sábado, 1 de outubro de 2011

IMAGEM INSÓLITA


Habituados que estamos a ver os soldados da paz na luta contra os incêndios, estranhamos vê-los evoluir, aqui, numa paisagem gelada. Pela leitura das matrículas dos veículos e por outros detalhes, verificamos que se trata de uma equipa de 'Marins Pompiers' (bombeiros marinheiros) de Marselha. A fotografia -de autor que desconheço- foi tirada aquando de uma operação da ajuda aos automobilistas em dificuldades numa estrada do sul de França, durante um violento nevão

ZENIT x PORTO


Muita tinta e saliva se gastaram nestes últimos dias para justificar o injustificável : a derrota do F. C. Porto infligida, de maneira limpa, pelo Zenit de São Petersburgo. O 'clube do dragão' está mais enfraquecido do que nas precedentes épocas desportivas; isto porque não se pode ganhar milhões com a venda de jogadores essenciais e continuar a vencer nos relvados. Os desafios com o a modesta equipa do Feirense (empate), com o Benfica (empate) e com o Zenit (derrota) são provas do que afirmo e que só os facciosos não vêem


O internacional português Danny, da formação russa, foi um dos artífices da vitória merecida do Zenit de São Petersburgo contra o campeão nacional

sexta-feira, 30 de setembro de 2011

MARAVILHAS DA GASTRONOMIA LUSA


Duas coisas me surpreenderam no final do concurso que determinou (graças ao critério do maior número de telefonemas) a escolha das 7 Maravilhas da Gastronomia Portuguesa :

1) a ausência de um prato de bacalhau... Porque, durante séculos, o 'fiel amigo' foi o mata-fome dos Portugueses de condição modesta, e que, hoje, tem o estatuto de prato fino, que já quase só vai à mesa dos privilegiados devido à carestia da matéria prima, cada vez mais rara


2) o esquecimento a que foi votada a cozinha do Alentejo, tão simples, tão sápida, tão boa. Não só no que concerne as sopas e as carnes, mas também no que diz respeito aos doces de tradição conventual; como o pão de rala que a imagem documenta. Mas tratou-se apenas de um concurso; porque na verdade, cada português tem na cabeça a sua própria lista das 7 Maravilhas...

quinta-feira, 29 de setembro de 2011

QUE É FEITO DESTAS VELHAS FITAS... ?

Peço desculpa a quem se sentir ofendido, mas sou de opinião que os canais de cinema da TV portuguesa não valem um caracol. Os filmes difundidos pelos ditos são, maioritariamente, de produção recente e, quase sempre, de mesma origem; embora o facto de procederem, essencialmente, dos 'states' não seja, de modo algum, um problema. Em França, onde vivi largos anos, havia canais especializados em filmes ditos clássicos, que difundiam películas dos anos 40, 50 e 60, com agrado dos espectadores; que, talvez, por serem mais cinéfilos do que em Portugal, se deliciavam com a programação dessas antiguidades. Termo que não significa, de todo, mediocridades


Onde param, entre mil outras, fitas como esta realizada nos anos 50 por Budd Boetticher ?


Ou esta, com Omar Shariff, inspirada por uma das obras literárias do fascinante Júlio Verne ?


Que é feito desta outra espantosa película (de Nicholas Ray) que nos transportou até ao mundo gelado dos esquimós, para convivermos com o caçador de focas Inuk (Anthony Quinn) e com a sua companheira Assiak (Yoko Tani) ?


E desta, que nos leva a afrontar (com os heróis da fita) os perigos das savanas e das selvas da África negra ?


Por onde pára este filme de aventuras, cuja acção de desenrola no México de inícios do século XX, onde o herói protagonizado por Robert Mitchum, trafica armas e arrisca a pele, umas vezes por dinheiro e outras vezes pelos lindos olhos de uma mulher bonita ?


Quem se lembra ainda desta obra de Mark Robson, com acção nos mares frígidos do Árctico, na qual Alan Ladd representa o papel de um valoroso caçador de baleias ?


Ou desta (com Louis Hayward e Janet Blair), inspirada num romance de R. L Stevenson, cuja acção decorre em Inglaterra, nos anos turbulentos da Guerra das Duas Rosas ?


Parece que os programadores de filmes para a televisão esqueceram (ou desprezam) os clássicos do cinema mundial, penalizando os saudosistas de cinema de há meio século. E privando os mais jovens telespectadores de verem outra coisa do que aquilo (muitas vezes de má qualidade) que eles até podem ver nas salas de cinema e nos DVD's que nos impingem. Assim não vale !

CAVALARIA DE OLIVENÇA


Esta explêndida aguarela do coronel Ribeiro Arthur (publicada aqui há uns anos atrás no «Jornal do Exército») mostra um soldado português do Regimento de Cavalaria da Praça de Olivença (1762)

quarta-feira, 28 de setembro de 2011

OS FILMES DA MINHA VIDA (74)


«A ÁGUIA VOA AO SOL»

FICHA TÉCNICA
Título original : «The Wings of Eagles»
Origem : E. U. A.
Género : Drama/Biográfico
Realização : John Ford
Ano de estreia : 1957
Guião : Frank Fenton e William W. Haines
Fotografia (c) : Paul Vogel
Música : Jeff Alexander
Montagem : Gene Ruggiero
Produção : Charles Schnee
Distribuição : Metro Goldwyn-Mayer
Duração : 110 minutos

