sexta-feira, 7 de agosto de 2015

OS GALGOS DOS OCEANOS

Com todo o pano desfraldado, este 'clipper' de finais do século XIX era um autêntico galgo dos oceanos; capaz de (no domínio da velocidade pura) levar de vencida todos os vapores então existentes. Os 'clippers' foram muito utilizados -sobretudo pelos armadores britânicos- nas famosas 'corridas do chá', disputadas entre a China e a Inglaterra. Autênticas provas de velocidade de longa distância, nas quais os mais céleres contribuíam para encher os bolsos dos seus proprietários, já que, nesse tempo, o chá novo proveniente do Oriente se vendia em Londres a preço de ouro... Um dos mais rápidos e mais famosos de todos esses veleiros -o «Cutty Sark»- ainda hasteou bandeira portuguesa e navegou nas nossas águas com o nome de «Ferreira».

quinta-feira, 6 de agosto de 2015

VISITA INTERESSANTE

O moinho de maré da Mourisca -um edifício construído (muito provavelmente) no século XVII- fica situado nas proximidades do Faralhão, numa zona de sapal e de salinas, rodeado por campos onde, outrora, se cultivaram arrozais. Toda esta área está integrada na Reserva Natural do Estuário do Sado. A sua gestão conjunta é assegurada pela Câmara Municipal de Setúbal e pelo ICNF - Instituto de Conservação da Natureza e das Florestas. O edifício do moinho de maré sofreu obras de recuperação em 1995 e de beneficiação em 2011. Este moinho de maré -espólio industrial setubalense- está aberto às visitas do público durante todo o ano, embora com horários diferenciados. A zona onde se insere o moinho e toda a área envolvente é muito apreciada pela sua diversidade biológica. A observação de aves, por exemplo, é um dos prazeres preferidos dos amantes da Natureza, que ali acorrem com frequência. Visita interessante, sem dúvida.

quarta-feira, 5 de agosto de 2015

DUAS EFEMÉRIDES

Faleceu, faz hoje 60 anos, em Beverly Hills, na Califórnia, a nossa compatriota Carmen Miranda. Uma cançonetista (radicada no Brasil, país onde sempre viveu) de dotes excepcionais, que também se celebrizou no cinema, em Hollywood, onde atingiu um grau de popularidade nunca visto numa artista de cultura lusófona. A sua morte foi ressentida no Brasil como uma perda irreparável. Tinha 46 anos de idade...


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Faz hoje 70 anos que um bombardeiro da aviação militar norte-americana -um Boeing B-29, baptizado «Enola Gay»- largou sobre Hiroxima a primeira de duas bombas atómicas que iriam destroçar o Japão. Balanço final : centenas de milhar de mortos, um número incontável de pessoas contaminadas pela radioactividade (e que morreriam ao longo dos anos) e uma pequena amostra do que poderia acontecer à população mundial em caso de guerra nuclear, entre duas (ou mais) potências com arsenais dessa natureza...


Nota importante : na realidade, o engenho ultra-mortífero que se abateu sobre a cidade nipónica de Hiroxima, foi lançado às 8 h 15 do malfadado dia 6 de Agosto de 1945. E não nesta data que aqui assinalámos. Perdão por este lamentável lapso.

PORREIRO PÁ !

Com as eleições legislativas à porta, as aldrabices -para safar os tachos- chovem em catadupas. Os senhoritos que (des)governam este país andam por aí excitadíssimos com a 'baixa' do desemprego; cuja taxa e segundo eles, já se teria fixado em números equivalentes aos deixados pelo 'xuxalista' José Sócrates. A desonestidade desta afirmação -contrariada por estudos de certas instâncias internacionais, que dizem serem necessárias 2 décadas (se tudo se passar bem) para Portugal atingir uma taxa de desemprego parecida com a que tínhamos antes da crise- é flagrante e seria bom que se contabilizassem as centenas de milhar de portugueses que partiram para o estrangeiro (aconselhadas pelo próprio Passos Coelho), que se contassem as dezenas de milhar de portugueses que estão inscritos em supostos cursos de formação profissional (para não fazerem parte das listas de desempregados) e aquelas pessoas (também muitos milhares) que deixaram de procurar trabalho e que, oficialmente, já não constam das listas de inactivos. Quem quer esta gente enganar ? -Uma vez basta !

INFORTUNADO REI D. MANUEL II

Este senhor de postura digna e olhar triste é D. Manuel II, trigésimo quarto e derradeiro rei de Portugal. Foi uma pessoa perseguida pela má sorte, já que viu matar o pai, D. Carlos I, e o irmão, Luís Filipe, no dia fatal do Regicídio. O infortunado D. Manuel II reinou de 1908 até 1910, ano em que foi deposto pela Revolução de 5 de Outubro. Exilado para o Reino Unido, D. Manuel por lá morreu -sem descendência- no dia a 2 de Julho de 1932. Os seus restos mortais foram trasladados, ainda nesse ano, para Portugal -por deferência do ditador Salazar- e sepultados, com honras de Estado, no Panteão Real da Dinastia de Bragança, no mosteiro lisboeta de S. Vicente de Fora. Republicano confesso e convencido, eu nutro, no entanto, uma especial simpatia e compaixão por esta figura atormentada da História de Portugal do século XX. Porque, apesar da sua destituição e da sua expulsão do país, o derradeiro dos Braganças sempre honrou, lá fora, o nome da pátria que ele tanto amou.

