sexta-feira, 3 de abril de 2015

POR ESTAS BAGAS...


Por estas bagas se moveram frotas
De Lisboa para o Oriente.
Por estas bagas se espadeiraram e se escravizaram homens,
Cujo sangue vermelho (da cor da morte) empapou a terra.
Por estas bagas, que valiam ouro, brotaram invejas e loucos desejos.
Grandioso e patético foi o sortilégio da pimenta...

A CULTURA PORTUGUESA ESTÁ MAIS POBRE

Faleceu ontem, inesperadamente, apesar dos seus  106 anos de idade (!), Manoel de Oliveira. Que era o decano dos cineastas e um dos nomes mais representativos da cultura portuguesa no estrangeiro. Incompreendido -sobretudo no seu próprio país- pelo facto de ter dado à sua obra um cariz muito pessoal e, quiçá, inacessível às massas que veem cinema, Oliveira é, no entanto, reconhecido internacionalmente como um dos mestres da 7ª Arte. Dirigiu grandes vedetas internacionais, tais como John Malcovitch, Catherine Deneuve, Marcello Mastroianni ou Claudia Cardinale, o que não foi dado a qualquer um... No que me respeita -eu que sou um cinéfilo comum, primário- confesso que a obra do desaparecido me perturba. Talvez por comodismo, por me ter deparado com um cinema diferente daquele que me habituei a ver. Um cinema que exige, indubitavelmente, um maior esforço intelectual para ser interiorizado, para ser assimilado. De qualquer modo, sempre respeitei o homem e o profissional apaixonado e esforçado que agora nos deixou. E é minha intenção -para homenagear esta incontestável figura de artista- rever, proximamente, alguns dos seus filmes; filmes cujas cópias eu guardo preciosamente na minha videoteca. Penso ser essa, aliás, a melhor maneira de honrar a memória de um homem singular, cuja vida principiou nos tempos da monarquia, atravessou a 1ª República, a ditadura salazarista e o triunfo da revolução do 25 de Abril, para terminar -já na segunda década do século XXI- no Portugal decadente, submetido ao poder da finança internacional e sem alma que hoje conhecemos. Adeus senhor Manoel de Oliveira. Até sempre.

quarta-feira, 1 de abril de 2015

O QUE FALTA ÀS NOSSAS SELECÇÕES DE FUTEBOL

O que falta às nossas selecções de futebol é gente como esta. E o resto são tretas...
Ah, grande Travassos !!!

'THUNDERJETS' EM ÁFRICA

Estes caças-bombardeiros Republic F-84 pertenceram à Força Aérea Portuguesa e foram fotografados na B. A. nº 9, em Luanda, onde fizeram parte integrante da Esquadra 93. Foram as primeiras aeronaves deste tipo a serem encaminhadas (por via marítima) para Angola; onde chegaram em Julho de 1961, para participarem na luta contra a insurreição armada, desencadeada -por diversos movimentos independentistas- contra o colonialismo salazarista. Apesar de muito desgastados pelo uso intenso que lhes foi dado, estes aviões mantiveram-se (graças à competência do pessoal de manutenção da F.A.P.) operacionais até 1973. Os 'Thunderjets' ficaram conhecidos em Portugal -onde chegaram no ano de 1953- pelo facto de terem sido os primeiros jactos a integrar formações de demonstração acrobática. E, infelizmente, por terem sido os protagonistas do maior desastre que enlutou a aviação militar portuguesa. Com efeito, no dia 1 de Julho de 1955, oito aeronaves deste tipo chocaram com a serra do Carvalho (situada no concelho de Vila Nova de Poiares), com a perda dos aparelhos e respectivos pilotos. Eu tinha então 10 anos de idade e lembro-me dos jornais do tempo terem divulgado o desastre... O nosso Museu do Ar conservou alguns (2 ou 3) destes aviões de origem norte-americana. Um outro exemplar existe em França, num museu de Savigny-lès-Beaune, na Borgonha. Que conserva as cores e insígnias da Força Aérea Portuguesa.

DELICIOSO 'BABA-AU-RHUM'

Esta delícia chama-se 'baba-au-rhum' em França e é uma variedade emblemática da pastelaria local. Já por cá topei, várias vezes, com bolos que muito se lhe assemelham fisicamente. Mas aos quais falta a alma, a essência, que caracteriza a referida doçura gaulesa; e que consiste no facto deste bolo ser, SEMPRE, impregnado com rum... Que pena a cópia elaborada pelos pasteleiros lusos ficar, assim, sensaborona e tão distante do modelo original...

CINE-SAUDOSISMO (10)

A película intitulada «O INCÊNDIO DE CHICAGO» («In Old Chicago») foi realizada em 1937 por Henry King. E foi protagonizada por Tyrone Power, Alice Faye, Don Ameche, Alice Brady, Andy Devine e Brian Donlevy; que se encarregaram de encarnar as principais figuras envolvidas neste drama, cuja acção decorre em finais do século XIX. As rivalidades e a ambição dominam esta história cujo enfoque incide sobre a personagem de Dion O'Leary, um homem vindo do nada, mas que nutre uma desmedida sede pelo poder e pelo consequente acesso à fortuna. Mas, na realidade, e se bem me lembro (vi este filme há muitas décadas...), o 'clou' do espectáculo é a reconstituição do famoso e devastador incêndio, que destruiu a cidade de Chicago de 8 a 10 de Outubro de 1871, provocando 300 mortos e deixando 100 000 pessoas sem abrigo. Esta película da 20th. Century Fox (com fotografia a preto e branco e com 110 minutos de duração) contém cenas que fizeram dela um dos precursores dos filmes-catástrofe dos anos 50 e décadas seguintes. Que pena esta fita -de que temos saudades- ter caído no esquecimento dos programadores da televisão e na memória dos editores de videogramas...

JAGUAR

«Se a pista se revela demasiadamente fácil e tu julgas ter apanhado o jaguar, é porque ele está atrás de ti com os olhos fixados na tua nuca».

** Luis Sepúlveda (escritor chileno, nascido em 1949), in «O Velho que Lia Romances de Amor») **