sábado, 20 de maio de 2017

FUTEBOL : EMBLEMAS EXÓTICOS (3)


O Luch-Energiya é um clube de futebol da cidade portuária de Vladivostok, situada nos confins da Sibéria oriental. Foi fundado em 1958 e participou, por várias vezes, no campeonato da extinta União Soviética. Depois da derrocada da U.R.S.S. e da sua substituição pela República Federativa Russa, este clube ainda passou -por 3 vezes- pelo escalão principal do futebol nacional. Depois da temporada 2007-2008, foi despromovido e joga, desde então, nas divisões secundárias. Tem, como é visível, o tigre como símbolo. Fera cuja cabeça está representada num duplo círculo com as cores do clube e que contém, também, outras referências : nome da agremiação e data da sua criação oficial. Num listel, em baixo, figura o nome da cidade onde tem a sua sede. Tudo isto escrito, obviamente, na língua russa, que, como é sabido, usa o alfabeto cirílico.

LEMBRANDO ANTÓNIO MARIA CARDOSO E REABILITANDO O SEU NOME


A figura de António Maria Cardoso -personagem que a maioria dos portugueses não sabe quem é- ficou injustamente associada ao regime do Estado Novo; que, numa rua com o seu nome, instalou a sede da sinistra PIDE/DGS(*). Por onde passaram e foram torturadas, pelos esbirros de Salazar, muitas centenas de adversários da ditadura. António Maria Cardoso (1849-1900) nada teve, no entanto, obviamente, a ver com os políticos do golpe de 28 de Maio e é necessário, pois, repor a verdade sobre esse notável africanista e distinto oficial da marinha real (onde atingiu a patente de capitão-de-fragata), que se notabilizou -ainda no século XIX- por ter realizado duas expedições ao coração de África : a primeira delas foi cumprida em 1882 na companhia de outro grande explorador, João de Azevedo Coutinho e o seu relato e conclusões foram publicadas pela Sociedade de Geografia de Lisboa. A segunda viagem pelos sertões, então desconhecidos do continente negro, «ao Niassa e ao Mataca», teve o seu desfecho em 1889 e também teve assinaláveis repercussões. António Maria Cardoso, um lisboeta, faleceu na sua cidade natal em 17 de Novembro de 1900, depois de ter sido deputado da nação. Tinha 51 anos de idade; e merece mais do que a associação que hoje se faz do seu nome com a odiada polícia secreta do regime derrubado em 25 de Abril de 1974.

(*) A PIDE foi transferida em 1954 para a rua António Maria Cardoso, depois de ter passado pela rua Serpa Pinto e pelo largo da Trindade. Na sua derradeira morada lisboeta, essa instituição criminosa reuniu mais de 3 milhões de fichas de cidadãos, nas quais constavam dados de vária ordem sobre os portugueses a vigiar de perto pela sua hostilidade à ditadura...

BAPTISTA-BASTOS TINHA RAZÃO...

Terminou a época futebolística 2016-2017 -com, diga-se de passagem, uma brilhantíssima vitória do Benfica, o clube dos meus afectos, que se sagrou campeão nacional pela quarta vez consecutiva- e eu espero que a paz volte, embora temporariamente, bem o sei, aos ecrãs da televisão. Onde as brigas por causa da bola (protagonizadas por muita gente tonta, fanatizada e malcriada) tomaram proporções nunca antes vistas. Apesar de ser amante do chamado desporto-rei, espero que os responsáveis pelos diferentes canais ganhem juízo e reduzam o número desses episódios tristes, nem que seja só pelo facto do espaço e do tempo utilizados na TV a falar de bola poderiam ser aproveitados de maneira mais útil e mais inteligente; com emissões culturais, por exemplo, nas quais o povo deste país aprendesse algo mais do que a ser faccioso e cúmplice do regabofe generalizado. A propósito do que refiro, quero deixar aqui um texto assinado pelo recém-falecido jornalista e escritor Baptista-Bastos, com o qual eu concordo em absoluto. Ora leiam :
«A insistência doentia, quase hora a hora, no futebol, nos comentários, nas previsões, nas análises remove do português comum qualquer reflexão acerca da sua própria situação social. As agendas dos jornais, os alinhamentos e as opções das televisões e das rádios merecem uma vigilância crítica dos próprios profissionais. O que não existe. Manifesta-se uma total subserviência aos imperativos do que dizem ser as exigências do público. É uma velha pecha e uma desculpa fatigante de quem abdicou do dever mais sagrado da comunicação social : informar e esclarecer para formar».
Este texto foi redigido (e publicado no «Jornal de Negócios») em 2009. E nunca foi tão actual.

FADO DE ALFAMA


Não tem vielas, tem velas
Alfama virada ao rio
Ancorada nas areias
Como se fora navio...

CURIOSIDADES DA NOSSA LÍNGUA : DO VOCÁBULO ÁRABE DAR SENA'A ÀS PALAVRAS TERCENA E ARSENAL


Ao que me foi dito, o vocábulo da língua árabe dar sena'a traduz-se por fábrica; que pode ser aplicado (entre outros) a uma unidade artesanal ou industrial de construção naval militar. Parece que foi daí que derivou a palavra turca tersana e o vocábulo veneziano arzana; procedendo deste último a moderna palavra arsenal. Que em várias línguas europeias (entre as quais a nossa) designa o local onde se realizam e/ou se reparam navios. Outrora, em tempos medievais, usou-se no nosso país o termo tercena, para designar o fabrico de galés e de outras embarcações de guerra próprias da época; termo que era sempre acompanhado pelo adjectivo real (tercena real), para que não subsistissem dúvidas sobre a sua pertença ao monarca. Curioso, não é verdade ?

PORQUE SERÁ ?...

Com exibição programada em Portugal lá para fins do mês em curso, o quinto filme da saga de Jack Sparrow vai ter o título «Piratas das Caraíbas : Homens Mortos Não Contam Histórias»; que, diga-se de passagem, corresponde à tradução perfeita do original («Pirates of the Caribbean : Dead Men Tell No Tales»). Mas é curioso assinalar que o título escolhido para a sua divulgação nos nossos ecrãs é distinto daqueles que lhe foram atribuídos no Brasil («Piratas do Caribe : A Vingança de Salazar»), em Espanha («Piratas del Caribe : La Venganza de Salazar»), em França («Pirates des CaraIbes : La Vengeance de Salazar»), em Itália («Pirati del Caraibi : La Vendetta di Salazar») e nalguns outros países do mundo latino, mas não só. Porque será ? -Escrúpulos em ofender a memória de certo ditador caseiro ? -Eu cá acho que sim, o que, sinceramente, me deixa preocupado...

CEPTICISMO...

Parece que há sinais de que o nosso país vai melhor... E eu até acredito que sim, que, em certas matérias, as estatísticas nos favoreçam em relação a um passado recente. -Mas, as pessoas ? -Será que a sua situação melhorou assim tanto ? -Eu continuo a alimentar grandes dúvidas. Sobretudo quando a imprensa a que eu ainda dou crédito nos informa que -segundo estudos sérios- 1 em cada 4 portugueses sobrevive com 322 euros por mês. Notícia que veio recentemente a lume nos jornais e que, infelizmente, ninguém quis ou pôde desmentir...