domingo, 25 de setembro de 2011

SIMPLESMENTE BELO


Quando a Natureza teima em deslumbrar-nos, o resultado pode ser este que a imagem documenta

sábado, 24 de setembro de 2011

DELICIOSA 'TÊTE DE VEAU'


Em cima : a matéria prima (uma cabeça de vitelo/a), antes de ser cozida e desossada. Em baixo : já preparada e pronta para ser saboreada


Depois de uma prolongada ausência , voltei este ano a França, país onde vivi 40 anos da minha vida. Em 2011 estive lá por três vezes. Se calhar para fazer jus àquele ditado que diz : «não há fome que não dê em fartura». A última dessas minhas estadias ocorreu em fins de Agosto, aproveitando eu a ocasião para petiscar algumas daquelas coisas que, por cá, nos estão vedadas, por não fazerem parte das nossas tradições gastronómicas. Assim, aproveitei para me deliciar com uma 'tête de veau, sauce ravigotte', que é, definitivamente, um dos meus pratos preferidos. O meu encontro com essa especialidade culinária da França profunda teve lugar num restaurante já meu conhecido : «La Petite Auberge», na rua Martainville, em Rouen (Alta Normandia). Que prepara esta iguaria 'comme il faut'


O famoso prato apresentado na sua versão aligeirada; sem molho e sem acompanhamento de batatas


Aqui acompanhado com um molho 'gribiche' (em cuja composição entram alcaparras)


E aqui com molho 'ravigote' (que, em vez das alcaparras, leva 'cornichons', os pepininhos de conserva). Devo dizer que gosto, igualmente, destes dois molhos que acompanham tradicionalmente este prato delicioso e robusto


Rouen (ou Ruão, de seu nome português) : a rua Martainville, à direita, na sua confluência com a rua Damiette. Zona da cidade (à sombra da magnífica igreja de Saint Maclou) onde, geralmente, se come bem. A «Taverne Walsheim», em primeiro plano, é um restaurante alsaciano especializado em 'choucroutes' e outros mimos da gastronomia típica do leste da França. Também a frequentei amiúde, com a minha família e com os meus amigos...

POLIKARPOV I-16


O aparelho apresentado neste 'post' é o Polikarpov I-16; que aqui ostenta as cores da república espanhola. Este modelo de avião de caça voou, pela primeira vez em 31 de Dezembro de 1933 e foi construído a mais de 7 000 exemplares. Estava equipado com
um motor radial Shvestov M-25V, que desenvolvia uma potência de 750 cv. Este engenho permitia ao I-16 voar à velocidade máxima de 450 km/h, de atingir o tecto de 8 230 m e de dispor de um raio de acção de 800 km. Este caça soviético -que teve participação activa na Guerra Civil de Espanha, onde era popularmente conhecido pelo nome de 'Mosca'- estava armado com 4 metralhadoras de 7,62 mm (2 colocadas no 'focinho' e 2 outras nas asas) apresentava as seguintes características físicas : 9 m de comprimento; 5,85 m de envergadura; 2,57 m de altura; 15,54 m2 de superfície alar. Reinou nos céus de Espanha até ao aparecimento do Messerschmitt 109, da famigerada Legião Condor, que, de concepção mais moderna, o suplantou

sexta-feira, 23 de setembro de 2011

OS FILMES DA MINHA VIDA (73)


«REPRESÁLIA SANGRENTA»

FICHA TÉCNICA
Título original : «Reprisal !»
Origem : E. U. A,
Género : Western
Realização : George Sherman
Ano de estreia : 1956
Guião : David P. Harmon, Raphael Hayes e David Dortort
Fotografia (c) : Henry Freulisch
Música : Mischa Bakaleinikoff
Montagem : Jerome Thoms
Produção : Lewis J. Rachmill
Distribuição : Columbia Pictures
Duração : 74 minutos

FICHA ARTÍSTICA
Guy Madison …………………………………………..…… Frank Madden
Felícia Farr ………………………………………………. Catherine Cantrell
Katheryn Grant ……………………………………….. Taini
Michael Pate …………………………………………….. Bert Shipley
Edward Platt …………………………………………….. Neil Shipley
Otto Hulett ……………………………………………….. xerife Jim Dixon
Wayne Mallory ………………………………………….. Tom Shipley
Robert Burton ……………………………………………. Jeb Cantrell
Ralph Moody ……………………………………………….. Matara
Frank de Kova ………………………………………….. Charlie Washackle

