quinta-feira, 31 de dezembro de 2009
O IDEAL DE WHITMAN

Para Walt Whitman -um dos mais importantes poetas norte-americanos do século XIX- a vida ideal era isto : «escrever um pouco, trabalhar um pouco, deambular um pouco». Na sua primeira e mais conhecida obra, «Folhas de Erva», Whitman exaltou a sensualidade e a liberdade, numa linguagem pouco convencional e directa, que, para certos intelectuais do seu tempo, foi considerada crua e ultrajante.
terça-feira, 29 de dezembro de 2009
TURQUESA
OS FILMES DA MINHA VIDA (8)

«A HISTÓRIA DE GLENN MILLER»
FICHA TÉCNICA
Título original : «The Glenn Miller Story»
Origem : E. U. A.
Género : Biografia/Musical
Realização : Anthony Mann
Ano de estreia : 1954
Guião : Valentine Davies e Oscar Brodney
Fotografia (c) : William Daniels
Música : Glenn Miller e Henry Mancini
Montagem : Russell Schoengarth
Produção : Aaron Rosenberg
Distribuição : Universal International
Duração : 116 minutos
FICHA ARTÍSTICA
James Stewart ……………………………....… Glenn Miller
June Allyson …………………………………….…. Helen Burger Miller
Charles Drake ………………………………….…. Don Haynes
Henry ‘Harry’ Morgan ……………………. Chummy
George Tobias ……………………………………. Si Schreibman
Barton McLane …………………..………………. general Arnold
Sig Rumann …………….…………………………….. Kranz
Irving Bacon ……………….….…………. …. Sr. Miller
Kathleen Lockhart ………………………... Sra. Miller
James Bell ……………………………….……..…… Burger
Dayton Lummis………………………..……………..coronel Spaulding
Marion Ross……………………..……………………..Polly Haynes
SINOPSE
Por volta de 1925, em San Francisco, o jovem trombonetista Glenn Miller aspira encontrar um emprego estável no seio de uma das diferentes orquestras que animam as noites dessa grande urbe californiana. A oportunidade acaba por surgir, quando Bem Pollack o integra no seu já afamado conjunto musical. Esse emprego espevita de tal modo o orgulho de Glenn, que, pela primeira vez na vida, este se sente com coragem para declarar o seu amor a Helen, uma ex-colega da universidade.
No decorrer de uma tournée a Nova Iorque com a orquestra de Pollack, o jovem músico casa com Helen, acabando por comunicar à jovem esposa o seu entusiasmo pelo jazz. E, quando esse entusiasmo se transmuta em paixão, é a sua companheira quem incita o trombonetista a prosseguir os seus estudos musicais e o ajuda a realizar o sonho de formar a sua própria orquestra.
A estreia da ‘Glenn Miller Orchestra’ não se faz, porém, sob os melhores auspícios. Uma série de incidentes vem sabotar os esforços do jovem músico, que não consegue vencer os obstáculos do seu quotidiano profissional. Ao mesmo tempo, e para agravar tão precária situação, Helen perde o bebé que o casal ansiosamente esperava.
É, finalmente, graças à dedicada ajuda de Si Schreibman, um amigo, que a situação muda e que a sorte vai começar a sorrir a Miller. E os sucessos manifestam-se com maior frequência, quando o músico acaba por encontrar aquela harmonia, aquela sonoridade perfeita que, havia anos, o obsecavam. A popularidade de Miller tornou-se um fenómeno nacional e a sua formação musical passa a ser considerada pelo público como a melhor orquestra de dança de toda a América do norte.
Mas no momento em que o sucesso de Miller atinge o auge, os Estados Unidos são arrastados para o turbilhão da Segunda Guerra Mundial. E Glenn Miller abandona, então, o conchego do lar e a sua fortuna (complemento natural do seu sucesso) para cumprir aquilo a que ele chama o seu dever de americano, alistando-se como voluntário na Força Aérea.
Os arranjos ‘swing’ que Miller faz das tradicionais marchas militares, valem-lhe um acréscimo de notoriedade junto dos soldados em campanha e, também, inúmeras solicitações para animar espectáculos. Em Dezembro de 1944, Glenn Miller aceita o convite para abrilhantar uma grande festa em Paris e divertir, com a sua orquestra, os muitos milhares de G.I’s estacionados em França. A 15 desse mês, Glenn, que até então se encontrava em Inglaterra, embarca para a apelativa ‘Cidade-Luz’ num pequeno avião militar. Mas o aparelho nunca chegou a França, por se ter despenhado acidentalmente (ao que se presume) nas revoltas águas do mar da Mancha…
O MEU COMENTÁRIO
Apesar de todos os êxitos obtidos pelo duo Anthony Mann-James Stewart (que rodaram juntos vários filmes, inclusivamente uma inesquecível série de westerns), esta é, talvez, a película mais popular criada por essa excepcional parelha de profissionais do cinema. Produzida pela companhia Universal, «A História de Glenn Miller» dispôs de um orçamento bastante modesto, facto que não impediu este filme de gerar lucros da ordem dos 8 milhões de dólares. O que para a época não era nada mau. James Stewart, que, desde o fim da guerra, instaurara um sistema de ‘cachet’ baseado numa percentagem das receitas de bilheteira, deverá ter esfregado as mãos de contente, ao constatar, uma vez mais, que essa fórmula (que faria escola) era aquela que melhor compensava o trabalho dos actores.
O grande sucesso deste filme assentou, basicamente, na predilecção de milhões de espectadores pelo ‘swing’ e no carisma de Glenn Miller, tragicamente desaparecido (10 anos antes da estreia desta película, que lhe rende homenagem), quando ele se encontrava no apogeu da sua carreira artística.
«A História de Glenn Miller» é, pois, uma biografia romanceada (ao jeito de Hollywood) da vida e obra do popular músico. É uma fita na qual Anthony Mann evitou cair (com uma certa habilidade, diga-se de passagem) no melodrama lacrimejante, graças a uma judiciosa utilização das melhores composições do artista; que acabaram por servir de contraponto à tensão dramática que, por vezes, se manifesta no desenrolar do filme. É o que acontece, por exemplo, na fase final da fita, quando o espectador toma conhecimento da morte trágica de Miller, ocorrida na sequência de um desastre aéreo. Ao relatar esse nefasto acontecimento, que é –obviamente- de natureza a suscitar a tristeza do público, Mann temperou-o com uma nota alacre, ao inserir simultaneamente na banda sonora um dos mais famosos trechos musicais do ‘rei do swing’, o trepidante «Little Brown Jug».
Refira-se que, apesar de ter sido dobrado por Joe Yukl (um profissional competentíssimo) nas sequências em que toca, James Stewart nunca nos parece ridículo. Isso, porque o actor exigiu que lhe fossem ministradas algumas lições de trombone, antes de se lançar neste trabalho de interpretação, de modo a poder manipular correctamente o instrumento.
A principal protagonista feminina desta excelente obra de Anthony Mann é a simpática June Allyson. Esta popular estrela de Hollywood era casada com o conhecido actor Dick Powell; que, pelo facto de June ter sido a esposa de Stewart em vários filmes, tinha por hábito anunciar, ironicamente, a chegada do popular Jimmy (nas recepções e espectáculos em que participavam) deste modo : «Aí vem o marido da minha mulher» !
Note-se ainda, e para finalizar estas linhas, a participação neste filme de alguns dos melhores e mais afamados ‘jazzmen’ dos anos 50 : Louis Armstrong, Ben Pollack, Gene Kruppa e muitos outros, que, em «A História de Glenn Miller», interpretam as suas próprias personagens.
(M.M.S.)