FICHA ARTÍSTICA
John Wayne …………………………………………………. Frank ‘Spig’ Wead
Maureen O’Hara ………………………………………….. Min Wead
Dan Dailey …………………………………………………….. ‘Jughead’ Carson
Ward Bond ……………………………………………………. John Dodge
Ken Curtis ……………………………………………………… John Dale Price
Edmund Lowe ………………………………………………… almirante Moffett
Kenneth Tobey ……………………………………………… capitão Herbert A. Hazard
James Todd ………………………………………………….. Jack Travis
Barny Kelley ………………………………………………….. capitão Jock Clark
Henry O’Neal ………………………………………………… capitão Spear

SINOPSE
Poucos anos depois de ter terminado a 1ª Guerra Mundial, Frank Wead alista-se na ‘US Navy’ e torna-se num dos exuberantes cadetes da sua escola de pilotos-aviadores. Perante a rivalidade tradicional com os colegas do Exército, Wead não hesita em envolver-se, com os seus companheiros de curso, em fenomenais e virulentas brigas. Só se acalmando, quando está em jogo a sua paixão de voar.
O jovem piloto, que é, rapidamente, reconhecido como um dos áses da aviação naval norte-americana, participa na disputa de vários troféus internacionais de aviação e em muitos outros eventos ligados ao mundo da aeronáutica.
Frank Wead casa-se, ainda jovem, com a bela Min, que ele acaba por negligenciar por causa dos aviões; até que um terrível acidente o condena à cama do hospital militar por um longo período. Traumatizado pela sua incapacidade física, Frank provoca uma ruptura sentimental e o casal separa-se. Impossibilitado de fazer outra coisa, o oficial de marinha começa a escrever roteiros para o cinema, acabando por tornar-se uma celebridade em Hollywood. Essa sua nova condição de escritor de sucesso, acaba por provocar uma aproximação com Min e por facilitar a reconciliação. Mas esse novo período de felicidade do casal tem vida efémera, pelo facto de, entretanto, ter estalado a 2ª Guerra Mundial e de Wead se ter oferecido voluntariamente para defender o seu país. Depois de ter servido algum tempo a bordo de um porta-aviões, Frank ‘Spig’ Wead é vítima de uma crise cardíaca, que o força, de novo, à imobilidade. Esse estado (que provoca a sua desmobilização da armada) tem, porém, a vantagem de o aproximar, desta vez definitivamente, da sua esposa e das suas duas filhas…

O MEU COMENTÁRIO
Baseado no livro autobiográfico de Frank Wead (e com algumas fantasias pelo meio), «A Águia Voa ao Sol» é um filme tipicamente fordiano não só pelo tom, mas também pelo elenco, que reúne meia dúzia de actores da ‘entourage’ do cineasta, tais como o par Wayne/O’Hara, Ward Bond, Ken Curtis, etc.
Frank ‘Spig’ Wead –a figura aqui retratada- foi , efectivamente e como refere esta película, guionista de filmes de guerra, geralmente conotados com a aviação. Devem-se lhe, por exemplo e entre outros, os roteiros de «Dirigible» (realizado em 1931 por Frank Capra), «Air Mail» (Ford, 1932) e «Ceiling Zero» (Howard Hawks, 1936). Esta actividade foi-lhe praticamente imposta pelo seu saber na matéria, mas, sobretudo por causa de um inesperado desastre, que o condenou à inactividade enquanto piloto militar.
«A Águia Voa ao Sol» é um bom filme, que eu lamento não ter ainda interessado (aqui na Europa) os editores de DVD’s. Isto, quando se vendem por aí (digo e repito) cópias de fitinhas sem o mínimo interesse cinematográfico. Lamentável !
Para dar ao seu trabalho uma maior credibilidade, John Ford (que foi amigo de Wead) não hesitou em inserir, nesta sua película, sobretudo nas sequências consagradas à chamada Guerra do Pacífico, imagens de arquivo provenientes, muitas delas, das cinemetralhadoras de aviões de combate. A colaboração da ‘US Navy’, que abriu as portas de algumas das suas bases e o acesso dos seus navios ao cineasta, também facilitou, e muito, o trabalho feito pelo mais famoso zarolho da História do Cinema; que chegou (como é do conhecimento geral) a embarcar nas unidades da armada dos E.U.A. e a afrontar os perigos da guerra contra os Japoneses…

(M.M.S.)


Cartaz francês


Cartaz espanhol


Cartaz alemão


Esta é uma das cenas hilariantes deste filme... que até é um drama


Cartaz norte-americano


Capa da cassete VHS com cópia do filme editada na Grã-Bretanha


Cartaz dinamarquês


Frank Wead (John Wayne) e a sua esposa Min (Maureen O'Hara) numa cena de intimidade doméstica


Cartaz argentino


Cartaz belga


Outro cartaz promocional norte-americano

OURO ! OURO !


A crise financeira fez disparar os preços do ouro, da prata e de outros metais preciosos; que nunca estiveram tão altos. Vítimas do desemprego e de outras calamidades que afligem a nossa sociedade, os Portugueses estão (segundo notícias dos jornais) a precipitar-se para as lojas dos especialistas na compra do ouro usado, que começaram a proliferar por todas as cidades e vilas deste país economicamente doente. Isto, para vender jóias da família, às quais até, muitos deles, estavam ligados por laços de afecto. Mas a vida é assim, vendem-se os anéis para ficarem os dedos. Outra indústria que tem prosperado graças, simultaneamente, à crise vigente e à alta de preços de metais preciosos é a dos assaltos a lojas de ourives e assimilados. Geralmente, os bandoleiros actuam subita e violentamente, deixando atrás de si um rasto de destruição e de sangue. Por vezes com mortos. E as autoridades (também elas vítimas da crise...) continuam a perder terreno, face à multiplicação dos ataques à mão armada e à ousadia inaudita dos ladrões. As pessoas honestas desta terra, naturalmente amedrontadas com a situação alarmante deste novo e perigoso Faroeste, perguntam com alguma legitimidade : até quando ?