quinta-feira, 5 de junho de 2014

O FADO NA... ARGENTINA

O fado, que agora já é Património Imaterial da Humanidade -por obra e graça da Unesco, mas também pelo abnegado interesse e esforço dos seus cultores- está em estado de graça na pátria do tango e da milonga. Soube, por notícia que me chegou esta semana, que, em consequência do sucesso obtido pela primeira edição do Festival de Fado de Buenos Aires, foi estabelecido, na Argentina, um Dia Nacional do Fado; que será celebrado a 6 de Outubro, que é a data do falecimento de Amália Rodrigues. Eu, como português e apreciador de fado, congratulo-me com o reconhecimento dado pelos Argentinos a esta canção urbana portuguesa, feita de nostalgia e de sentimento. Obrigado amigos !

A PONTE ROMANA DE VILA FORMOSA (ALTER DO CHÃO)

A chamada ponte de Vila Formosa, lançada pelos Romanos sobre o curso da ribeira de Seda (perto de Alter do Chão, Portalegre), é, porventura, a mais monumental e bem conservada de todas as obras deste tipo construída neste recanto da Ibéria. Ainda me lembro (porque não vai há tanto tempo quanto isso...) de por cima desta obra de arte circularem viaturas automóveis (algumas delas de grande porte), que, pouco a pouco, a iam ameaçando de degradação. Felizmente isso hoje já não acontece, graças à construção de um viaduto moderno, que agora serve o tráfego motorizado que circula entre a já referida vila de Alter e a cidade de Ponte de Sor. Sendo que, nessas condições, a ponte da Ria Formosa pode, devido à sua solidez, durar mais uns bons séculos; para poder ser vista e admirada pelas gerações vindouras. A ponte de Vila Formosa foi construída nos séculos I e II da Era de Cristo e situava-se na via que ligava Olíssipo (a actual Lisboa), nos confins ocidentais do Império, a Emerita Augusta (a Mérida dos nossos dias), capital da Lusitânia romanizada. Esta obra monumental, feita com granito da região, tem um tabuleiro -assente sobre 6 arcos perfeitos- com 116,50 metros de comprimento por 6,70 metros de largura. Convido toda a gente que lê este blogue (voluntariamente ou por puro acaso), a visitar este monumento. E, já agora, a dar uma saltada a Alter do Chão, que tem outras coisas bonitas para mostrar. Nomeadamente o seu castelo medieval e a sua afamada coudelaria. Faço este convite, porque a região do Alto Alentejo tem para oferecer aos turistas mais do que a generalidade dos Portugueses imagina. A começar por sítios encantadores, clima ameno nesta estação do ano, uma gastronomia que já tem pergaminhos, néctares únicos no panorama vínico nacional, gente acolhedora e muito, muito mais !

A TV NOS MEUS TEMPOS DE MENINO...

Quando apareceram nos mercados dos países evoluídos, já lá vão muitas décadas, os receptores de televisão eram assim : caixotes inestéticos e com um ecrã minúsculo. Quando surgiram em Portugal -em finais da década de 50 do passado século- já tinham muitos anos de evolução; de modo que o seu aspecto físico e a sua tecnologia já eram bastante diferentes daquelas patenteadas por estes pioneiros. E, pode parecer mentira (mas não é !), as pessoas desse tempo não tinham, em relação à TV, qualquer tipo de dependência. Essa desgraça só aconteceu muito mais tarde, com a introdução maciça das telenovelas e com a programação de repetitivas e alienantes emissões sobre o futebol e sobre política politiqueira.

quarta-feira, 4 de junho de 2014

FOTOGRAFIAS COM HISTÓRIA (10)

As fotografias aqui apresentadas foram tiradas na tarde de 29 de Maio de 1968 no estádio de Wembley, em Londres, durante uma final da Taça dos Campeões Europeus de futebol, disputada entre as equipas do Manchester United e do Benfica. Na imagem de topo podemos ver os cumprimentos trocados, antes do início da partida, entre os capitães das duas formações : Bobby Charlton e Mário Coluna. Como é sabido, o jogo ficou empatado (1-1) no tempo regulamentar; mas, no prolongamento, os ingleses marcaram mais três golos, sem reacção dos encarnados. 4-1 foi, pois, o resultado final. O Sport Lisboa e Benfica, que ao tempo, tinha uma equipa recheada de vedetas (orientada por Otto Glória), alinhou assim : José Henriques, Adolfo, Humberto Fernandes, Jacinto, Cruz, Jaime Graça (autor do golo), Coluna, José Augusto, Torres, Eusébio e Simões. De lembrar que, nesse ano de 1968, o Manchester United ganhou o seu primeiro título (de três já conquistados) de Campeão da Europa de Clubes.

