sábado, 24 de janeiro de 2015

COISAS DITAS (POR QUEM TEM COISAS PARA DIZER)

«Acredito que os filósofos voam como as águias e não como pássaros pretos. É bem verdade que as águias, por serem raras, oferecem poucas oportunidades de serem vistas e muito menos de serem ouvidas. E que os pássaros pretos, que voam em bandos, param em todos os cantos enchendo o céu de gritos e rumores, tirando o sossego do mundo».

(Dixit Galileo Galilei)

sexta-feira, 16 de janeiro de 2015

A ESCANDALOSA VENDA DA TAP

Na sua ânsia de entregar a privados tudo o que puder, até ao fim da actual legislatura, o (des)governo que temos aprovou ontem o caderno de encargos para a privatização da TAP-Air Portugal. Isto contra a vontade (expressa através de sondagens e outros tipos de consultas) da maioria dos Portugueses e o desejo dos trabalhadores dessa histórica empresa pública. Trabalhadores aos quais a prejudicial equipa Passos/Portas tem feito promessas enganadoras e 'garantido' a salvaguarda de direitos que deixam de fora, para já, 70% dos efectivos da prestigiosa transportadora aérea. Companhia que, como todos sabem, foi fundada em 1945 e tem prestado, ao longo de muitas décadas, prestimosos serviços à nação. É, pois, no quadro desta onda de indignação nacional e enquanto cidadão livre deste país que é o nosso, que aqui estou a levantar a minha voz contra a venda ao desbarato do nosso património. E a manifestar a minha repulsa a todos aqueles que afirmam, despudoradamente, que a via da salvação de Portugal passa forçosamente pela alienação de empresas com a simbologia e a vocação nacional da TAP.

quinta-feira, 15 de janeiro de 2015

PARABÉNS CAMPEÃO !!!

Este moço natural da cidade do Funchal -de seu nome completo Cristiano Ronaldo dos Santos Aveiro- é, não haja a mínima dúvida, o português mais conhecido do planeta. Isso, graças à habilidade e à força com que pratica o mais universal de todos os desportos : o futebol. Ganhou há dois dias a sua terceira Bola de Ouro, troféu que consagra o melhor futebolista do mundo. Merecidamente. Parabéns !

IMAGEM ROMÂNTICA DE UMA PROFISSÃO DE ALTO RISCO

Ontem pereceram no mar, frente à idílica praia das Maçãs (no concelho de Sintra), mais 5 pescadores. Todos eles originários (à excepção de um imigrante ucraniano) da sacrificada vila das Caxinas. Este repetitivo drama, que tem dizimado a nossa classe piscatória, vem contrariar a imagem anexada; que mostra a romântica e pacífica figura de um antigo pescador barreiro (assim chamado por pescar no estuário e barra do Tejo). Isto não deve fazer esquecer factos e realidades da existência de gente, que, todos os dias, arrisca a vida para ganhar o pão que o diabo amassou. A condição dos pescadores -esses heróicos trabalhadores do mar- é hoje o que já era ontem : árdua, perigosa e, por vezes, mortal. Daí o respeito que devemos a todos aqueles que, quotidianamente, colocam nos nossos pratos o delicioso peixe das nossas costas. E dizer que nós achamos caro o preço que pagamos pela pescada e pela sardinha... E, na realidade, até temos alguma razão para nos indignarmos. Porque, como é sabido, a carestia do peixe na praça é feita por aqueles que não tomam o mínimo risco. Por intermediários que tiram, simplesmente, o pão da boca dos filhos dos pescadores, banqueteando-se com a parte do leão no negócio do pescado. Estar atento ao drama dos pescadores e às injustiças que lhes são feitas é, pois, o mínimo que devemos a esses esforçados e sacrificados trabalhadores.

INSÓLITA AERONAVE !

O mais estranho de todos os aviões militares construídos durante a Segunda Guerra Mundial foi, sem sombra de dúvida, o Blohm und Voss Bv.141A. Concebido (em finais dos anos 30) pelo engenheiro Richard Vogt, dos quadros da supracitada firma, este aparelho monomotor apresentava um desenho ousadíssimo, que se caracterizava pela instalação do propulsor na extremidade dianteira da fuselagem e de uma cabine montada assimetricamente na asa direita do curioso avião. O Bv.141A, que fora estudado para executar missões de reconhecimento e de cooperação com as tropas terrestres, realizou o seu primeiro voo experimental no dia 25 de Fevereiro de 1938. Uma dezena de máquinas deste tipo foram construídas (incluindo 3 protótipos) a expensas da Blohm und Voss, mas o Ministério do Ar nazi recusou-se a financiar o programa, talvez confundido com a originalidade da sua inovadora concepção. E substituíram-no, no seio da força aérea, por um avião de reconhecimento rival de linhas clássicas, proposto pela firma aeronáutica Focke Wulf : o Fw.189. Embora com acção limitada no conflito, o Bv.141A resta, no entanto, o mais insólito avião militar que jamais cruzou os céus da Europa durante a mais conturbada época da sua história.

