sexta-feira, 15 de maio de 2015

PASSOU A DILIGÊNCIA PELA ESTRADA...

Passou a diligência pela estrada, e foi-se;
E a estrada não ficou mais bela, nem sequer mais feia.
Assim é a acção humana pelo mundo fora.
Nada tiramos e nada pomos; passamos e esquecemos;
E o sol é sempre pontual todos os dias.

Alberto Caeiro (heterónimo de Fernando Pessoa), in «O Guardador de Rebanhos»

MONUMENTOS INSÓLITOS DA EUROPA (4)

Este leão alado não é, de todo, o resultado de um cruzamento da águia 'Vitória' com o felino dos sportinguistas. Nada disso ! Trata-se, na realidade, de um monumento erigido na cidade de Praga -na Praça Klarov- em memória dos 2 460 cidadãos da Checoslováquia que, durante a 2ª Guerra Mundial, integraram e fortaleceram os efectivos da R.A.F. ('Royal Air Force'). 493 deles (entre aviadores e pessoal de terra) perderam a vida durante o conflito contra os nazis. (Clique com o rato para ampliar a fotografia).

BELO CASTELO

Este é o castelo de Montemor-o-Velho, vila do distrito de Coimbra. Dele (do castelo) existem referências documentais desde o século IX da era cristã. Desde o ano de 848, quando foi conquistado aos árabes por Ramiro I das Astúrias. O castelo de Montemor-o-Velho cairia, de novo em poder dos muçulmanos e só seria reconquistado, definitivamente, já no século XI, por Fernando Magno, rei de Leão. Soberano que confiou o seu governo a Sesnando Davides, guerreiro moçárabe(*), companheiro de armas do famoso Cid Campeador. Sesnando (que era natural da vila de Tentúgal), sempre se manteve, por opção, desligado do Condado Portucalense. Foi o segundo Senhor de Coimbra (cidade que muito beneficiou do seu governo) e estendeu os seus domínios por todo o vale do Mondego. Faleceu em 1091. O seu túmulo pode ser visitado na Sé Velha d Coimbra.

(*) Os moçárabes eram cristãos ibéricos (de rito visigótico), que viveram -no Al-Andaluz- sob o domínio maometano. Dessa vivência de séculos, adoptaram elementos da cultura árabe, nomeadamente linguísticos.

NO SEU JARDIM...

Esta bonita pintura é obra do artista norte-americano Virgil C. Stephen. Intitula-se «In My Garden» e representa uma menina ameríndia (em traje tradicional) do sudoeste dos Estados Unidos.

QUE BOM PETISCO !

É assim que, no Alentejo, se apresentam aos olhos dos 'gourmets' as Bochechas de Porco. Que, depois de estagiarem umas boas horas numa marinada, são colocadas num recipiente (adequando às altas temperaturas do forno) com azeite, um copinho de vinho branco, alho picado, colorau, sal e pimenta, mái-las respectivas batatinhas do acompanhamento. Juntar salsa ao assado antes de servir. Depois é só 'tratar-lhe da saúde', com o auxílio de um generoso tinto da úbera terra alentejana; que produz alguns dos melhores néctares do mundo. Bom apetite !

CINE-SAUDOSISMO (13)

«AMOR DE PERDIÇÃO» é uma belíssima adaptação cinematográfica da obra-prima de Camilo Castelo Branco. Esta película foi produzida em 1943 nos estúdios da Companhia Portuguesa de Filmes, que confiou a sua realização ao experiente António Lopes Ribeiro. Cineasta que aqui dirigiu, nos principais papéis, os actores Assis Pacheco, António Silva, António Vilar (que encarna a figura de Simão Botelho), Eunice Colbert, Carmen Dolores (que, com 19 anos de idade, assumiu, na perfeição, o papel de Teresa), Barreto Poeira, Igrejas Caeiro e Óscar de Lemos. Este filme, com fotografia a preto e branco e com uma duração de 128 minutos, é um marco do cinema luso e um dos títulos mais significativos da Época de Ouro. A história contada nesta fita (de grande fidelidade à obra literária que a inspirou), é a dos amores arrebatados e trágicos de Teresa e de Simão, face à intolerância da sociedade oitecentista portuense. Mas quem é que não leu esta proeminente obra de Camilo ? -Na ausência de edição videográfica deste clássico, aconselho uma visita ao 'You tube', onde é fácil visualizar esta versão de «Amor de Perdição» na sua integralidade.

quinta-feira, 14 de maio de 2015

'CAVALO DE BATALHA'

Este esplêndido camião militar GMC -pomposamente baptizado «Red Ball Express»- foi um dos 'cavalos de batalha' (pelo menos no domínio dos transportes de homens e de material) usados pelos norte-americanos durante a 2ª Guerra Mundial. Quando eu cheguei a França, uns 19 anos depois de ter terminado esse sangrento conflito, ainda ali havia milhares de veículos destes a circular. Encontravam-se nesse tempo, sobretudo, ao serviço das empresas de construção civil, que os haviam adquirido por meia dúzia de tostões. Robustos, quase indestrutíveis, os GMC's participaram -depois de a terem libertado- na reconstrução da França. E de muitos outros países aniquilados pelos bombardeamentos aéreos e pela violência dos combates terrestres.