Os espoliados do BES continuam (pelo que se vê e se ouve na TV) a reclamar (publicamente) a devolução do dinheiro que lhes foi roubado. Dinheiro que, no caso de muitos deles, representa as economias de toda uma vida de trabalho e de sacrifícios. Afinal, João Semedo -líder do Bloco de Esquerda- tinha razão quando dizia, a propósito de uma outra instituição bancária gerida por vigaristas : «A melhor maneira de assaltar um banco é administrá-lo».
domingo, 8 de março de 2015
BANCOS QUE ASSALTAM A SUA PRÓPRIA CLIENTELA
Os espoliados do BES continuam (pelo que se vê e se ouve na TV) a reclamar (publicamente) a devolução do dinheiro que lhes foi roubado. Dinheiro que, no caso de muitos deles, representa as economias de toda uma vida de trabalho e de sacrifícios. Afinal, João Semedo -líder do Bloco de Esquerda- tinha razão quando dizia, a propósito de uma outra instituição bancária gerida por vigaristas : «A melhor maneira de assaltar um banco é administrá-lo».
sábado, 7 de março de 2015
SOBRE O BOM CINEMA DE OUTRORA E O DESPREZO DOS EDITORES DE VÍDEO
Este videograma de origem alemã contém cópia do filme «Homem Sem Rumo» («Man Without a Star»). Que é um dos melhores westerns da História do Cinema. Pelo menos, é assim que eu (que vi milhares de fitas do género) o considero, não hesitando em colocá-lo, até, no 'top 10' das minhas preferências. Realizada em 1955 por King Vidor, esta película (com produção dos estúdios Universal) fez-se com a participação artística de Kirk Douglas, Jeanne Crain, Claire Trevor, William Campbell, Jay C. Flippen, Richard Boone, Mara Corday e de Jack Elam e conta-nos o percurso de um cowboy libertário, que tem uma particular aversão ao arame farpado e aos homens que com ele vedam as pradarias, outrora livres de obstáculos, do Oeste americano. Mas este filme aborda também os temas da iniciação de um neófito e da amizade entre homens condenados a viver uma existência dura e não isenta de perigos. Perigos, por vezes letais, que podem manifestar-se através do banal coice de um cavalo, de uma cornada de bovino ou, durante uma refrega de 'saloon', do disparo certeiro de um revólver. Pena é que filmes como este -representativos do melhor cinema que se fez na Hollywood dos chamados 'Anos de Ouro'- não inspirem os nossos editores de DVD's. Que só se interessam pelas novidades, mesmo que essas não tenham o mínimo valor cinematográfico... Informação : uma cópia (sobre suporte 'Blu-ray') deste soberbo western existe no mercado espanhol com o título «La Pradera sin Ley». Tem legendas em língua portuguesa.
16ª ROTA DO CONTRABANDO
É já no próximo dia 21 do mês em curso, que terá lugar na minha região um evento que entra, este ano, na sua 16ª edição : o circuito pedestre transfronteiriço denominado 'Rota do Contrabando'; que desta vez se faz no sentido Espanha-Portugal, ou melhor no sentido Cedillo-Montalvão. Esta caminhada reveste-se de alguma dificuldade, aconselhando-se, pois, que os participantes se encontrem em boa forma física e disponham de material (sobretudo calçado) adequado. Lembro-me de a ter feito, sem preparação e por iniciativa própria, aqui há uns bons anos atrás e de quase 'ter morrido' pelo caminho. Tanto mais que fiz a dita caminhada numa tarde do mês de Agosto e com insuficientes reservas de água. Enfim, uma verdadeira estupidez, que me serviu de lição. Informo os interessados que, para se inscreverem e receberem aconselhamento útil sobre esta caminhada (que é também uma jornada internacional de são e agradável convívio), se devem dirigir à associação Inijovem, de Nisa, que é uma das organizadoras do evento.
