terça-feira, 4 de julho de 2017

INSPIRADORA LIBELINHA

Símbolo de graça e de leveza, a libelinha é um dos mais simpáticos bichos das nossas zonas húmidas. Há quem diga, que nela se inspirou o italiano Leonardo da Vinci (que para além de ter sido um dos grandes pintores da sua época, também foi engenheiro) para conceber uma máquina voadora...


-Sabia que, em Portugal, há também quem chame tira-olhos a este vistoso insecto e que, no Brasil, também é comum designá-lo pelos nomes de jacinta e de lavadeira ?

SORRIR, APESAR DE TUDO

A ainda recente tragédia de Pedrógão Grande (que causou 64 mortos e prejuízos incalculáveis no país), o escândalo do roubo de armas e de munições num quartel de Tancos e a multiplicação de desastres rodoviários (com rol elevado de vítimas), foram e são acontecimentos de uma profunda tristeza e de grande preocupação. Que, apesar das férias que se avizinham, não são de molde a gerar grandes e generalizadas esperanças. Apesar disso, eu faço votos para que todos os veraneantes que ainda podem dar-se ao luxo de sair de casa e de passar uns dias ou umas semanas na praia e/ou no campo, em Portugal ou no estrangeiro, aproveitem bem esse tempo de descanso. Sorriam e façam o favor de passar Boas Férias !

CINEMA EM CASTELO DE VIDE

A sala Mouzinho da Silveira, em Castelo de Vide, reata com os seus tradicionais espectáculos de cinema. Assim, em data de hoje (4 de Julho de 2017), será projectado o filme de aventuras «Pirata das Caraíbas - Homens Mortos nao Contam Histórias», Estão previstas duas sessões : uma às 16 horas e outra às 18 h 30.


E, no próximo dia 16, pela 18 h e pelas 21 h 30, será proposta -a todos os cinéfilos da região- a exibição de «A Múmia», na sua versão em 3D. Venham todos.

segunda-feira, 3 de julho de 2017

O HOMEM DOS TRÊS NOMES

O seu nome civil foi Pedro Julião. Era natural de Lisboa, onde nasceu em data incerta de inícios do século XIII. Respondeu, ainda, pelo nome académico de Pedro Hispano, com o qual se distinguiu como médico, filósofo, professor, matemático e teólogo. Depois de ter ascendido ao trono de São Pedro, escolheu o nome de João XXI, papa. Os CTT prestaram uma oportuna e justa homenagem a este nosso compatriota da época medieval, que foi um dos europeus mais brilhantes do seu tempo. Teve uma morte trágica, pois sucumbiu sob os destroços de uma igreja que ruiu (no ano de 1277), em Viterbo. Cidade de Itália onde foi sepultado. Pena é que a maioria dos Portugueses ignorem a existência desta figura singular da nossa História...

QUATRO MARAVILHAS

R. W. Hedge é um grande artista norte-americano contemporâneo, que se especializou na representação (em magníficas telas a óleo) de algumas grandiosas paisagens do Oeste. Para regalo dos olhos de quem visita este blogue, aqui deixo reprodução de alguns dos seus magníficos trabalhos: que se intitulam (de cima para baixo) : «Majesty», «Squaw Creek», «Spirit of the Red Rocks» e «Heaven's Light». Que deslumbramento. Quatro maravilhas !

AS MINHAS CRÓNICAS (1)

Vou dar início, hoje e neste blogue, à publicação de uma série de textos que já foram divulgados -nos primeiros anos desta década- num jornal regional do distrito de Setúbal. Publicação que, infelizmente, deixou de existir, depois de muitas décadas de vida ao serviço da comunidade barreirense. O texto que, hoje e agora, aqui apresento é dedicado ao NTM «Creoula»; que fez parte, outrora, da frota bacalhoeira do armador Bensaúde; que operava a partir do rio Coina, mais exactamente da seca da Azinheira Velha, Telha, Barreiro.
Mas passemos ao prometido texto, que eu, na altura, intitulei

«EVOCANDO O 'CREOULA', UM LUGRE BACALHOEIRO BARREIRENSE»

