sábado, 6 de fevereiro de 2010

A PROPÓSITO DO HAITI


O recente sismo que destruiu Haiti (que provocou mais de 100 000 mortos) e desencadeou uma onda de solidariedade global, talvez não tenha sido a maior catástrofe que se abateu sobre essa antiga colónia francesa. Onde, logo em 1804, a sua população de escravos, oriundos de África, ousou proclamar-se livre da tutela colonial. Ao longo da sua curta história, Haiti sofreu represálias da França, furacões, ditaduras, invasões militares estrangeiras, crises económicas, fomes, etc, etc. Mas o período mais negro da sua existência teve a ver, certamente, com o regime sanguinário e mafioso (espécie de fascismo tropical) imposto -durante mais de 20 anos- pelo clã Duvalier. François (conhecido pela alcunha de 'Papá Doc') e o seu filho Jean-Claude Duvalier ('Bébé Doc'), apoiados pelos tristemente célebres 'Tontons Macoutes' e 'Léopards', as suas guardas pretorianas, saquearam Haiti e torturaram e assassinaram os haitianos impunemente entre 1964 e 1986. E isto, perante o desinteresse dos seus poderosos vizinhos ianques, que, nessa época, como agora, se autoproclamam os defensores da liberdade. Esperemos que, desta vez, os E.U.A. (e quem mais quizer) ajudem verdadeiramente o povo de Toussant Louverture a sair desta dramática crise e a construir um país novo e mais justo.


Retrato dos maiores e mais infames bandidos da História do Haiti : François e Jean-Claude Duvalier

RUÃO E A SUA ARMADA


Foto tirada pelo bloguista durante uma das famosas concentrações de grandes veleiros em Ruão, na Normandia. É a maior manifestação deste género, visto atrair a elite mundial da marinha à vela e receber -em apenas 10 dias- dez milhões de visitantes, provenientes de toda a Europa. O veleiro do primeiro plano é o actual navio-escola da armada polaca, que tem um nome quase impronunciával : «Dar Mlodziezy».

À BULHÃO PATO


Bastam 1 quilito de bivalves da espécie acima retratada, 2 ou 3 colheres de bom azeite, 2 dentes de alho, 1 raminho de coentros frescos e umas pitadas de sal e de pimenta para realizar este delicioso e emblemático petisco da nossa gastronomia, que responde pelo curioso nome de «Amêijoas à Bulhão Pato». Parece que o anónimo inventor e padrinho do prato em questão quis, assim, homenajear um poeta, ensaista e comentador político português -de seu nome completo Raimundo António de Bulhão Pato (1829-1912)- que num dos seus escritos o terá elogiado. Mal sabia o inspirado 'maître-coq' que o seu petisco atravessaria todo o século XX e entraria triunfalmente pelo seguinte, como símbolo do sabor e da simplicidade que distingue a nossa cozinha. Bem haja !


Retrato de Bulhão Pato executado pelo famoso pintor Columbano Bordalo Pinheiro

sexta-feira, 5 de fevereiro de 2010

FIAT Cr-42


Em Agosto de 1940, quando se iniciou a batalha de Inglaterra, Mussoulini quis manifestar o seu apoio a Hitler, enviando para essa frente de combate umas dezenas de caças-bombardeiros Fiat do tipo Cr-42. A experiência resultou num tremendo desastre, já que os biplanos em questão -completamente obsoletos- não se aguentaram com as investidas dos aparelhos modernos da 'Royal Air Force' -Hurricanes e Spitfires- e foram (os que puderam salvar-se) retirados precipitadamente dessa zona de guerra.

OS FILMES DA MINHA VIDA (9)


«EMBOSCADA FATAL»

FICHA TÉCNICA
Título original : «Comanche Station»
Origem : E. U. A.
Género : Western
Realização : Budd Boetticher
Ano de estreia : 1960
Guião : Burt Kennedy
Fotografia (c) : Charles Lawton Jr.
Música : Heinz Roemheld
Montagem : Edwin Bryant
Produção : Harry J. Brown e Randolph Scott
Distribuição : Columbia Pictures
Duração : 74 minutos

FICHA ARTÍSTICA
Randolph Scott …………………………… ….… Jefferson Cody
Nancy Gates …………………………….……….…. senhora Lowe
Claude Akins …………………………….…….…. Ben Lane
Skip Homeier ……………………………….…... Frank
Richard Rust …………………………………….…… Dobie
Rand Brooks …………………..………….………. o empregado da estação de muda
Dyke Johnson …………….………………….……. o rancheiro Lowe
Foster Hood ……………….….………. ….…… um guerreiro comanche
Joe Molina ……………………….......... o chefe dos comanches
Vince Saint-Cyr ………………………..……. um guerreiro comanche
P. Holland…………………………….…..…………. rapaz