O REI DO CAVALINHO
Muitos Portugueses ignoram ainda que os famosos selos de correio ditos 'do cavalinho' (outrora tão populares) foram inspirados pela excelsa figura de el-rei D. Dinis. Soberano que, e isto vem mesmo a propósito, foi, sem sombra de dúvida, um dos grandes monarcas (se não o maior) da nossa História. Filho de D. Afonso III, o rei que fixou -com a conquista definitiva do Algarve- as nossas fronteiras terrestres (salvo alguns ajustes), o 'Lavrador' aproveitou-se da paz que esse evento proporcionou ao nosso país para fomentar a economia nacional, através do aproveitamento das terras livres (criando póvoas) e da protecção dada à agricultura, à silvicultura, à pecuária, etc. A ele se deve também a constituição de uma verdadeira marinha (militar e mercante), para assegurar a defesa da nossa costa e para facilitar as exportações (sobretudo para o norte da Europa) dos nossos produtos. Sendo ele um poeta reconhecido, também é natural que tenha sido el-rei D. Dinis a incrementar a educação e a cultura e a proteger as artes. Nesse campo, devemos-lhe a fundação dos primeiros Estudos Gerais (universidade) e a defesa intransigente da língua portuguesa, em prejuízo de outros idiomas (nomeadamente o castelhano) falados correntemente no nosso espaço geográfico. A sua acção de monarca excepcional -que reinou 46 anos- foi apoiada pela princesa aragonesa com quem se casou. Aquela que, pelos seus actos de bondade, cedo foi chamada pelo povo da nossa terra a Rainha Santa. Pena é que o estudo da nossa História seja, no nosso actual sistema de ensino, coisa considerada de somenos importância. E que os jovens portugueses de hoje desconheçam, totalmente, a existência de homens que, como o rei-poeta, construíram uma nação europeia 'sui generis'. Que vale muito mais (mas muito mais !) do que a imagem que ela hoje projecta para fora das suas fronteiras. Imagem negativa, forjada por dúzias de governantes medíocres e de vende-pátrias, que fizeram da política um negócio vergonhoso, que nos indigna.
A ESSÊNCIA DOS NOSSOS POETAS
RESPONDENDO A UM AMIGO QUE O QUESTIONAVA
SOBRE A SUA VIDA NA CADEIA
Casinha desprezível, mal forrada,
Furna lá dentro, mais que inferno escura;
Fresta pequena, grade bem segura;
Porta só para entrar, logo fechada;
Cama que é potro, mesa destroncada,
Pulga que, por picar, faz matadura;
Cão só para agourar; rato que fura;
Candeia nem cos dedos atiçada;
Grilhão que vos assusta eternamente,
Negro boçal e mais boçal ratinho,
Que mais vos leva que vos traz da praça;
Sem amor, sem amigo, sem parente,
Quem mais se dói de vós, diz: «Coutadinho».
Tal vida levo. Santo prol me faça.
** D. Francisco Manuel de Melo (1608-1666), prosador e poeta, militar e diplomata luso-espanhol **
sexta-feira, 6 de março de 2015
MAQUETAS DO I-16
ARK Models é uma reputada marca russa de maquetas, cujos produtos podem ser adquiridos em muitos países da Europa e do mundo, mas também 'on line'. Especializada na reprodução de material de guerra de origem soviética (nomeadamente aviões), esta marca tem oferecido aos seus clientes uma vastíssima e surpreendente gama de modelos de aeronaves. A maqueta do caça Polikarpov I-16 (um avião concebido no início dos anos 30 do século passado) e especialmente conhecido por ter equipado as esquadrilhas republicanas durante a Guerra Civil Espanhola, que se desenrolou aqui ao lado) é exemplo disso; pois nada menos do que uma meia dúzia de maquetas distintas desse rústico aparelho de combate são propostas aos amadores de 'kits'. Esperando que a marca russa veja naquilo que aqui publico uma homenagem aos produtos que fabrica e comercializa e não uma usurpação de direitos, cá vos deixo uma série de reproduções das artísticas caixas que embalam algumas das suas maquetas.
Esta imagem representa um I-16 cruzando um biplano franquista. Trata-se de um dos muitos aviões enviados poe Estáline aos republicanos espanhóis, que só cedeu a primazia -nos céus ibéricos- aos modernos Messerschmitt Be-109 da Legião Condor.
Este é dos duzentos caças I-16 do tipo 10 fornecidos pela URSS aos nacionalista de Chang Kai Chek a partir de 1938. Bateram-se, com algum sucesso, contra os invasores japoneses, até à chegada aos céus da China do surpreendente 'Zero' (Mitsubishi A6M2).
Aqui (em primeiro plano), pode ver-se, sobrevoando o Kremlin e a Praça Vermelha, o colorido I-16 de Valery Chkalov; que foi piloto de provas da fábrica Polikarpov e que -graças aos seus raides de longo alcance, aos comandos do Ant-25- se tornou no mais famoso de todos os aviadores soviéticos do seu tempo. Chkalov morreu em circunstâncias algo misteriosas no ano de 1938.
Aqui, afrontando vitoriosamente um moderno caça dos nazis, está representado o I-16 de tipo 18 do às Vasily Golubev. Este emérito piloto-aviador russo abateu individualmente 39 aparelhos inimigos e partilhou (com outros seus camaradas de combate) a destruição de mais 12 aeronaves da 'Luftwaffe'.