O «Creoula» é hoje -como toda a gente sabe- un NTM (Navio de Treino no Mar). Em 1979, depois de um período de semi-abandono, este lugre bacalhoeiro barreirense foi comprado pela Secretaria de Estado das Pescas ao seu antigo proprietário, a Parceria Geral de Pescarias.
Em boa hora fez o Estado Português tal aquisição, já que, sem esse gesto por parte da acima referida entidade governamental, o «Creoula» teria tido o fim de tantas outras unidades da nossa marinha mercante (e não só), que acabaram ingloriamente a sua carreira devorados pela ferrugem. E isso perante a total indiferença dos homens e das instituições que deveriam ter a preocupação de preservar os testemunhos prestigiosos do nosso passado marítimo.
Depois de ter sido oficialmente classificado como património do Estado, o «Creoula» entrou no estaleiro para ali se submeter a indispensáveis trabalhos de remodelação (sobretudo a nível do bojo), de modo a adaptá-lo às exigências da sua nossa missão. Assim, o porão do navio, onde, no passado, se acondicionava o bacalhau -devidamente salgado, para poder aguentar a viagem de retorno do lugre até à seca da Telha- foi redimensionado e melhor aproveitado para ali se instalarem as acomodações dos instruendos e de algum pessoal do quadro permanente de tripulantes. É também nessa zona do navio que estão localizados refeitórios, lavabos e uma pequena estação de tratamento de águas residuais.
Após ter sido equipado com todos os requisitos exigidos pela sua nova qualidade de escola flutuante e itinerante, o NTM «Creoula» tornou-se, como é óbvio, operacional. Desde então, têm tomado lugar a bordo do elegante navio centenas de jovens nacionais e estrangeiros. Muitos deles são formandos da Escola Portuguesa de Pesca, enquanto outros pertencem a diferentes estabelecimentos educativos e associações, que vêm familiarizar-se, no «Creoula» com as ancestrais práticas da marinha à vela ou, simplesmente, fruir do infinito prazer de cruzar mares e oceanos a bordo de tão precioso navio.

UM POUCO DE HISTÓRIA - O «Creoula» foi construido nos estaleiros da CUF, em Lisboa, e lançado à água no dia 10 de Maio de 1937. Ainda nesse ano, a Parceria Geral de Pescarias (gerida pela conhecida e empreendedora família Bensaúde) decidiu fazê-lo participar na sua primeira campanha bacalhoeira, sob o comando do capitão Aníbal da Graça Ramalheira.
A base do «Creoula situava-se no curso do rio Coina, junto à seca de bacalhau explorada pela supracitada firma, no sítio da Azinheira Velha, na Telha, Barreiro. O autor destas modestas linhas recorda-se de ver (quando era menino e moço) este navio ali ancorado, na saudosa companhia do «Argus» (um dos seus 'sister-ships'), e dos lugres de 3 mastros «Gazela I» e «Hortense».
A zona de pesca do «Creoula» era, geralmente, determinada pelo saber e pela intuição do seu capitão e podia estender-se, 'grosso modo', dos bancos da Terra Nova até às águas gélidas do mar de Baffin, que banham a costa ocidental da Gronelândia. O «Creoula» totalizou 37 dessas duríssimas e morosas campanhas de pesca longínqua, que podiam prolongar-se (incluindo as viagens de ida e volta) de Abril até Outubro.
Uma boa campanha de pesca podia traduzir-se, para o «Creoula», num carregamento de cerca de 13 000 quintais de peixe verde (salgado, para os profanos), o que equivalia a 800 toneladas de gadédeo seco e pronto a comercializar. Para além disso, o navio dispunha de capacidade para armazenar 60 000 quilos de óleo de fígado de bacalhau, num tanque especialmente concebido para o efeito e situado à proa. Refira-se que a pesca efectuada pelos homens deste navio (e congéneres) -tarefa árdua e extremamente perigosa- fazia-se à linha, a bordo de frágeis dóris; que, que, após a faina, eram içados a bordo do lugre e empilhados no respectivo convés.
O «Creoula» é um navio com casco de aço, dotado de 4 mastros (que se elevam a 36 metros de altura) aparelhados com 1 244 m2 de superfície vélica. O seu comprimento fora a fora é de 67,40 metros e a sua boca (largura máxima do casco) de 10 metros. O NTM «Creoula» desloca, na sua actual configuração, 1 300 toneladas e tem 4,70 metros de calado. O navio está equipado com um motor auxiliar, que lhe imprime (sem recurso ao velame) uma velocidade máxima de 8 nós. A tripulação do «Creoula» é agora constituída por 38 membros (6 oficiais, 6 sargentos e 26 praças), que regulam e organizam a vida a bordo dos 51 instruendos que o navio pode receber simultaneamente.
Refira-se, para finalizar estas linhas e ainda a propósito da pesca do bacalhau (o tal 'fiel amigo da lusa gente), que os nossos marítimos começaram a frequentar os bancos da Terra Nova, Gronelândia e mares adjacentes desde tempos imemoriais. Certos historiadores pretendem mesmo que a presença de pescadores portugueses no litoral atlântico da América setentrional remonta a uma época anterior a 1492, ano oficial da descoberta do Novo Mundo pelo enigmático Cristóvão Colombo. Assim, o cronista Gaspar Frutuoso (um açoriano do século XVI) referiu, num dos seus escritos, que João Vaz Corte Real e Álvaro Martins Homem desembarcaram na ilha Terceira, em 1472, com um carregamento de bacalhau «que tinham ido descobrir por ordem de el-rei».

(M. M. S.)

IRRESISTÍVEL ESPECTÁCULO


-Quem pode ficar indiferente ao encanto mágico de um por-do-sol ?
Eu cá não ! Esse espectáculo da Natureza chega a comover-me...