SINOPSE
Jefferson Cody, cuja esposa fora raptada pelos índios, é informado de que uma tribo Comanche aceita negociar a liberdade de uma das suas prisioneiras brancas.
Esperançado de que essa cativa seja a sua própria mulher, Cody avista-se com os pele-vermelhas. Após uma curta discussão, estes entregam-lhe a refém a troco de algumas bujigangas e de uma infuncional carabina.
Mas a mulher branca que Cody logrou resgatar é, afinal, a esposa do rancheiro Lowe, que prometera entregar uma avultada recompensa a quem conseguisse localizar a companheira e lhe a fosse entregar… morta ou viva.
Nessas circunstâncias, Jefferson Cody terá de bater-se –nas vastidões de um território particularmente hostil- com os índios (enganados no negócio) e contra as pretensões de Ben Lane, de Frank e de Dobie, três perigosos caçadores de prémios, para os quais a ex-prisioneira não passa de um simples corpo; que animado e de pé ou crivado de chumbo e atravessado na garupa de um cavalo, tem absolutamente o mesmo valor mercantil : o de um bom punhado de preciosas e telintantes moedas de oiro.

O MEU COMENTÁRIO
«Emboscada Fatal» é um dos três famosos westerns que Budd Boetticher realizou com a colaboração do guionista Burt Kennedy e do actor-produtor Randolph Scott. O argumento deste filme foi trabalhado, ao que parece, a partir de uma ideia original do próprio cineasta.
Considerada, hoje, como sendo uma das obras primordiais da filmografia de Boetticher, «Emboscada Fatal» foi rodada com a habitual economia de meios técnicos e financeiros postos à disposição do realizador e impressiona pelo rigor e pela sobriedade da sua construção, pela riqueza e pela originalidade do tema e, ainda, pelas discretas, mas excelentes, interpretações de Scott, de Nancy Gates, de Claude Akins e de todos os outros actores do ‘casting’.
A propósito da concisão e da rapidez de execução do realizador –qualidades que identificam e caracterizam o trabalho de Budd Boetticher- lembramos que o cineasta disse um dia, em entrevista concedida à imprensa, que «a câmara não é um brinquedo. Deve servir para contar uma história e não para que o seu utilizador se entregue a exercícios de estilo».
Em «Emboscada Fatal», com a sua maneira despojada (sem ‘fioriture’, mas não sem brilho) «não existe (no dizer de Christian Bossuyt, autor do livro «50 Ans de Western») um plano, um olhar, um gesto, que não tenha a sua utilidade». Com este film, Budd Boetticher alçou ao mais alto nível a sua arte de realizador de cinema e, com ele, assentou categoricamente, definitivamente, a sua glória de grande autor de westerns –um dos melhores de sempre- revelada em 1955 com a apresentação da antológica fita que se intitula «Sete Homens para Matar».
Que saibamos, não existe no nosso país produção videográfica da obra singular de Budd Boetticher. O que é, naturalmente, lamentável, para os cinéfilos portugueses.

(M.M.S.)


Cartaz belga


quatro cavaleiros Comanches observam intrigados a chegada de um intruso branco (Jefferson Cody/Randolph Scott) ao seu território


Jefferson Cody (Randolph Scott) procura a sua mulher, raptada pelos pele-vermelhas


A senhora Lowe (Nancy Gates) é moeda de troca entre os Comanches e Cody (Randolph Scott).

MANSAS ROLAS ARRULHANDO...


...ainda se vêem com alguma frequência na minha região. Onde os caçadores locais e de passagem se 'entretêem', por enquanto, com espécies de maior porte...

quinta-feira, 4 de fevereiro de 2010

O 'CENTAURO DO NORTE'


Eis aqui, montado numa modesta mula, Doroteo Arango Villa, aliás Pancho Villa (1878-1923), que foi uma das figuras mais populares da Revolução Mexicana de 1910. Misto de aventureiro e de general, apoiou, sucessivamente, o presidente Madero e os Constitucionalistas de Carranza. Curiosamente, foi o único estrangeiro a invadir os Estados Unidos à frente de uma força militar...


Estátua equestre do herói, na Praça da Revolução da cidade de Chihuahua. O 'Centauro do Norte' -alcunha de Pancho Villa- monta aqui um fogoso corcel.