AS MINHAS CANÇÕES PREFERIDAS

«SANTIANO»
 
C´est un fameux trois-mâts fin comme un oiseau.
Hisse et ho, Santiano!
Dix huit nœuds, quatre cent tonneaux :
Je suis fier d´y être matelot.

(Refrain:)
Tiens bon la vague tiens bon le vent.
Hisse et ho, Santiano!
Si Dieu veut toujours droit devant,
Nous irons jusqu’à San Francisco.

Je pars pour de longs mois en laissant Margot.
Hisse et ho, Santiano!
D´y penser j´avais le cœur gros
En doublant les feux de Saint-Malo.

(refrain)
Tiens bon la vague tiens bon le vent.
Hisse et ho, Santiano!
Si Dieu veut toujours droit devant,
Nous irons jusqu’à San Francisco.

On prétend que là-bas l´argent coule à flots.
Hisse et ho, Santiano!
On trouve l´or au fond des ruisseaux.
J´en ramènerai plusieurs lingots.

(refrain)
Tiens bon la vague tiens bon le vent.
Hisse et ho, Santiano!
Si Dieu veut toujours droit devant,
Nous irons jusqu’à San Francisco.

Un jour, je reviendrai chargé de cadeaux.
Hisse et ho, Santiano!
Au pays, j´irai voir Margot.
A son doigt, je passerai l´anneau.

Tiens bon la vague tiens bon le vent.
(Tiens bon le cap tiens bon le flot.)
Hisse et ho, Santiano!
Sur la mer qui fait le gros dos,
Nous irons jusqu’à San Francisco.

Esta composição tem letra francesa de Jacques Plante e a música é, muito provavelmente, inspirada numa canção de marinheiros ingleses do século XIX. Que, durante a guerra entre os Estados Unidos e o México a cantavam em louvor do general-presidente Antonio López de Santa Anna, para fazerem pirraça aos ex-súbditos de Sua Majestade Britânica. Daí o nome esquisito da canção actual, «Santiano», que é, ao que parece, uma deformação do apelido do vencedor de Forte Álamo. Outros especialistas pensam, no entanto, que a canção em questão é muito mais antiga e que fazia referência a Santa Ana, padroeira da Bretanha e dos marinheiros dessa região costeira de França. De qualquer modo, na sua versão moderna, a dita foi popularizada por Hugues Aufray no início dos anos 60. Outros artistas a incluíram no seu repertório, tais como Laurent Voulzy ou o excelente grupo coral Les Marins d'Iroise. Pode ouvi-la no You Tube, cantada por qualquer destes artistas. É só escolher. Apreciador de canto polifónico, devo referir que gosto muito da maneira como «Santiano» é interpretada pelos Marins d'Iroise.

D. DINIS : REI-POETA, MAS DE OLHOS BEM ABERTOS

Diz-se das pessoas que se entregam à poesia, que são sonhadoras e pouco dadas a enfrentar o real. Não é absolutamente verdade ! Veja-se, por exemplo, o caso de el-rei D. Dinis, um dos primeiros poetas da nossa língua. Foi também um monarca sábio e justo e um bom administrador da coisa pública. A ele se ficou a dever, entre outros benefícios para a nação, a reforma da marinha nacional -com a contratação, em Itália, do almirante Pessanha- e com o plantio de matas e florestas, nomeadamente do pinhal de Leiria. Que valeu a D. Dinis (1261-1325) o epíteto de «plantador de naus a haver»,  que lhe foi dado pelo grande Fernando Pessoa; poeta do século XX, que aparentemente muito o admirava e que lhe dedicou estes versos na sua obra «Mensagem» :

«D. DINIS»

Na noite escreve um seu Cantar de Amigo
O plantador de naus a haver,
E ouve um silêncio múrmuro consigo :
É o rumor dos pinhais que, como um trigo
De Império, ondulam sem se poder ver.

Arroio, esse cantar, jovem e puro,
Busca o oceano por achar;
E a fala dos pinhais, marulho obscuro,
É o som presente desse mar futuro,
É a voz da terra ansiando pelo mar.

segunda-feira, 2 de junho de 2014

FARTURAS

Sempre que vou a Nisa, nas manhãs de domingo, dirijo-me à praça da vila para ali comer uma (ou duas) farturas. Que são das melhores que já saboreei. Evidentemente, as diabetes e o colesterol alto (quem os não tem...) aconselham visitas espaçadas a esse verdadeiro 'antro de perdição'. A propósito, sabiam que em muitas localidades do Alto Alentejo (inclusivamente na minha aldeia) já se chamou 'borrenhol' (ou algo parecido) às farturas ? -E que, na notável e já citada vila de Nisa, o seu nome mais comum foi, outrora, o de 'porra frita' ?