sábado, 26 de dezembro de 2009

CHICKEN TIKKA


O 'Chicken Tikka' é um dos pratos mais conhecidos internacionalmente da culinária indiana; e é também um dos mais apetecíveis. Combina carne (limpa) de galinácios com uma grande variedade de especiarias orientais. As fotos que aqui deixo fazem-me crescer água na boca. Tanto mais que, vivendo agora numa região isolada da charneca alentejana, me estão vedados este e outros pitéus de exótica origem. Dos quais eu muito gosto...

VIVA O BRASIL !


O paulista Mário de Andrade (1893-1945) foi um dos mais importantes intelectuais brasileiros do século XX. Foi poeta, prosador, crítico literário, musicólogo, teórico de arte, jornalista, fotógrafo, etc. (O retrato aqui exposto é da autoria da grande pintora Tarsila do Amaral)


...
E abre alas que eu quero passar !
Nós somos os brasileiros auriverdes !
As esmeraldas das araras
Os rubis dos colibris
Os abacaxis, as mangas, os cajus
Atravessam amorosamente
A fremente celebração do universal !

Que importa que uns falem mole, descansado
Que os cariocas arranhem os érres na garganta
Que os capixabas e poroaras escancarem as vogais ?
Que tem se o quinhentos réis meridional
Vira cinco tostões do Rio para o Norte ?
Juntos formamos este assombro de misérias e grandezas,
Brasil, nome de vegetal !
...


O que mais impressiona quando se olha para um mapa da América do sul é a vastidão territorial do Brasil. Um país que -quer se queira ou não- os Portugueses fizeram assim, grande e uno, apesar de todas as oposições, de todos os tratados, de todas as guerras. Mário de Andrade, poeta modernista, autor dos versos acima referidos, reconhecia esse mérito aos descobridores e desbravadores das terras de Vera Cruz no seu longo poema «Noturno de Belo Horizonte», escrito em 1924, dizendo :

A Espanha estilhaçou-se numa poeira de nações americanas
Mas sobre o tronco sonoro da língua do ão
Portugal reuniu vinte e duas orquídeas desiguais.
Nós somos na Terra o grande milagre do amor.

FEÉRICA LAS VEGAS !

Há 10 anos fui parar a Las Vegas, no decurso de um circuito turístico efectuado no Oeste americano. Bem contra a minha vontade, visto achar, então, que -na cidade do jogo e de todos os outros vícios- me iria aborrecer. Finalmente gostei da minha curta estadia ali (talvez por isso mesmo, por ser breve) e até acabei por ceder ao apelo das sereias, investindo ½ dólar (nem mais, nem menos) nas famosas ‘slot machines’ de um dos mais famosos casinos da Pérola do Deserto. Estive hospedado no Hotel Excalibur, que era na altura (e penso que ainda é) o 3º maior da cidade e dos Estados Unidos, com mais de 4 000 quartos, 4 000 empregados e 4 000 dos tais aparelhos caça-níqueis, que fazem palpitar o coração de uma urbe que se alimenta e vive exclusivamente do dinheiro dos turistas. O Excalibur é um conjunto de imóveis ‘kitsch’, com uma arquitectura delirante, inspirada -como o seu nome sugere e uma das fotos que aqui deixo ilustra- na lenda arturiana. Os quartos estão situados nos dois edifícios que envolvem o conjunto acastelado e o casino -enorme- funciona (24 horas por dia) no vastíssimo subsolo proporcionado pela área coberta. O aeroporto de Las Vegas está mesmo ali ao lado -no meio da cidade- e, curiosamente, o barulho dos aviões é quase imperceptível. Confesso que gostaria de voltar àquelas paragens e a outras do vasto e mítico Faroeste, onde tudo é grande e surpreendente : a natureza, a paisagem urbana e as pessoas. O problema é que renovar um passeio dessa natureza é, para mim e agora, praticamente impossível. Terei que deixar esse privilégio para quem fala da crise, mas não sofre as consequências da desvalorização dos ordenados e das pensões de reforma…


O Excalibur, uma das maiores unidades hoteleiras de Las Vegas e dos Estados Unidos. O seu estilo 'kitsch' é evidente...


O Caesars Palace é um dos mais concorridos hotéis-casinos de Las Vegas. A sua galeria comercial (que eu tive ocasião de visitar) é impressionante pelo seu movimento. Fiquei convencido de que o seu volume de vendas é superior a de 3 ou 4 cidades médias portuguesas


O hotel-casino Treasure Island oferecia -há 10 anos- o melhor espectáculo de rua da cidade de Las Vegas : a impressionante reconstituição de um combate entre um navio pirata e uma fortaleza setecentista. Simplesmente fabuloso !

quinta-feira, 24 de dezembro de 2009

«LE TEMPS DES CERISES»


Cerejas : vermelhas como o sangue dos mártires...