Aqui temos um caça do tipo 24, que foi um dos últimos Polikarpov I-16 a participar em operações de guerra. O aspecto exterior era idêntico ao de modelos precedentes, mas o seu armamento era superior. O desenho aqui apresentado mostra um dos aviões utilizados pelo às Boris Safonov (38 vitórias individuais em combate aéreo). Na fuselagem pode ler-se a frase 'Viva Estáline', muitas vezes inscrita nas suas máquinas por aviadores e tanquistas.
//////////////// Informo que as maquetas da ARK Models aqui divulgadas são à escala 1/48, tamanho que permite uma grande riqueza d detalhes ///////////////
Esta imagem representa um I-16 cruzando um biplano franquista. Trata-se de um dos muitos aviões enviados poe Estáline aos republicanos espanhóis, que só cedeu a primazia -nos céus ibéricos- aos modernos Messerschmitt Be-109 da Legião Condor.
Este é dos duzentos caças I-16 do tipo 10 fornecidos pela URSS aos nacionalista de Chang Kai Chek a partir de 1938. Bateram-se, com algum sucesso, contra os invasores japoneses, até à chegada aos céus da China do surpreendente 'Zero' (Mitsubishi A6M2).
Aqui (em primeiro plano), pode ver-se, sobrevoando o Kremlin e a Praça Vermelha, o colorido I-16 de Valery Chkalov; que foi piloto de provas da fábrica Polikarpov e que -graças aos seus raides de longo alcance, aos comandos do Ant-25- se tornou no mais famoso de todos os aviadores soviéticos do seu tempo. Chkalov morreu em circunstâncias algo misteriosas no ano de 1938.
Aqui, afrontando vitoriosamente um moderno caça dos nazis, está representado o I-16 de tipo 18 do às Vasily Golubev. Este emérito piloto-aviador russo abateu individualmente 39 aparelhos inimigos e partilhou (com outros seus camaradas de combate) a destruição de mais 12 aeronaves da 'Luftwaffe'.
Aqui temos um caça do tipo 24, que foi um dos últimos Polikarpov I-16 a participar em operações de guerra. O aspecto exterior era idêntico ao de modelos precedentes, mas o seu armamento era superior. O desenho aqui apresentado mostra um dos aviões utilizados pelo às Boris Safonov (38 vitórias individuais em combate aéreo). Na fuselagem pode ler-se a frase 'Viva Estáline', muitas vezes inscrita nas suas máquinas por aviadores e tanquistas.
//////////////// Informo que as maquetas da ARK Models aqui divulgadas são à escala 1/48, tamanho que permite uma grande riqueza d detalhes ///////////////
domingo, 1 de março de 2015
ONTEM À NOITE FUI AO CINEMA

Pude assistir ontem -no Cine-Teatro de Ponte de Sor- à exibição de um dos filmes da temporada que mais me interessava ver : «O Jogo da Imitação» («The Imitation Game»), realizado em 2014 por Morten Tyldum. E não fiquei desiludido, pois gostei bastante da realização, do jogo dos actores (todos excelentes) e, sobretudo do tema. Que é, nem mais nem menos, o do drama de um dos homens que, ao decifrar os segredos da famosa Enigma (máquina de transmissões ultra-secreta, utilizada pelos nazis durante a 2ª Guerra Mundial) mais contribuíu para a derrota das hordas hitlerianas. Alan M. Turing, brilhante matemático e professor na universidade de Cambridge, acabou, apesar do seu notável contributo para a vitória dos Aliados, por ser muito maltratado pelas autoridades do seu país; pelo facto de ser homossexual, num tempo em que essa condição era considerada crime em todo o território britânico. Condenado a uma vexatória pena de prisão -que acabou por ser substituída por um tratamento de castração química- o herói desta nossa fita (baseada em rigorosos factos históricos) acabou por suicidar-se em 1954. E foi somente há um ano -a 24 de Dezembro de 2013- que a rainha Isabel II reabilitou, oficialmente, este génio, que é, hoje, legitimamente considerado o pai dos computadores e da inteligência artificial. Enfim, apraz repetir-me, dizendo que gostei muito desta película. E aconselho todos os cinéfilos a descobri-la. Porque vale realmente a pena ser vista. Pelo seu valor cinematográfico, pelo interesse histórico da matéria evocada e pelo drama que aniquilou a vida de um herói, que teve a desdita de ser diferente e de ter vivido num país onde, há pouco mais de meio século, ainda reinava um puritanismo retrógado e castigador. Como nos velhos tempos da rainha-imperatriz Vitória. Esta fita de produção anglo-americana -premiada pelo consagrado Festival de Cinema de Toronto- contou com a participação artística de Benedict Cumberbatch, Keira Knightley, Matthew Goode, Mark Strong, Greg Kinnear e de outros bons intérpretes.
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