James Stewart (à direita) interpretando o papel do compositor e chefe de orquestra Glenn Miller

June Allyson e James Stewart são as vedetas do filme que conta (de maneira romanceada) as vidas de Helen e de Glenn Miller

Fotografia do verdadeiro Glenn Miller executando uma das suas famosas melodias, que tanto sucesso alcançaram nos Estados Unidos e na Europa...
segunda-feira, 28 de dezembro de 2009
CORVETA «ACONIT»

Bandeira de guerra das Forças Navais da França Livre
No início do ano de 1943, a batalha do Atlântico estava no seu auge. Os submarinos alemães tentavam interromper, desesperadamente, o fluxo vital de mercadorias (víveres, armas, munições, combustíveis, etc) provenientes do Novo Mundo e que se destinavam a assegurar a sobrevivência da Grã-Bretanha e da U.R.S.S., potências beligerantes aliadas dos Estados Unidos na guerra contra o nazismo. Os navios mercantes tomavam as medidas adequadas para se precaver dos ataques dos chamados ‘lobos cinzentos’ de Doenitz, navegando em comboios protegidos por fortes escoltas navais, nas quais figuravam unidades especialmente concebidas para a luta anti-submarina : porta-aviões ligeiros, cruzadores, contratorpedeiros, corvetas. Mas a ousadia e a perseverança dos submarinos tudescos era de tal ordem, que raro era o comboio que não sofria perdas severas. Em navios e respectivos carregamentos, mas também em homens. A balança acabou, no entanto, por pender para o lado dos Aliados e a crucial batalha do Atlântico veio juntar-se ao rol de vitórias alcançadas na luta contra Hitler e o seu poder maquiavélico. A vitória final dos Aliados teria lugar no dia 1º de Maio de 1945, quando o Exército Vermelho -superiormente comandado pelo marechal Jukov- conquistou Berlim e obrigou o ‘führer’ e alguns dos seus mais influentes seguidores a suicidarem-se.
Foram muitos os navios e as tripulações (de várias nacionalidades) que se ilustraram na luta contra os famigerados ‘U-boots’ germânicos, contribuindo, assim, para a derrocada do nazismo. Um deles foi a corveta «Aconit», das Forças Navais da França Livre, sediadas em Inglaterra e colocadas sob o comando supremo do general Charles de Gaulle. Este modesto navio (de, apenas, 1 000 toneladas de deslocamento) escoltava -no início do mês de Março de 1943- o comboio denominado HX 228, que navegava no Atlântico norte. Atacado pelos submersíveis inimigos, esse comboio registou a perda de vários navios mercantes. Durante a acção, ocorrida na noite de 10 para 11 do supracitado mês, a «Aconit» afundou dois submarinos alemães, o «U-444» e o «U-432». Mas a proeza da «Aconit» não se resumiu a isso, já que a equipagem da corveta francesa pôde ainda salvar duas dezenas de vidas : membros da tripulação do contratorpedeiro britânico «Harvester», torpedeado por um submarino inimigo e alguns elementos do «U-432», que haviam sobrevivido aos três certeiros tiros de artilharia expedidos do pequeno navio das F.N.F.L..

A corveta «Aconit» era um modesto navio de guerra cedido (temporariamente) pela Grã-Bretanha às F. N. F. L.. Na noite de 10 para 11 de Março de 1943, quando assegurava a protecção do comboio HX 228, a «Aconit» cometeu a proeza de afundar dois submarinos à poderosa 'Kriegsmarine', contribuindo, assim -modestamente, mas com glória- para a vitória dos Aliados na longa e renhida batalha do Atlântico

Londres, anos 40 : o general Charles de Gaulle passa em revista uma unidade de marinheiros das Forças Navais da França Livre
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