O TEMPO DAS CEREJAS

Escrito por Jean-Baptiste Clément em época anterior à da insurreição da Comuna (1871), o poema «Le Temps des Cerises» aparece associado a este drama da História de França, pelo facto do supracitado letrista ter -a posteriori- dedicado a canção (musicada por Antoine Renard) a uma enfermeira morta nas barricadas durante a Semana Sangrenta. O facto dos frutos evocados nesta bonita e nostálgica melodia serem de cor vermelha, idêntica ao do sangue derramado pelas inúmeras vítimas da repressão, ajudou a conectá-la com a causa da esquerda francesa e a fazer de «Le Temps des Cerises» uma canção de luta. O poema foi cantado, por milhares de manifestantes, em Maio de 1968 nas ruas de Paris e interpretada por Barbara Hendricks na emblemática praça da Bastilha, durante uma homenagem prestada a François Mitterrand no dia 10 de Janeiro de 1996.
Existem algumas variantes do texto original, mas o mais conhecido é, sem dúvida, aquele que aqui deixamos à curiosidade de quem tem a paciência de nos ler :

LE TEMPS DES CERISES

Quand nous chanterons le temps des cerises
Et gai rossignol et merle moqueur
Seront tous en fête
Les belles auront la folie en tête
Et les amoureux du soleil au coeur
Quand nous chanterons le temps des cerises
Sifflera bien mieux le merle moqueur

Mais il est bien court le temps des cerises
Où l’on s’en va deux cueillir en rêvant
Des pendants d’oreilles…
Cerises d’amour aux robes vermeilles
Tombant sous la feuille en goutes de sang…
Mais il est bien court le temps des cerises
Pendants de corail qu’on cueille en rêvant !

Quand vous en serez au temps des cerises
Si vous avez peur des chagrins d’amour
Evitez les belles !
Moi qui ne crains pas les peines cruelles
Je ne vivrais pas sans souffrir un jour…
Quand vous en serez au temps des cerises
Vous aurez aussi des chagrins d’amour !

J’aimerais toujours le temps des cerises
C’est de ce temps-là que je garde au coeur
Une plaie ouverte !
Et dame fortune en m’étant offerte
Ne pourra jamais calmer ma douleur…
J’aimerais toujours le temps des cerises
Et le souvenir que je garde au coeur !



Esta fotografia data do ano de 1871 e mostra elementos da Guarda Nacional defendendo uma barricada erigida pelos 'Communards' numa rua de Paris. A canção «Le Temps des Cerises», embora escrita antes dos acontecimentos que ensanguentaram a capital de França, tornou-se popular nas fileiras dos sublevados e é, ainda hoje, considerada um dos hinos (não oficiosos, obviamente) da esquerda política gaulesa

quarta-feira, 23 de dezembro de 2009

VERDE FOI MEU NASCIMENTO...



Terminou a apanha da azeitona. E os lagares já começaram a transformar os frutos das nossas oliveiras nesse dourado e precioso líquido que é o azeite. Nos nossos campos e aldeias a tradição à volta da colheita e da lagaragem já não são o que foram; mas, ainda assim, é com alguma ansiedade que alguns portugueses esperam a chegada do azeite novo. Que coincide com a Consoada e com os tradicionais ritos natalícios. Este tempo faz-me lembrar a tal adivinha, que toda a gente conhecia, e que dizia tudo sobre a importância que já teve o generoso, o vital fruto dos nossos olivais :

Verde foi meu nascimento
E de luto me vesti
Para dar a luz ao mundo
Mil tormentos padeci

CUIDADO COM A HIGIENE ORAL !


Lindo gatinho. Que descura, no entanto, a sua higiene oral...

«JOHNNY GUITAR», UMA OBRA-PRIMA DO CINEMA AINDA SEM DVD EDITADO EM PORTUGAL


Os brasileiros já podem ver «Johnny Guitar» em DVD. Isto, graças à editora Versátil Home Vídeo, que teve a rica ideia de gravar o filme em formato universal (ALL); que pode ser utilizado em qualquer uma das zonas de leitura.

*************************************

O grande cineasta italiano Bernardo Bertolucci disse deste filme -realizado em 1954 por Nicholas Ray- que ele foi o «primeiro western barroco». «Johnny Guitar» é, de qualquer modo, um caso singular no cinema do género. Nem que seja pelo facto de nos contar uma das mais belas e mais pungentes histórias de amor jamais levadas ao écran. Pena é que os jovens cinéfilos portugueses continuem a ignorá-la, em consequência da falta de sensibilidade (será só isso ?) dos editores nacionais de DVD's.