quarta-feira, 8 de julho de 2015

DA DIFICULDADE DE SER E DE ESTAR

«As minhas certezas alimentam-se de dúvidas. E há dias em que me sinto estrangeiro em Montevideu, como o seria em qualquer lugar do mundo. E nestes dias, dias sem sol, noites sem lua, nenhum lugar é o meu lugar e não consigo reconhecer-me em nada, nem em ninguém».

* Eduardo Galeano (1940-2015), jornalista e escritor uruguaio *

A FABULOSA VOLTA AO MUNDO DE 'SIR' GEORGE ANSON

Este sugestivo selo de correio, foi emitido pela administração postal de Guernesey (uma ilha do arquipélago anglo-normando, sob autoridade britânica) para comemorar a partida da frota de George Anson para a sua memorável viagem à volta ao mundo. Os 8 navios de Anson zarparam de Portsmouth no dia 18 de Setembro de 1740 e o «Centurion» -único sobrevivente da aventura- só regressou a Inglaterra em 1744. A expedição, que afrontou tempestades, motins, deserções, o escorbuto e outras calamidades, acabou por reduzir-se ao supracitado vaso de guerra. E dos 1 854 expedicionários iniciais, só 188 realizaram a circum-navegação e regressaram, sãos e salvos, ao ponto de partida. O feito mais notável (ou mais espectacular) da viagem, foi, sem dúvida, a captura -em data de 20 de Junho de 1743, junto às costas das Filipinas- do galeão espanhol «Nuestra Señora de Covadonga», cuja pilhagem rendeu mais de 1,3 milhão de peças de ouro. O tesouro foi vendido aos comerciantes chineses de Macau e, com a parte que lhe coube, George Anson (1691-1762) tornou-se uma pessoa imensamente rica e alvo de todas as honrarias por parte da monarquia inglesa; que o enobreceu, fazendo dele barão e o elevou ao prestigioso cargo de 1º lorde do Almirantado.

GUERRA CIVIL

Faz hoje 79 anos que estalou, aqui ao lado, a Guerra Civil de Espanha. Que, em três anos, causou centenas de milhar de vítimas; e que, com a vitória militar dos fascistas do general Franco, submeteu o país vizinho a um regime de terror, que só terminaria nos anos 70 do século passado, com a morte daquele que foi um dos mais sanguinários estadistas europeus do seu tempo. A rebelião de Franco -que recebeu a ajuda das forças armadas nazi-fascistas de Hitler e de Mussolini- foi a resposta dos reaccionários espanhóis à vitória, nas urnas, da Frente Popular. Movimento que abrangia inúmeros partidos de esquerda.

LAVAGEM DE CÉREBROS

Perante a profusão (verdadeiramente escandalosa, perfeitamente abusiva), nos nossos canais de televisão, de telenovelas, de fóruns dedicados ao jogo da bola e/ou à política politiqueira, de concursos imbecis, etc., também eu estou em crer que a TV é uma gigantesca máquina de manipulação da inteligência. Daí eu estar de acordo com a boneca do desenho, que afirma : « Todos os dias eu lavo o meu cérebro com a televisão».

FRUTA, UM ALIMENTO ESSENCIAL

A dieta sem fruta -confirma um relatório agora divulgado- é um (mau) hábito alimentar dos portugueses. Facto que constitui um factor de risco agravado para a sua saúde e para a sua longevidade. Dispensar a fruta é mais grave ainda do que a ingestão regular de álcool, do que o tabagismo, do que a obesidade ou do que a hipertensão arterial. Os nossos maus hábitos alimentares são, assim, o factor que mais anos de vida nos rouba. Para inverter a tendência, basta que comamos diariamente três peças de fruta, em substituição da carne; que, apesar da crise, comemos em demasia. Vamos lá, vamos comer fruta. Que, por acaso, até é excelente em Portugal !

terça-feira, 7 de julho de 2015

EVOCANDO (SUCINTAMENTE) O AUTOR DE «MOBY DICK»

............. Figura incontornável da literatura norte-americana do século XIX, Herman Melville (1819-1891) imortalizou o seu nome com a publicação do romance «Moby Dick». Cujo sucesso só se verificou no século XX, muitos anos depois da morte do autor. A sua experiência como marinheiro (e arpoador) em navios baleeiros, assim como os dramáticos naufrágios -provocados por cetáceos- de alguns desses veleiros (nomeadamente os afundamentos do «Essex» e do «Ann Alexander»), levaram Melville a lançar-se na escrita da sua obra-prima, que relata a odisseia do «Pequod» e do obsessivo capitão Achab na sua caça à mítica baleia branca, através mares e oceanos. As viagens e vivências de Herman Melville também lhe inspiraram outras das suas obras, nomeadamente «Billy Budd», livro menos conhecido que «Moby Dick», mas não menos interessante. Recordo-me de que, na minha mocidade, a leitura deste último livro era recomendada pelos professores e integrada em praticamente todas as colecções de clássicos para a juventude. Hoje, infelizmente, a maioria dos jovens do meu país não lê nada. E essa lacuna vai pesar, de maneira decisiva, na sua formação. O que é pena...

MURO DA VERGONHA

Diante de um troço do muro da vergonha (erigido pelos israelitas), que cerca e isola e divide o que resta do território sob administração palestiniana, os jovens árabes manifestam a sua legítima raiva. Por verem a terra-pátria violada e transformada num verdadeiro e infame campo de concentração. Contra o qual, na Europa e na América bem-pensantes já ninguém se insurge. Pergunto : até quando durará o martírio deste povo (que não é só constituído por combatentes, mas também por gente que trabalha e que sofre) ao qual foi roubado o direito à paz e à dignidade, pelo qual toda comunidade humana suspira ?



A Palestina (cor verde), desde 1946 até aos nossos dias. Estranho conceito de repartição das terras dos sucessivos governos de Israel...