SINOPSE
Frank Madden, que comprara um rancho nas cercanias de uma cidadezinha do Oklahoma, assiste involuntariamente ao julgamento dos irmãos Shipley, acusados do assassínio de vários membros da comunidade Cherokee. E não deixa transparecer a sua raiva e a sua indignação quando os jurados, reunidos para a circunstância, ilibam os réus de qualquer culpa e os mandam libertar.
É também em vão que a bela Cathterine Cantrell, filha do responsável pela repartição local de registo de propriedades, tenta alertar Madden para a situação injusta vivida pelos pele-vermelhas da região, que são alvo de constantes vexames, espoliações e agressões por parte da população branca.
Mas, Frank Madden apenas se preocupa com o rancho recentemente adquirido e com a melhor maneira de tirar proventos dessa terra. Até que, um dia, surge na sua propriedade um velho índio, que lhe lembra que é eu avô, pai da sua mãe cherokee.
Madden tenta, num primeiro tempo, repudiar a amizade e a colaboração oferecida pelo seu ascendente, porque a posse de propriedades privadas é um privilégio reservado aos indivíduos de raça branca e porque, na óptica destes, um mestiço é apenas e somente mais um índio.
A atitude de Frank Madden vai mudar radicalmente, quando as provocações dos manos Shipley o atingem pessoalmente e quando o seu velho avô sacrifica voluntariamente a sua própria vida para salvar a do neto mestiço. Os revólveres de Madden dizimam, então, os desordeiros da cidade e, depois de uma confissão pública sobre as suas raízes autóctones, o jovem abandona o rancho que tanto desejara conservar.
Algumas brechas se abriram, no entanto, na atitude intolerante da comunidade branca. E o regresso (num futuro mais ou menos próximo) de Frank Madden àquela recuada região do Oklahoma já não é de excluir…

O MEU COMENTÁRIO
«Represália Sangrenta» (filme com roteiro adaptado de um romance de Arthur Gordon) é um western de boa factura, dirigido por George Sherman, um cineasta experimentado. O tema desta película é bastante original e o naipe de actores escolhido pela produção foi judiciosa, já que todos os intervenientes se empenharam em transmitir às personagens que protagonizaram o ar de autenticidade esperado.
Guy Madison, que dá o corpo e alma ao herói da fita, assinou em 1946 com a companhia RKO Rádio Pictures o seu primeiro contrato de trabalho no mundo do espectáculo cinematográfico. E em 1948 foi escolhido para interpretar o principal papel masculino naquele que seria o seu primeiro western : «O Rio do Massacre». O facto de Guy já ter encarnado, na televisão, a figura de um famoso justiceiro do Oeste –na série «The Adventures of Wild Bill Hickok»- granjeou-lhe popularidade e abriu-lhe novas oportunidades junto das produtoras de cinema, que lhe ofereceram, sucessivamente, papéis noutros filmes ambientados no Faroeste, tais como «O Monte do Diabo», «Rio das Penas», «Sete Dias de Perseguição», «Os Bravos Não Voltam Costas», «Represália Sangrenta» (aqui em apreço), «Desforra Fatal» e «A Marca do Chicote». Em meados da década de 60 (do século passado) o actor transferiu-se para a Europa, onde participou em várias ‘coboiadas’ prodizidas em Itália e na Alemanha. Guy Madison –que foi casado com Gail Russell durante cinco anos- faleceu em 1996, com 74 anos de idade.
Felícia Farr (com seis westerns de longa metragem na sua filmografia) e Kathryn Grant (com três) também são figuras conhecidas dos amadores de aventuras westernianas.
Que eu saiba, «Represália Sangrenta» nunca teve honras de edição videográfica. O que é pena, porque se trata, como eu já acima referi, de um bom western anti-racista, realizado por um excelente fazedor de fitas do Oeste. Cineasta que, recordo, realizou ao longo da sua carreira –que decorreu entre 1937 e 1971, mais de 60 fitas do género ! Entre as quais figuram algumas que jamais se apagarão da memória dos cinéfilos.

