terça-feira, 9 de janeiro de 2018

ASSIM VAI O (NOSSO) MUNDO...


As relações diplomáticas (e outras) entre Portugal e Angola continuam a degradar-se. Sobretudo, por causa de Manuel Vicente (ex-vice-presidente daquele país africano), sobre o qual pendem suspeitas de corrupção de um alto funcionário da justiça portuguesa. João Lourenço -presidente da República de Angola- não quer entender que o estado português não pode transferir, como ele pretende, o processo para Luanda, porque isso não é legal numa nação democrática, onde existe separação do poder político do poder judicial. -Será que João Lourenço -que todos nós admiramos pelo excelente trabalho feito depois da sua tomada de posse- não percebe isso ? -Ou é homem para o qual todos os pretextos são válidos para 'ajustar contas' com a antiga potência colonial ? A ver vamos.


O futebol português (ou melhor, o que gira à sua volta) causa-me nojo. A última proeza de um 'agente desportivo' ficou a dever-se ao técnico do F. C. Porto (clube que, actualmente, tem uma grande equipa -sem dúvida a melhor do campeonato- e que merece amplamente, o 1º lugar na tabela classificativa); que dirigiu ao seu colega do Benfica insultos que só vêm confirmar aquilo que muita gente já sabia dele : que o Sérgio é um tipo colérico, excessivamente provocador, sem educação e sem ética. Um conselho : civilize-se.


Parece estar instalada a polémica sobre a escolha do nome do futuro aeroporto do Montijo. Que um comité (ao que parece já formado) quer chamar Aeroporto Mário Soares. No que me diz respeito, eu sou contra. Porque acho que os nomes dados a esse género de infraestruturas devem ser politicamente neutros. Sou contra, como o sou contra o nome de Sá Carneiro que foi dado ao antigo aeroporto das Pedras Rubras (que deveria, penso eu, ter o nome do ilustre piloto portuense Sarmento de Beires ou o de Sacadura Cabral, outro insigne aviador nortenho) e como seria contra se quisessem dar (não sei bem porquê) o nome de Álvaro Cunhal ao aeroporto do Algarve. Que, penso eu, deveria ser baptizado com o nome de Gago Coutinho, nascido em São Brás de Alportel, embora tivesse sido registado em Lisboa. Como acharia por bem que se honrasse a memória do piloto alentejano Brito Paes no aeroporto de Beja. Nisto tudo, penso que acertado só o nome há pouco atribuído ao aeroporto da Portela; que tem o nome de um general de aviação, que foi co-fundador da TAP.

-QUAL É A ORIGEM DA EXPRESSÃO 'DAR ÀS DE VILA-DIOGO' ?

Toda a gente conhece a expressão 'dar às de vila-diogo'; que significa fugir. Mas poucos portugueses e outros falantes da nossa língua conhecerão a origem de tão curioso dito. Ora, apesar de haver para essa tal expressão várias explicações, parece-nos que a mais plausível é a seguinte, citada por vários autores : no século XIII, em Castela e Leão, a perseguição religiosa aos judeus foi particularmente violenta. A tal ponto, que o Fernando III, senhor daqueles reinos ibéricos, decidiu tornar uma das suas vilas -a localidade de Villa Diego- um lugar onde os hebreus pudessem gozar de alguns privilégios, nomeadamente o de viver em paz, livres de persecuções. Assim, quando a sua situação se tornava insustentável noutros lugares de Espanha, os judeus fugiam para aquele lugar (cujo nome nós aportuguesámos para Vila Diogo), para se colocarem a salvo da ira religiosa (mas não só) dos cristãos.

segunda-feira, 8 de janeiro de 2018

A ESSÊNCIA DOS NOSSOS POETAS

NOVA CANÇÃO DO EXÍLIO

Minha amada tem palmeiras
Onde cantam passarinhos
e as aves que ali gorjeiam
em seus seios fazem ninhos
Ao brincarmos sós à noite
nem me dou conta de mim:
seu corpo branco na noite
luze mais do que o jasmim
Minha amada tem palmeiras
tem regatos tem cascata
e as aves que ali gorjeiam
são como flautas de prata
Não permita Deus que eu viva
perdido noutros caminhos
sem gozar das alegrias
que se escondem em seus carinhos
sem me perder nas palmeiras
onde cantam os passarinhos

Ferreira Gullar

O maranhense Ferreira Gullar, pseudónimo de José Ribamar Ferreira (1930-2016), foi poeta, prosador crítico de arte e biógrafo. Foi co-fundador da corrente literária denominada neoconcretismo. Membro da Academia Brasileira de Letras. Militante da esquerda, esteve exilado durante a ditadura militar.

