído a uma conhecida marca de cigarros do que propriamente à sua importância histórica. Peter Stuyvesant (1612-1672) era um déspota, sobretudo em matéria religiosa, que ganhou fama na perseguição que moveu -na América do norte- aos membros da comunidade quaker. Stuyvesant era, no entanto, um brilhante administrador, reconhecendo-se os seus méritos no governo da futura Nova Iorque. Colónia da qual os ingleses se apoderaram em 1664. Apesar da derrota que lhe foi infligida pelos britânicos, Peter Stuyvesant obteve licença para permanecer na antiga colónia batava, onde faleceu. Curiosidade : Stuyvesant usava uma perna de pau; recordação dos Portugueses, que ele afrontou num combate naval, disputado ao largo das costas do Brasil.
domingo, 29 de junho de 2014
PETER STUYVESANT
A notoriedade deste cidadão holandês -que foi o último governador de Nova Amesterdão- deve-se mais ao facto do seu nome ter sido atribuído a uma conhecida marca de cigarros do que propriamente à sua importância histórica. Peter Stuyvesant (1612-1672) era um déspota, sobretudo em matéria religiosa, que ganhou fama na perseguição que moveu -na América do norte- aos membros da comunidade quaker. Stuyvesant era, no entanto, um brilhante administrador, reconhecendo-se os seus méritos no governo da futura Nova Iorque. Colónia da qual os ingleses se apoderaram em 1664. Apesar da derrota que lhe foi infligida pelos britânicos, Peter Stuyvesant obteve licença para permanecer na antiga colónia batava, onde faleceu. Curiosidade : Stuyvesant usava uma perna de pau; recordação dos Portugueses, que ele afrontou num combate naval, disputado ao largo das costas do Brasil.
BACALHAU À MODA CATALÃ
É sabido : nenhum país do mundo se compara a Portugal, quando se trata de confeccionar pratos à base de bacalhau. A tal ponto, que estão editados por cá livros de culinária que fazem referência a 1000 receitas realizadas com esse peixe dos mares frígidos; que os Portugueses preferem cozinhar depois de um processo de seca específico e da sua posterior demolhagem. Moro numa região próxima da fronteira espanhola e posso testemunhar sobre a afluência de 'nuestros hermanos' (sobretudo nos fins-de-semana) aos restaurantes deste lado da raia. Espanhóis que vêm saborear, a nossa sápida cozinha e, muito especialmente, os nossos pratos de bacalhau. Entre os quais, o 'bacalao dorado' (o Bacalhau á Brás) leva a palma das suas preferências. Isto dito, não pretendo que só por cá se sabe preparar este produto. Longe disso. Eu próprio já provei no estrangeiro receitas excelentes, preparadas com esse gadídeo. Para provar o que digo, aqui vos deixo, hoje, a receita de um bacalhau cozinhado à moda catalã, para 4 ou 5 pessoas. Que eu espero vos agrade.Ingredientes necessários :
1 kg de bacalhau previamente demolhado;
5 tomates maduros;
1 pimento verde e 1 pimento vermelho;
2 cebolas de tamanho médio;
2 ou 3 beringelas;
1 malagueta desidratada;
azeite extra virgem;
farinha;
louro, tomilho e alho.
Como proceder :
Partir o bacalhau em várias postinhas, retirar espinhas (facultativo) e peles e reservar.
Lavar os tomates, retirar-lhes as pevides e cozê-los. Eliminar toda a água da cozedura e reservar.
Cortar as cebolas e pimentos em finas lamelas e refogá-las em azeite, num tacho. Sem esquecer de juntar o tomate, 1 ou 2 dentes de alho esmagados, o louro, o tomilho e a malagueta esfarelada. Deixe cozinhar durante 5 minutos em lume brando. Lavar as beringelas, cortá-las em rodelas com 1 cm de espessura e dourá-las num pouquinho de azeite.
Colocar a mistura, já preparada, num recipiente de ir ao formo, com um pouco de azeite no fundo. Colocar as ditas rodelas de beringela sobre as postinhas de bacalhau e juntar tudo ao preparado precedente.
Colocar em forno quente durante 20/25 minutos.
Servir com um acompanhamento de batatinhas cozidas.
Pode regar esta refeição com um bom vinho da nossa terra, de preferência tinto.
Bom apetite !
GUERRA JUNQUEIRO VS. D. CARLOS I

Nos derradeiros anos do seu reinado, D. Carlos I foi muito contestado. Nomeadamente pelos militantes e simpatizantes do movimento republicano, apostados em substituir a monarquia por um regime presidencial; no qual os Portugueses pudessem escolher, livremente, a primeira figura da nação. Um presidente que seria substituível pela vontade popular, através de eleições cíclicas e democráticas. Nesse período histórico que precedeu o regicídio, figuras gradas da sociedade lusa, principalmente intelectuais, levantaram a sua voz para criticar duramente o rei e as políticas conduzidas pelos seus ministros. Críticas essas, que nem sempre primavam pela elegância das palavras. Estou-me a lembrar, por exemplo, de um caso protagonizado pelo poeta Abílio Guerra Junqueiro, ocorrido em 1907, que o levou à barra do tribunal. Instituição que acabou por condenar o autor de «A Velhice do Padre Eterno» a 50 dias de prisão, por injúrias dirigidas a Sua Majestade. O pomo da questão foi uma crónica publicada no jornal «A Voz Pública, da qual deixo aqui um excerto, que dizia isto : «Nós somos escravos de um tirano de engorda e vista baixa. É inaudito que o ventre de um porco esmague uma nação e que dez arrobas de sebo achatem quatro milhões de almas. Que ignomínia. Basta !». O mínimo que se pode dizer disto, é que o poeta (que só viria a falecer em 1923) não era homem de meios termos...
