sábado, 24 de março de 2018

MILITAR SEISCENTISTA


O selo dos Correios de Moçambique (dos tempos coloniais) aqui apresentado, mostra um arcabuzeiro português de meados do século XVII. Este militar participou nas chamadas guerras da Restauração -imiciadas após a coroação de D. João IV em 1640- e nas campanhas para recuperar as colónias ocupadas (sobretudo no Brasil) por Holandeses e outros estrangeiros. Os arcabuzeiros foram, nesse tempo, esteios importantes do reconstituído exército português.

sexta-feira, 23 de março de 2018

HISTÓRIA A HISTÓRIA


Permito-me chamar a atenção daqueles que gostam de 'saber coisas', que foi hoje lançada (com o jornal «Público») uma magnífica colecção de DVD's intitulada 'História a História'. Tem apresentação do historiador Fernando Rosas e trata, semanalmente, vários temas. O primeiro número trás-nos 3 documentários apaixonantes : 1- Rua do Arsenal, uma História Política do Século XX; 2- Mértola, a Herança Árabe; 3- História Trágico-Marítima, os Naufrágios do Império. Para falar francamente, confesso que ainda não os visualizei, mas adivinho-os apaixonantes. E só espero pela confirmação. Penso que a dita colecção (com 6 números para já) tenha difusão semanal. Cada número custa um pouco mais de 7 euros. Voltarei a este assunto proximamente.

O 'ASSOBIADOR' É A ÁRVORE EUROPEIA DO ANO

Um sobreiro de Águas de Moura (no concelho de Palmela), chamado o 'Assobiador' pela população local, foi eleito Árvore Europeia do Ano 2018. Este prémio foi instituído pela Environmental Partnership Association (EPA), que decidiu distinguir, anualmente, uma árvore excepcional do espaço continental. É importante dizer que o 'Assobiador' tem 234 anos de idade, 16,20 metros de altura, 5,24 metros de perímetro na base e 29,40 metros de diâmetro de copa. E que já havia sido classificado como 'o maior sobreiro do mundo' pelo famoso «Livro dos Records» da Guinness. Para além de tudo isso, refira-se que o 'Assobiador' está classificado -desde 1988- como Árvore de Interesse Público. A sua alcunha provém do facto de nos seus ramos terem nidificado muitas aves, que, vindo o crepúsculo, difundem profusos pios e chilreios. Este prémio alegrou todos aqueles que, em Portugal, amam a floresta e as árvores e pugnam pela sua defesa.

quinta-feira, 22 de março de 2018

FIGURAS (QUASE) ESQUECIDAS DA NOSSA HISTÓRIA


O padre jesuíta Gabriel de Magalhães (natural de Pedrógão Grande, onde nasceu em 1610) partiu para o Oriente em 1634. Depois de ter passado algum tempo em Goa, transferiu-se para Macau e, dali, para a cidade de Hang-chou e, mais tarde, para a província de Su-chuen, ambas na China; onde permaneceu até 1677, ano da sua morte, que ocorreu em Pequim. Desenvolveu obra missionária, foi perseguido, torturado, condenado à morte (por ter vivido, de perto, o drama da perseguição aos cristãos actóctones) e poupado pelo imperador K'ang-Hi; a quem o religioso português acabaria por prestar grandes serviços. Dessa época cruel, guardou o padre Gabriel de Magalhães um aleijão, provocado pelas sevícias sofridas; e recordações amargas que lhe fizeram dizer em 1661 : «Há 22 anos que vivo nesta missão e tanto há, que como pão de tribulação e bebo fel de dragões». Deixou-nos vários escritos, nomeadamente a obra «Doze Excelências da China». Livro cuja tradução foi publicada em Paris no ano de 1688 com o título «Nouvelle Rélation de la Chine». E que, ainda nesse ano, teve a sua versão em língua inglesa. Infelizmente, esta ilustre figura do século XVII está, hoje, apagada da memória dos Portugueses. O que é pena...

A ESSÊNCIA DOS NOSSOS POETAS



BENÇÃOS

Bem hajas, oh luz do sol,
Dos órfãos agasalho e manto,
Imenso, eterno farol
Deste mar largo de pranto!

Bem hajas, água da fonte,
Que não desprezas ninguém!
bem haja a urze do monte,
Que é lenha de quem não tem!

Bem hajam rios e relvas,
Paraíso dos pastores!
Bem hajam aves das selvas,
Música dos lavradores!

Bem haja o reino dos céus,
Que aos pobres dá graça e luz!
Bem haja o templo de Deus,
Que tem sacramento e cruz!

Bem haja o cheiro da flor,
Que alegra o lidar campestre;
E o regalo do pastor,
A negra amora silvestre!

Bem haja o repouso à sesta
Do lavrador e da enxada;
E a madressilva modesta,
Que espreita à beira da estrada!

Triste de quem der um ai
Sem achar eco em ninguém!
Felizes os que têm pai,
Mimosos os que têm mãe!


** Tomás Ribeiro (1831-1901), in «D. Jaime» (obra publicada em 1862). Escritor português pertencente à escola ultra-romântica. Com a etiqueta do Partido Regenerador, Ribeiro exerceu vários cargos políticos, pois foi edil, deputado, par do Reino, ministro, governador civil, administrador colonial, embaixador, etc. Deixou-nos vasta obra publicada, tanto de cariz poético, como em prosa **

segunda-feira, 19 de março de 2018

NA MORTE DE MARIELLE FRANCO

Marielle Franco (de seu verdadeiro nome Marielle Francisco da Silva), socióloga brasileira (negra e favelada), feminista, militante dos direitos humanos e vereadora do Rio de Janeiro, foi assassinada a tiro há poucos dias. A 14 do corrente mês de Março. Foi vilmente assassinada por desconhecidos, que a abateram, traiçoeiramente, numa rua da sua cidade natal. Embora ainda não identificados, sabe-se que os criminosos agiram por vingança, depois de Marielle ter denunciado veementemente a acção ultra-violenta do exército e de outras forças militarizadas contra as populações mais pobres da pretensa 'Cidade Maravilhosa'; onde o sangue dos traficantes locais (pretexto para a acção repressiva de Temer) se mistura com o de muitas centenas de inocentes. Segundo a imprensa brasileira (jornal «Estado de São Paulo»), as mortes criminosas de Marielle Franco (que era membro do PSOL - Partido Socialismo e Liberdade) e de Anderson Gomes, seu motorista, elevam para 194 o número de políticos e de activistas brasileiros assassinados nestes últimos cinco anos... -Para onde vais Brasil ? É a pergunta que todos fazemos. Enquanto aguardamos a resposta, aqui fica expressa a nossa pena pelas vítimas da repressão sem nome que se abateu sobre terras de Vera Cruz; mas também a nossa indignação pela atitude ditatorial do governo golpista; que, e isso é evidente, quer impor ao Brasil mais um regime baseado na violência dos oligarcas contra a multidão dos mais desprotegidos e contra aqueles que, sem medo, continuam a denunciar as injustiças da sociedade brasileira.

sábado, 17 de março de 2018