Principais características do Blohm und Voss Bv.141A

Tipo - Reconhecimento e apoio de tropas terrestres
Envergadura - 15,45 m
Comprimento - 12,15 m
Altura - 4,10 m
Peso máximo à descolagem - 3 895 kg
Tecto operacional máximo - 9 000 m
Velocidade máxima - 400 km/h (a 3 800 m de altitude)
Autonomia - 1 140 km
Motor - 1 BMW 132N, radial de 9 cilindros (refrigerado por ar) e 865 cv
Armamento - 4 metralhadoras, 200 kg de bombas
Tripulação - 3

quarta-feira, 14 de janeiro de 2015

ANITA GUERREIRO CANTA «LISBOA ANTIGA» PARA RAY MILLAND E MAUREEN O'HARA

Quem se lembra ainda do filme «Lisboa» («Lisbon») rodado na capital portuguesa -por Ray Milland- no ano de 1956 ? -Provavelmente muito pouca gente... Até porque lhe é desconhecida, aqui na Europa, qualquer edição videográfica, que permita trazê-lo à lembrança dos cinéfilos. De qualquer modo, a fita em questão não era, do estrito ponto de vista qualitativo, nada de espantar. Recordo-me que contava uma história de prisioneiro a resgatar aos comunistas e que a negociação era assegurada por um aventureiro internacional, encarnado por Milland; que aqui assumia a dupla função de realizador e de principal intérprete masculino da película. Enfim, «Lisboa» contava uma típica história dos anos sombrios da Guerra Fria, em que o único interesse assentava no facto de ter trazido às margens do Tejo algumas celebridades do cinema hollywoodiano. O que muito agradou à comunidade jornalística do tempo e aos leitores da «Plateia». Outra coisa curiosa : uma das cenas desta fita foi filmada numa casa de fados, onde Anita Guerreiro ofereceu aos artistas estrangeiros (Ray Milland e Maureen O'Hara) uma bonita e (para eles) exótica canção : «Lisboa Antiga». Momento que eu gostaria de partilhar aqui convosco, graças a este extracto colocado no 'You tube' por um bem inspirado aficionado. Para ver e ouvir aqui :

https://www.youtube.com/watch?v=OlhbnwMlTCI

segunda-feira, 12 de janeiro de 2015

CIAO FRANCESCO, CIAO ANITA

Este último fim de semana foi trágico para o cinema transalpino; que, em apenas dois dias, viu desaparecer o realizador Francesco Rosi (a 10 de Janeiro) e a actriz Anita Ekberg, falecida ontem. Desta última (originária da frígida Suécia e que chegou a ser considerada uma das mais belas mulheres do mundo) toda a gente se lembra, visto a escultural actriz ter sido a inesquecível protagonista do banho nocturno na 'fontana' de Trevi em «La Dolce Vita» (1960), obra cimeira de Federico Fellini. Por ela ter sido a protagonista de um dos beijos mais escaldantes e famosos da História do Cinema (trocado com Marcello Mastroianni), que restará para sempre gravado na memória dos cinéfilos do mundo inteiro. É certo que a falecida actriz (que nos deixou quando contava 83 anos de idade) interpretou outros papéis interessantes na sua carreira. Mas este é, porventura, o único que é, para todos, simbólico e consensual. Já Francesco Rosi é, infelizmente, recordado por menos gente. O que é pena, visto este realizador (desaparecido com 92 anos de idade) ter sido um dos cineastas mais interessantes do seu tempo. Aquele que -com grandes riscos- denunciou, na tela, os crimes da Mafia e de outros poderes ocultos da Itália do século XX. Isto, para além de ter realizado filmes que se afastaram dos problemas político-sociais do seu tempo, mas que -todos eles- deixaram na minha memória de cinéfilo a marca de um dos gigantes do cinema europeu. Assim, de repente, estou a lembrar-me de toda uma série de filmes inesquecíveis de Rosi, que eu tive a felicidade de ver (muitos deles nas salas de cinema) como, por exemplo, «Salvador Giuliano» (1961), «La Mani Sulla Città» (1963), «Il Caso Mattei» (1971), Lucky Luciano» (1973), «Cadaveri Eccelenti» (1975), «Cristo si à Fermato a Eboli» (1979) ou «Cronaca di una Morte Annunciata» (1986). Pena é que a maioria deles nunca tenha sido alvo do interesse dos editores de vídeo do nosso país. Porque penso haver por cá muita ente que gostaria de incluir cópias destas películas nas suas colecções particulares de DVD's. Aqui fica, no entanto, a minha homenagem aos artistas que agora nos deixaram... Indubitavelmente mais tristes e mais pobres.