sábado, 28 de junho de 2014
FOTOGRAFIAS COM HISTÓRIA (13)
A fotografia aqui apresentada foi tirada durante um dos intervalos da rodagem de «O Homem que Matou Liberty Valance» («The Man who Shot Liberty Valance»), película que estrearia nas salas de cinema em 1962. Esta fita foi (e resta) uma das melhores obras da filmografia de John Ford e um dos melhores westerns da História desse género tipicamente americano. Da esquerda para a direita podemos ver James Stewart (em traje civil), o supracitado cineasta -que foi o rei incontestado do cinema ambientado no Oeste- e John Wayne; que aqui ainda não largou os seus atributos de cowboy, nem a sua temível carabina Winchester. Presumo que esta fotografia (a preto e branco, tal como o filme) tenha servido, na imprensa, para promover a fita em questão, que foi distribuída pela companhia Paramount Pictures. «O Homem que Matou Liberty Valance» foi um sucesso mundial, apreciado pela crítica e pelo público.
REGRESSO INGLÓRIO
Os rapazes do Mundial já estão de regresso a casa, depois de terem criado tantas expectativas junto dos portugueses que amam o futebol. E que, de toda evidência (continuo a dizê-lo), se interessam mais pelo jogo da bola do que pelo seu próprio destino. A prova é que continuam naquela onda palerma do «reduz o meu ordenado e os meus direitos, se quiseres, mas, pelas alminhas, não me prives de futebol». Enfim, depois de uma campanha de intoxicação, onde se prometeu tudo, até a possibilidade de trazer o cobiçado caneco para Portugal, veem-nos dizer agora aquilo que os mais lúcidos já haviam topado : a selecção lusa de futebol não tinha valor competitivo suficiente para estar na fase final da Copa. Porque está velha, cansada, usada. E tudo o mais são cantigas. Quero referir, no entanto, que a sua eliminação não é um drama nacional. E que depois do desaire brasileiro, ninguém -que goste deste país que é o nosso- tem de se envergonhar de ser português. Ámen.
NO TEMPO EM QUE TRABALHAR (AINDA) ERA UMA VIRTUDE... E UMA ACTIVIDADE COMPENSADORA
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Trabalhai, dobrai o corpoSe quereis ter algum bem.
Olhai que nas eras de hoje,
Quem não trabalha não tem.
Compilei esta quadra popular de um velho livro de leitura para a 4ª classe de instrução primária. E dela depreendi o óbvio : se quiseres ser rico, atira-te ao trabalho; porque só o trabalho compensa. Acontece que, nos nossos dias, isso já não é uma verdade absoluta. Agora, se quiseres ser rico e não souberes jogar futebol, investe no Euromilhões e espera que a sorte te bafeje. Ou então (e esta é a melhor opção), escolhe um partido do 'arco da governação', torna-te seu militante, põe-te em bicos de pés, larga umas larachas e adula os líderes. Assim, terás muitas oportunidades para arranjar um tacho e para ganhares umas massas. Sem teres necessidade de dobrar a cerviz para produzires riqueza. Porque a riqueza que produzires trabalhando, vai inteirinha para os bolsos do teu patrão e para os cofres do Estado, sob forma de impostos e de taxas. Meu Deus ! Como os tempos mudaram...
OS 'MAIALE' DO PRÍNCIPE BORGHESE
Esta ilustração mostra dois 'maiale' aproximando-se (discretamente) do casco de um vaso de guerra inimigo; navio que os tripulantes dos mini-submarinos se preparam para destruir ou para avariar seriamente. O 'maiale' foi uma arma subaquática inventada na Itália fascista, desenvolvida pela 'Regia Marina' e utilizada durante a 2ª Guerra Mundial pelos transalpinos. Consistia, 'grosso modo', num pequeno engenho submarino, capaz de transportar dois homens-rãs. A parte dianteira do 'maiale' continha uma forte carga explosiva e separava-se do resto do engenho para ser fixada no bojo dos navios adversos. Depois de executada essa delicada manobra, os tripulantes afastavam-se para evitarem os efeitos devastadores da explosão. A carga era detonada por um simples sistema de relojoaria. O chefe desses militares de elite da armada italiana foi o príncipe Valerio Borghèse; um capitão-de-corveta, que obteve sucessos com os 'maiale' (termo que significa porco, na língua portuguesa) em Gibraltar, onde esses engenhos afundaram -no dia 21 de Setembro de 1941- dois cargueiros do inimigo e no porto de Alexandria, no Egipto, onde -a 18 de Dezembro do mesmo ano- danificaram os couraçados britânicos «Valiant» e «Queen Elizabeth». A partir de então, a eficácia dos 'maiale' diminuiu bastante, devido às medidas de prevenção tomadas pelos adversários da Itália mussoliniana. Vários filmes ilustraram as proezas dos 'maiale'. O mais famoso de todos eles, que eu nunca consegui ver, infelizmente, foi realizado em 1953 por Duílio Coletti e intitulou-se «Os Sete da Ursa Maior» («I Sette dell'Orsa Maggiore»).
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