
Neste verão (que ainda não acabou) já arderam em Portugal mais de 100 000 hectares de floresta. Um desastre ecológico escandaloso e sem fim à vista. Como em anos passados, os peritos habituais -que, ao longo dos anos, nada resolveram- vieram solenemente dizer ao país que não é por falta de meios (nomeadamente aéreos) que as nossas florestas são ciclicamente devoradas pelo monstro. Pelo nosso principal inimigo, contra o qual não há submarinos, 'pandurs' ou F-16 que nos valham. Para adquirir esses engenhos bélicos, capazes de travar o avanço de um mais que hipotético invasor, gastaram-se rios de dinheiro e comprometeu-se a economia da nação por décadas. Mas para travar o adversário real e imediato, pouco ou nada se gasta. Nessas tristes circunstâncias, vimos, este ano e mais uma vez, os bombeiros e os particulares a tentarem rechaçar o avanço das chamas com veículos terrestres ineficazes e até com a ajuda de mangueiras de jardim e de ramos de árvores. Entretanto, os países vizinhos continuam a armar-se contra o os incêndios florestais, flagelo que, todos os anos e sem declaração de guerra, nos bate à porta. A França, por exemplo, além de dispor de outros meios de defesa da sua floresta, equipou-se com uma numerosa frota de bombardeiros de água do tipo Canadair. E, entre 1995 e 2004, substituíu todos os seus velhos CL-215 por 12 novos aviões mais modernos e mais eficazes do tipo CL-415. Todos os outros países da margem europeia do Mediterrâneo -da Espanha até à Grécia- investiram nesse material; que não previne as catástrofes é certo, mas que utilizado maciçamente e em tempo útil, pode matar muitos incêndios à nascença e evitar prejuízos de milhões, além de muitos dramas pessoais... Será que com a compra desse material não há (contrariamente à dos submarinos) a hipótese de meter alguma massa nos bolsos dos corruptos do costume, como dizem muitos populares ?

Apelar ao civismo da população é importante, mas não chega

Por não se saber, neste país, definir prioridades, temos submarinos capazes de rebentar com um porta-aviões e fragatas lança-mísseis e caça-bombardeiros F-16 que podem devastar cidades; mas faltam-nos meios para combater o inimigo que, todos os anos pelo verão, nos bate à porta...
(na foto, alinhamento de aviões Canadair CL-415 da 'Protection Civile', algures em França)
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