MIL-HOMENS

O Restaurante 'Mil-Homens' tem uma das melhores mesas da Portagem, perto de Marvão, no Alto Alentejo. O essencial da sua ementa é constituído por pratos regionais, muito bem confecionados pela cozinheira da casa. De entre eles realço o Cachafrito (de origem judaica, ao que me foi dito), que é composto, geralmente, por carne de cabrito ou (à falta dela) por carne de borrego. É um primor de sabores e de odores, que se recomenda vivamente. A crise afastou-me desse e de outros restaurantes da minha região. Embora não se possa dizer que o 'Mil-Homens' pratique preços elevados. Eu e muitos dos nossos compatriotas é que empobrecemos de maneira visível, graças à obra dos novos 'salvadores da pátria'. Daqueles que mergulharam a maioria dos Portuguesas numa situação de pobreza inédita desde os tempos da ditadura de triste memória. Mas haja esperança, porque vamos ter a oportunidade de, proximamente, lhes darmos um valente pontapé no traseiro. E, quiçá, podermos voltar à Portagem para saborear o desejado Cachafrito. Nota final : isto não é uma publicidade ao supracitado restaurante. Que, obviamente, não me encomendou o sermão. É apenas a verdade sobre a sua qualidade. Que, aliás, é conhecida de muito boa ente.

EM LOUVOR DO 'DUKE'

John Wayne (1907-1979) foi -e ainda é- uma das figuras cimeiras da História do cinema americano e mundial. Pelo facto de, politicamente, se ter assumido como um homem de direita e ultra-nacionalista, defensor da intervenção norte-americana no Vietnam, isso nada retira (quanto a mim, que militei contra essa guerra criminosa ) à sua aura de actor. Por causa das escolhas políticas do 'Duke', muitas pessoas, ditas de esquerda e despeitadas, começaram a denegrir o homem e o actor,  chegando a tratá-lo de fascista e a chamar-lhe canastrão. Sendo que, mais uma vez na minha modesta opinião, ele não era nem uma coisa nem outra. Por exemplo, nunca ninguém o viu perorar contra os princípios básicos da democracia nos 'states' e, em relação à acusação de ter sido mau actor, basta ver (ainda hoje) alguns dos seus filmes, para facilmente nos darmos conta do contrário. Eu, que vi dezenas e dezenas dos seus filmes, peço, simplesmente a quem o denigre, a quem põe em causa o seu profissionalismo, que experimente ver esta série de películas que eu aqui deixo. E que fale depois com conhecimento de causa. Que essa gente, nem sempre honesta e bem intencionada, veja :

01- «A Cavalgada Heróica» (1939);
02- «Rio Vermelho» (1943);
03- «Forte Apache» (1948);
04- «Os Dominadores» (1949);
05- «O Homem Tranquilo» (1952);
06- «A Desaparecida» (1956);
07- «Rio Bravo» (1959);
08- «Os Cavaleiros» (1959);
09- «O Homem que Matou Liberty Valance» (1962);
10- «O Atirador» (1976).

Sim, penso que para as pessoas sensatas, basta ver -com atenção- estas fitas, para mudar radicalmente de opinião. E mais não digo.

A não ser que : John Wayne faleceu em 1979, de doença cancerosa que contraiu no deserto do Utah, quando ali participou nas filmagens de «O Conquistador» («The Conqueror», de Dick Powell, 1956) e se submeteu ao contacto físico e involuntário com areias radioactivas, contaminadas por testes nucleares feitos na região pelo exército dos Estados Unidos. Refiro aqui, por pura curiosidade, que o elenco artístico e técnico dessa fita épica (que evocava a figura de Gengis Khan), compreendia 220 pessoas,  que 91 delas desenvolveram cancros e que 46 morreram dessa doença. Entre as vítimas mortais, posso citar os nomes do 'Duke', de Susan Hayward, de Agnes Moorehead, de John Hoyt e de Pedro Armendariz. Este último suicidou-se num hospital de Los Angeles, quando a doença já se encontrava em fase terminal. Curiosidade : não se sabe o que se passava na cabeça do extravagante milionário Howard Hughes, no fim da sua desgraçada vida. O que é verdade é que, nos seus últimos meses de vida (e no dizer de uma das raras pessoas que ele consentia que o visitassem) esse homem -que produzira «O Conquistador»- passava o seu tempo a ver e a rever este amaldiçoado filme.