(M.M.S.)


O actor Guy Madison encarna, nesta fita, a figura de Frank Madden. Apesar do seu físico de atleta, das suas reconhecidas qualidades de intérprete e da sua grande popularidade, Madison nunca alcançou, verdadeiramente, o estatuto de estrela de Hollywood. Nessas condições, este actor californiano (que se chamava, na realidade, Robert Ozell Moseley) viu-se forçado a abandonar a chamada Meca do Cinema para vir trabalhar para a Europa; onde rodou -a partir de 1960- inúmeros filmes. Entre os quais se contam alguns 'western spaghetti'


Felicia Farr é, em «Represália Sangrenta», Catherine Cantrell, uma defensora dos direitos dos Cherokee


Kathryn Grant representa, nesta película, o papel de Taini, uma bonita índia


Naquele recanto do Oklahoma, os direitos dos índios Cherokee são espezinhados pela população branca...


Cartaz belga


Crise identitária : para beneficiar de direitos reservados aos brancos, Madden (Guy Madison) começa por esconder as suas raízes indígenas...


Os brancos multiplicam as provocações aos membros da população índia. À direita : o mestiço Frank Madden (Guy Madison) e a pele-vermelha Taini (Kathryn Grant)


Cartaz italiano


No 'saloon' da terra, Frank Madden é alvo de acintes; que podem, de um momento para o outro, descambar em violência descontrolada...


Felicia Farr e Guy Madison numa bonita cena de «Represália Sangrenta». Contrariamente ao que se pode depreender pelas fotografias aqui publicadas, esta fita de George Sherman foi rodada em explendoroso Technicolor


Este é um dos cartazes que promoveu «Represália Sangrenta» nos Estados Unidos da América

quinta-feira, 22 de setembro de 2011

TRISTE NOTÍCIA...


Faleceu hoje, nos Hospitais da Universidade de Coimbra, o histório dirigente africano Aristides Maria Pereira. Que foi uma das grandes figuras da luta contra o poder colonial, um dos fundadores da república de Cabo Verde (com Amílcar Cabral e outros patriotas) e um dos principais responsáveis pelo rumo democrático e honesto seguido por esse país, independente desde 1975. Aristides Pereira ia completar, no mês de Novembro, 88 anos de idade. Sucumbiu a uma operação óssea benigna, mas que se complicou e teve um desfecho fatal em consequência da diabetes. Aqui fica a nossa homenagem a este autêntico pioneiro da emancipação africana e os nossos votos para que o país que ele ajudou a fundar prossiga na rota da paz e do progresso

EXPLENDOROSO FIM DO DIA


Explendoroso pôr-do-sol no deserto de Sonora (Arizona, E.U.A.). Os gigantescos cactos 'saguaro' conferem a este quadro natural um aspecto algo fantasmagórico, mas de singular beleza...

A ESSÊNCIA DOS NOSSOS POETAS


CANÇÃO DO DESTERRO
(Emigrantes)

Vieram cedo
Mortos de cansaço
Adeus amigos
Não voltamos cá
O mar é tão grande
E o mundo é tão largo
Maria Bonita
Onde vamos morar

Na barcarola
Canta a Marujada
- O mar que eu vi
Não é como o de lá
E a roda do leme
E a proa molhada
Maria Bonita
Onde vamos parar

Nem uma nuvem
Sobre a maré cheia
O sete-estrelo
Sabe bem onde ir
E a velha teimava
E a velha dizia
Maria Bonita
Onde vamos cair

À beira de àgua
Me criei um dia
- Remos e velas
Lá deixei a arder
Ao sol e ao vento
Na areia da praia
Maria Bonita
Onde vamos viver

Ganho a camisa
Tenho uma fortuna
Em terra alheia
Sei onde ficar
Eu sou como o vento
Que foi e não veio
Maria Bonita
Onde vamos morar

Sino de bronze
Lá na minha aldeia
Toca por mim
Que estou para abalar
E a fala da velha
Da velha matreira
Maria Bonita
Onde vamos penar

Vinham de longe
Todos o sabiam
Não se importavam
Quem os vinha ver
E a velha teimava
E a velha dizia
Maria Bonita
Onde vamos morrer

(Zeca Afonso)