UM TEATRO NOS CONFINS DA CIVILIZAÇÃO


Este é o grande e sumptuoso Teatro Amazonas, erigido em Manaus, em plena selva brasileira. Foi construído, ao que se diz, com o dinheiro proporcionado pelos lucros dos seringueiros, num tempo em que a Amazónia produzia grande parte da borracha mundial. Nesses tempos faustosos(*), ali, naquele magnífico teatro, se produziram os grandes cantores líricos do tempo; que, para chegarem a Manaus, sulcavam -durante quase 2 000 quilómetros- a mais longa via fluvial do mundo.

(*) Tempos faustosos para os grandes proprietários de seringais e para os grandes negociantes/exportadores de Manaus, entenda-se. Porque para aqueles que mourejavam nas plantações de héveas era a miséria mais confrangedora. Ferreira de Castro descreve em «A Selva», a sua obra-prima, o quotidiano miserável dos extractores de látex, cuja condição não era melhor do que a dos antigos escravos de origem africana.

-LEMBRAM-SE DESTA FOTOGRAFIA ?


Esta fotografia correu mundo nas páginas de todos os jornais e revistas da primeira metade da década de 70.  O calmeirão era um membro da US Air Force feito prisioneiro pelos vietnamitas, após o abate do seu avião pela defesa aérea indochinesa. E a minúscula criatura que o escolta é uma guerrilheira do Vietcong. Movimento que, com o exército regular e outras forças armadas vietnamitas venceram (em 1975) a guerra que os opôs à nação mais poderosa da Terra. Já lá vão quarenta e tal anos... Hoje, os EUA do senhor Trump (ou melhor, os eternos falcões do Pentágono, agora comandados por um indivíduo incompetente e imprevisível) sonham medir-se, numa guerra nuclear, com os excitados (e igualmente perigosos) líderes da Coreia do Norte. Conflito cujas consequências militares, mas não só, causam arrepios em qualquer pessoa sensata, em qualquer ser humano com miolos. -Até quando é que esses energúmenos continuarão a brincar com a segurança da população mundial e a colocar em perigo de morte a existência do nosso próprio planeta ?

ADEUS BONECA, ADEUS MENINA, ADEUS MULHER...

Morreu ontem, em Paris, a cançonetista France Gall. Vi-a, num espectáculo ao vivo em 1965 -ano em que, representando o Luxemburgo, ela ganhou o Festival da Eurovisão- e não fiquei fã. Já que o estilo de «Poupée de Cire, Poupée de Son» nada me dizia... Acho que o seu reportório melhorou muito, depois do seu encontro com Michel Berger, com quem viria a casar... Mas France foi uma voz da minha juventude (tal como Johnny Halliday, recentemente falecido), que me faz recordar tempos distantes e mais felizes; pois sem os inconvenientes da doença mais chata e deprimente do mundo : a velhice. Adeus boneca, adeus menina, adeus mulher...

MARAVILHA DO NORTE


Este magnificente templo cristão-ortodoxo pode ser visitado na cidade russa de São Petersburgo. É a igreja da Ressurreição do Salvador, também chamada do Santo Sangue ou do Sangue Derramado. Estas últimas denominações devem-se ao facto do edifício ter sido construído no lugar da cidade onde, em 1881, foi assassinado o czar Alexandre II da Rússia. As obras de construção começaram a ser executadas em 1883 e só terminaram em 1907, já no reinado de Nicolau II. A arquitectura deste templo é tipicamente russa e parece ter sido inspirada pela da basílica moscovita de São Basílio. Pelo menos, as cúpulas trabalhadas e coloridas de uma e outra igreja são parecidas e constituem um regalo para o olhar... Abandonado durante a era soviética, este templo foi restaurado e é, hoje, uma das grandes atracções turísticas da Cidade do Neva.