segunda-feira, 21 de novembro de 2016

ESPÉCIE EXTINTA


O Solitário-de-Rodrigues ('Pezophaps solitaria') viveu até ao século XVIII (presumivelmente até 1760) na ilha do oceano Índico que lhe deu o nome(*); e que está integrada, hoje, na República Maurícia. Pertencente à ordem dos Colombiformes, esta ave de grande porte dispunha de asas demasiado atrofiadas para poder voar. Viveu sem predadores até à chegada, no século XVI e seguintes, dos primeiros navegadores europeus : Portugueses, Holandeses, Franceses; que, para se abastecerem de carne fresca, lhe moveram uma caça feroz. Esses homens também ali deixaram animais de companhia -gatos e cães- que, esfaimados, ajudaram a dizimar o Solitário. Que, assim, teve o mesmo trágico destino do seu parente e vizinho mauriciano, o Dodô ('Raphus cucullatus').


(*) A ilha Rodrigues deve a sua descoberta e o seu nome ao navegador português Diogo Rodrigues, que ali arribou no ano de 1528, no decurso de uma viagem para a Índia. Os holandeses só por ali, passariam, pela primeira vez, 73 anos mais tarde -em 1601- quando uma frota colocada sob as ordens do almirante Wolfert Harmensz e com destino a Batávia (hoje Jacarta, na actual Indonésia) ali fez uma breve escala.

domingo, 20 de novembro de 2016

ROSA VERMELHA


ROSA VERMELHA

Trago uma rosa vermelha
Aberta dentro do peito
E já não sei se é comigo
Se é contigo que me deito

A minha rosa vermelha
Mais parece uma romã
Pois quando aberta de noite
Não se fecha de manhã

Trago uma rosa vermelha
Na minha boca encarnada
Quem me dera ser abelha
De tua boca fechada

Trago uma rosa vermelha
Não preciso de mais nada


* José Carlos Ary dos Santos *

PONTE SUSPENSA SOBRE O SENA

Eis aqui, em toda a sua imponência, a Ponte de Normandia, que cruza o rio Sena a escassos quilómetros do seu estuário. Esta notável obra de engenharia, projectada por Michel Virlogeux, foi inaugurada em Janeiro de 1995 e encurta (de muitos quilómetros) a distância entre o Havre (e o seu porto marítimo e importante zona industrial) da região outrora chamada Baixa Normandia. Tem um comprimento total de 2 143 metros por 23,60 metros de largura. A altura máxima dos seus pilares atinge cerca de 215 metros. A suspensão do tabuleiro (que mede 856 metros entre pilastras) é assegurada por 184 fortes cabos de aço. Para executar esta obra (uma ponte rodoviária com duas vias), foram necessários 7 anos de trabalho a técnicos e operários. O pagamento de uma portagem é aplicado a todos os veículos que utilizam esta via. Já por lá circulei uma meia dúzia de vezes... Num tempo em que a Normandia e regiões vizinhas faziam parte do meu mundo.

COMENDADOR HOMENAGEADO ALÉM-FRONTEIRA

Badajoz, cidade espanhola da raia, homenageou o empresário campomaiorense Rui Nabeiro, dando o seu nome a uma das suas artérias. A 'Avenida Comendador Rui Nabeiro', agora inaugurada pelas autoridades locais e com a presença do preiteado e da sua família, é o reconhecimento a um homem que se tem particularmente distinguido no incremento dado à economia da região fronteiriça e empenhado no estreitamento de relações amigáveis entre as gentes do Alto Alentejo e da Extremadura. Creio que aqui, em terras transtaganas, toda a gente se congratula com esta homenagem prestada a um homem emprendedor (na realidade, um senhor !) no qual todos reconhecem, igualmente, um benfeitor simples e discreto.

sábado, 19 de novembro de 2016

O HOMEM QUE REFUTAVA A GENIALIDADE

«Não quero ser um génio. Já tenho muitos problemas a tentar ser um homem»

** Dixit Albert Camus (1913-1960), escritor francês galardoado com o Prémio Nobel da Literatura em 1957 **

«VISITA GUIADA» - UMA EXCELENTE SÉRIE DOCUMENTAL

Uma das minhas emissões preferidas, na televisão portuguesa, é «VISITA GUIADA»; que se debruça sobre variadíssimos temas da cultura portuguesa. Já tem dezenas de documentários -transmitidos pela RTP2- cuja autora, editora e apresentadora é a mui profissional, conhecida e conceituada Paula Moura Pinheiro. «VISITA GUIADA» (que também tem difusão radiofónica da responsabilidade da estação Antena 1) aborda temas muito distintos, que vão da história de uma pequena peça de ourivesaria, de uma tela ou de uma escultura, até à de uma imponente catedral, passando por uma fortaleza ou pelos vestígios de um conjunto de fábricas da moderna era industrial. Assuntos todos eles do maior interesse, que dispensam -paralelamente à informação e ao saber transmitidos- um gozo muito especial aos telespectadores. É o meu caso; que nunca acabo de ver um desses documentários com a sensação de ter perdido o meu tempo. Últimamente, tenho visto números antigos dessa magnífica série na Internet, onde eles estão quase todos disponíveis. Só tenho pena é que a produção não tenha pensado ainda em reuni-los em suporte DVD e assegure a sua difusão comercial. Eu cá seria cliente...

