terça-feira, 3 de maio de 2011

BACALHOEIROS NO GIRONDA


Este velho postal ilustrado (de inícios do século XX) mostra uma flotilha de navios bacalhoeiros fundeados em frente da cidade de Bordéus. De toda evidência, esperam autorização para zarpar desse porto do sudoeste de França para os Grandes Bancos da Terra Nova e da Groenlândia, onde, nesse tempo, o bacalhau -o nosso velho e 'fiel amigo'- pululava

MÁRIO DOMINGUES


Gosto muito de Mário Domingues (1899-1977), romancista, ensaista, historiador, jornalista, com mais de 200 livros escritos e publicados. Foi a leitura da sua magnífica e instrutiva série 'Lusíada', composta por 23 títulos, que despertou em mim (quando ainda era um adolescente) o gosto pela História de Portugal, que ainda agora cultivo. Autodidacta, mulato natural da ilha do Príncipe, Domingues foi um dos mais prolíficos e ecléticos escritores nacionais de todo o século XX. E, hoje, faz-me impressão saber que o seu nome foi esquecido pela quase generalidade dos Portugueses, mas também, pelo país oficial. Onde está em Lisboa (cidade onde Mário Domingues viveu, desde os 3 anos de idade até à sua morte), por exemplo, uma rua ou uma praça com o seu nome ? Que pena sermos um povo tão ingrato, capaz de promover e de reverenciar a mediocridade de qualquer jogador de futebol ou de 'herói' de telenovelas e de esquecer e desprezar, lamentavelmente, gente de valor, figuras referenciais da nossa cultura...


Biografia perfeita de um príncipe que também o foi. Este livro deveria ser de leitura obrigatória nos liceus. Para os jovens da nossa terra perceberem o que foi a história de vida de um dos nossos maiores e mais fascinantes monarcas


De leitura obrigatória também deveria ser este «D. João V, o Homem e a sua Época», do qual vemos aqui a capa de uma nova e necessária edição

Mário Domingues escrevia sem pretensiosismos, numa língua acessível a todos, fosse qual fosse o grau de educação e de cultura do leitor. Isso tornou-o único ! Aproveitamos para recomendar os seus livros sobre História de Portugal, que marcaram a sua época pelo estilo e pela riqueza da informação transmitida. Todas as obras da colecção 'Lusíada' foram -em boa hora- reeditadas

segunda-feira, 2 de maio de 2011

SANDUICHES


Na passada semana, noticiaram os jornais e outros meios de comunicação nacionais, que num concurso organizado em 'cascos de rolha', a famosa 'francesinha' do Porto foi considerada uma das dez melhores sanduiches do Mundo. Eu, sem querer ofender os adeptos dessa merenda supercalórica -que eu provei e da qual, sinceramente, não gostei- ou os juízes desse certame internacional digo : trocaria todas as 'francesinhas' do planeta por uma coisa destas que a imagem documenta. Que é (digo-o para quem a não reconheceu) uma simples sandes de leitão da Bairrada. Que, se calhar, nem participou no concurso...

SAUDADES DA MENINICE...


Aqui há dias descobri na Internet este objecto. E quase que me emocionei. Porque quando eu era miúdo também coleccionei os maravilhosos carrinhos da marca 'Matchbox' e esta ambulância foi uma das minhas peças preferidas. Esta ambulância e um táxi amarelo da cidade de Nova Iorque ! -Como o tempo passa e a vida se esvai... Lembro-me de comprar as tais caixinhas da 'Matchbox' no Barreiro, nos anos 50, numa lojinha que ficava defronte do futuro restaurante Fiesta. Digo futuro porque, segundo eu penso, esse estabelecimento só se instalaria ali uma década depois das minhas recordações de gaiato

CÂMARA CLARA


Câmara Clara é um dos programas de eleição da TV estatal. A apresentadora das emissões -Paula Moura Pinheiro- é uma pessoa culta e excelente conversadora, que sabe excolher, a dedo, a matéria em discussão e os convidados. Isto dito, quero deixar aqui um aplauso para o tema de ontem, que falava de comboios e da paixão pelas viagens ferroviárias. Os convidados foram a pesquizadora Margarida Magalhães Ramalho (autora de livros sobre o assunto, nomeadamente de «Comboios com Histórias») e o editor Marcelo Teixeira, que é, ele, indubitavelmente, uma das pessoas deste país que mais viaja de comboio e que mais percebe de caminhos-de-ferro. Pena o tempo ter sido tão pouco...