HOMENAGEM A FERNÃO DE MAGALHÃES, QUE À TERRA FOI O PRIMEIRO A DAR A VOLTA


Esta figura -aqui imortalizada na pedra desse extraordinário monumento que é o Padrão dos Descobrimentos- representa Fernão de Magalhães. Que foi, porventura, o mais insigne marinheiro e um dos mais ilustres capitães desta velha nação de navegadores e de guerreiros. Membro de uma família da pequena fidalguia nortenha, Fernão terá nascido (na Primavera de 1480) na pequena localidade hoje chamada Paço Vedro de Magalhães, situada não muito longe de Ponte da Barca. Mas a sua naturalidade também é reivindicada pelo Porto, por Vila Nova de Gaia, por Sabrosa e por outras cidades e vilas, que gostariam de ter a honra de o contar entre os seus filhos mais dilectos. Magalhães veio a falecer, combatendo, no dia 27 de Abril de 1521, numa praia da ilha filipina de Cebu. Tinha, então, 41 anos de idade e encontrava-se ao comando do que restava da expedição de 5 navios (espanhóis), que empreendeu -segundo as suas ideias e planos- a primeira viagem de circum-navegação da Terra... Ao serviço do reino de Portugal, Magalhães esteve na Índia (onde participou nalgumas das mais renhidas batalhas navais que os Portugueses ali travaram, como a de Cananor, onde foi ferido, e no combate decisivo de Diu ), nas Molucas e acompanhou, em 1511, o grande Afonso de Albuquerque na conquista de Malaca. De regresso do Oriente, serviu na Praça de Azamor (norte de África), onde também foi ferido num combate contra os mouros. Em meados de 1514 encontrava-se em Lisboa, onde, por causa do aumento de uma tença (que ele julgava merecer) se zangou com D. Manuel I. E, em 1517, já estava no reino vizinho, onde (com a ajuda do bispo de Burgos) submeteu os seus audazes planos de viagem à volta do mundo ao imperador Carlos V. O resto da história é sobejamente conhecido. E o facto de ele ter morrido antes de terminado esse fantástico périplo, através dos três mais vastos e perigosos oceanos do planeta, em nada diminuiu a sua façanha; que foi feita de actos de valentia e do saber científico que acumulara ao longo dos seus curtos anos de vida. Ainda hoje, o nome de Fernão de Magalhães é respeitadíssimo e considerado. Muita gente, incluindo a maioria dos historiadores que se debruçaram sobre a sua vida e as suas viagens, o consideram o maior navegador de todos os tempos. E ele é-o, sem favor. Basta recorrer ao testemunho de Pigafetta -cronista que sobreviveu à tormentosa navegação à volta do globo- para nos apercebermos da qualidade do homem em questão e do legado que ele deixou à humanidade. Que é unânime em reconhecer no nosso Fernão de Magalhães uma das grandes figuras da História Universal. Em relação a Fernão de Magalhães só não percebo uma coisa : porque é que o seu nome nunca foi dado a um navio da nossa armada ? -Foi-me respondido, aqui há tempos, que isso ficou a dever-se à 'traição' de ter servido, durante os seus derradeiros anos de vida, os interesses dos nossos rivais ibéricos. Desculpa que não deixa de ser extraordinária ! E que mete em causa todos aqueles portugueses que, numa fase difícil da sua existência, deixaram este país para rumar ao estrangeiro; onde encontraram melhores condições para concretizar as suas legítimas ambições e para realizar os seus projectos. Se é só por isso, bem podem os nossos almirantes limpar as mãos à parede... Porque ostracizar o nome do maior marinheiro de toda a História da navegação à vela é absolutamente indigno. Enfim, tens de contentar-te Magalhães com o facto de teres o teu nome inscrito na fuselagem de um jacto da TAP ou por teres dado o teu apelido a uma nave espacial da NASA. Por teres dado o teu nome a um estreito que liga o Atlântico ao Pacífico ou a uma província do Chile. Por teres deixado o teu nome (e o das tuas origens, obviamente) a uma espécie de pinguins da América do Sul, a uma nebulosa, a um ponto geográfico do nosso satélite natural, etc. Só da armada portuguesa tu não levas nada. Embora tenhas demonstrado a tua valentia e derramado o teu sangue em batalhas gloriosas disputadas nos mares do Oriente e nas fortalezas assediadas de Marrocos. Aguenta herói !


«A Igreja diz que a Terra é achatada, mas eu sei que ela é redonda, porque vi a sua sombra projectada na Lua; e eu acredito mais numa sombra do que na Igreja».

(Frase atribuída a Fernão de Magalhães, navegador português dos séculos XV e XVI)