OS FILMES DA MINHA VIDA (49)



«RAÍZES DE OURO»

FICHA TÉCNICA
Título original : «The Hanging Tree»
Origem : E. U. A.
Género : Western/Drama
Realização : Delmer Daves
Ano de estreia : 1959
Guião : Wendell Mayes e Halstead Welles
Fotografia (c) : Ted McCord
Música : Max Steiner
Montagem : Owen Marks
Produção : Martin Jurow, e Richard Shepherd
Distribuição : Warner Bros.
Duração : 106 minutos

FICHA ARTÍSTICA
Gary Cooper ………………………………………….. Dr. Joseph Frail
Maria Schell ……………………………………….. Elisabeth Mahler
Karl Malden …………………………………………...Frenchy
Bem Piazza …………………………………………….. Rune
George C. Scott …………………………………. George Grubb
Karl Swenson ……………………………………….. Tom Flaunce
Virginia Gregg ……………………………………… Edna Faunce
John Dierkes ……………………………………….. Society Red
King Donovan …………………………………………. Wonder
Slim Talbot ……………………………………………. o cocheiro da diligência

SINOPSE
Decorre o ano de 1873. O doutor Frail, que arrasta com ele o peso de um secreto e pavoroso passado, instala-se numa modesta localidade do território de Montana, onde se atarefa uma comunidade de garimpeiros dominada pela febre do ouro.
Pouco tempo depois da sua chegada a Skull Creek (assim se chama a povoação), o médico vai socorrer e dar guarida ao jovem Rune e à bela Elisabeth Mahler. O primeiro fora ferido a tiro, quando tentava apropriar-se de algumas pepitas de metal precioso numa mina alheia; a segunda –traumatizada pela morte do pai, aquando do ataque à diligência em que viajavam e gravemente queimada por uma prolongada exposição aos raios solares- sofre de cegueira transitória.
Curada por Frail, a paciente acaba por enamorar-se do clínico. Este, tomando os sentimentos da moça por banal reconhecimento, afasta-a com uma certa frieza, obrigando-a a associar-se, na exploração de um terreno aurífero, ao jovem Rune e a Frenchy, um canalha que cobiça abertamente os dotes físicos de Elisabeth.
A brusca descoberta de um rico filão, a paixão, o jogo das rivalidades e o abuso do álcool vão determinar a explosão da violência, que acaba por avassalar Skull Creek; mas também por decidir de um dramático frente a frente entre o céptico doutor Frail e a amorosa Elisabeth Mahler…

O MEU COMENTÁRIO

Este filme foi sugerido a Delmer Daves, o seu realizador, pela leitura de uma novela da autoria da célebre escritora Dorothy M. Johnson e é, certamente, uma das mais belas películas dirigidas pelo conceituado cineasta. Refira-se a propósito da supracitada literata, inspiradora do filme, que a sua obra romanesca foi recompensada, em 1976, com o ‘Saddleman Award’, um prestigioso prémio atribuído pela Associação dos Escritores do Oeste Americano, uma instituição que funciona no seio da Universidade do Texas.
Plasticamente perfeito, o filme «Raízes de Ouro» impressiona desde aquelas primeiras imagens que nos desvendam o lugar onde se desenrolará a acção : um verdejante vale coberto de abetos e sulcado por uma torrente de águas claras e burbulhantes. Cromo que transmite ao espectador uma maravilhosa e doce sensação de paz. O desassossego chega instantes mais tarde, quando surge diante dos olhos inquietos do Dr. Frail a árvore de cujos ramos ressequidos pende, lugubremente, a corda da justiça e da morte. Como para nos lembrar, afinal, que a presença humana e a noção de tranquilidade são incompatíveis neste vale de lágrimas, desde o bíblico dia em que o Criador resolveu oferecer uma companheira ao pai Adão e que, ambos, conceberam Caim.
E o nosso mal-estar de espectadores acentua-se, progressivamente, à medida que soam os acordes e se ouvem e entendem as primeiras estrofes de «The Hanging Tree» (‘a árvore da forca’), a pungente canção da autoria de Mack David e de Jerry Livington, que Marty Robblins interpreta magistralmente.
«Raízes de Ouro» (que terá um ‘happy end’, apesar dos momentos de angústia que, por vezes, deixam pressagiar a irreversabilidade do drama) é, no meu entender, um excelente filme. Obra de um excelente realizador durante muito tempo subestimado, que provou com esta esta película (e não só com ela) ser capaz de transmitir emoções fortes, graças à construção inteligente de uma história povoada por personagens autênticas, profundamente humanas.
De referir, igualmente, é o bom trabalho executado pelo elenco artístico (Gary Cooper desempenha, nesta fita, um dos melhores papéis de toda a sua carreira), com menção muito especial para dois actores secundários excepcionalmente dotados : Karl Malden, que aqui protagoniza a figura do velhaco Frenchy, e George C. Scott, no papel do alucinado pregador Grubb.

(M.M.S.)


Cartaz francês com o título de exibição do filme no 'hexágono' : «La Colline des Potences»


O Dr. Frail é um médico duro, mas conhecedor e abnegado. Virtudes que não o impedem de se entregar ao prazer de jogar póquer...


Cartaz belga. O título dado ao filme na Bélgica francófona foi o mesmo atribuído em França. O que nem sempre acontece...


A actriz Maria Schell fotografada muitos anos depois da sua participação nesta belíssima fita de Delmer Daves


Cartaz espanhol


Karl Malden encarna a personagem abominável de Frenchy, um dos maus da fita...


Cartaz de origem italiana

domingo, 1 de maio de 2011

VIVA O 1º DE MAIO, DIA DE FESTA DA FRATERNIDADE OBREIRA


...e também de luta contra os sugadores do sangue e do suor daqueles que trabalham e produzem


Por um Portugal mais fraterno e mais justo