quinta-feira, 8 de janeiro de 2015

A ESSÊNCIA DOS NOSSOS POETAS


CANCIÓN  PRA CANTAR TODOS OS DÍAS

Hai que defender o idioma como sexa:
con rabia, con furor, a metrallazos.
Hai que defender a fala en loita rexa
con tanques, avións e a puñetazos.

Hai que ser duros, peleóns, intransixentes
cos que teñen vocación de señoritos,
cos porcos desertores repelentes,
cos cabras, cos castróns e cos cabritos.

Temos que pelexar cos renegados,
cos que intentan borrar a nosa fala.
Temos que loitar cos desleigados
que desexan matala e enterrala.

Seríamos, sen fala, unhos ninguén,
unhas cantas galiñas desplumadas.
Os nosos inimigos saben ben
que as palabras vencen ás espadas.

O idioma somos nós, povo comun,
vencello que nos xungue e ten en pé,
herencia secular de cada un,
fogar no que arde acesa a nosa fe.

Manuel Maria Fernández Teixeiro - Poeta (1929-2004). Um dos grandes nomes da literatura galega do século XX. Deixou vasta obra publicada. Poesia, essencialmente, mas também peças de teatro e outras prosas. A descobrir pelos Portugueses, que tão afastados andam, infelizmente, da cultura dos nossos irmãos do noroeste peninsular.

ASSIM VAI O MUNDO...

A morte de mais dois doentes (depois de infindáveis esperas) nos serviços de urgência de Setúbal e de Peniche são novos e significativos sinais do caos que reina na Saúde deste país. Onde as pessoas estão a ser tratadas como cães, por um ministério que, aparentemente, já não tem o mínimo respeito pela vida humana. Esperas de 20 e mais horas são claro indício de que, em matéria de saúde, já andamos por níveis semelhantes aos dos mais atrasados países da África negra e que a falta de vergonha dos 'nossos' (des)governantes em relação a este estado de coisas atingiu píncaros inimagináveis. Não há dinheiro ao que parece. Mas sempre se vão arranjando para aí uns 200 milhõezitos (mais coisa menos coisa) para executar trabalhos de conservação nos malfadados submarinos de Portas... Parece-me, francamente, que nesta terra ninguém sabe definir prioridades e que o bem-estar do nosso povo é coisa de somenos, se comparada com a atenção dada ao ferro-velho impingido pela indústria bélica da senhora Angela Merkel. P...., que é demais ! Começa a tardar o dia em que esta cambada vai ser corrida por visível e criminosa incompetência na gestão do país. Este desabafo nada tem a ver, bem entendido, com o trabalho dos médicos das urgências e outros profissionais de saúde; que, como todos sabem, são em número insuficiente e estão a fazer muito mais do que aquilo que humanamente podem.


O fascismo andou à solta nas ruas de Paris. Onde ontem, pelas 11 horas locais, um grupo de energúmenos a soldo do radicalismo islâmico investiu a sede da revista satírica «Charlie Hebdo» e assassinou cruamente 12 pessoas, entre membros da sua redação e agentes policiais. Entre os jornalistas abatidos -de maneira ignóbil- figurava a fina flor dos 'cartoonistas' de França : Wolinski (cujo trabalho eu conheço há décadas), Cabu, Tignous e Cherb. Tudo isto aconteceu numa clara (e vã) tentativa para cercear liberdades, para calar vozes críticas de uma facção terrorista do mundo  muçulmano, que quer impor aos próprios seguidores do Corão -e à Humanidade em geral- um modo medieval e tenebroso de estar no mundo. Parece que a polícia francesa já identificou os malandrins e já os terá neutralizado. Se assim é (Inch'Allah !), espero que a justiça tenha mão pesada na pena a aplicar a bestas sanguinárias da sua qualidade. Que, a meu ver, só merecem o infamante qualificativo de desprezíveis. Isto dito, quero afirmar -com firmeza- que nem sempre concordo com a provocação que emana dos 'bonecos' publicados pela revista atacada. Que eu acho, por vezes, que ofendem a sensibilidade religiosa de pessoas que nada têm a ver com radicalismos. E que, no contexto actual, são susceptíveis de provocar a ira (contida) de comunidades geralmente pacíficas. Seja qual for a sua crença. Mas isso é apenas a minha opinião de pessoa cordata e que gostaria que a tolerância se exercesse nos dois sentidos...

segunda-feira, 5 de janeiro de 2015

ADEUS RENÉ VAUTIER

Faleceu ontem em França -seu país natal- o grande cineasta René Vautier. Patriota precoce, juntou-se à Resistência Francesa durante os anos negros da ocupação nazi e, depois da vitória contra os hitlerianos, foi citado pelo general De Gaulle, depois  de ter sido condecorado (quando tinha apenas 16 anos de idade) com a Cruz de Guerra. Enquanto Cidadão do Mundo, René Vautier lutou destemidamente, em todas as frentes, contra a injustiça e contra as desigualdades. Através dos seus filmes e na sua condição de militante comunista, Vautier insurgiu-se contra o capitalismo desbragado, contra o colonialismo, contra o racismo, contra a xenofobia, contra os crimes ecológicos e contra a política da extrema direita francesa. Em relação a esta, à Frente Nacional, chegou a denunciar o seu líder, Jean-Marie Le Pen (num processo que este intentou contra o jornal satírico «Le Canard Enchaîné»), de ter torturado patriotas argelinos durante a guerra da Argélia. Homem de coragem e de convicções, deixou-nos vários livros e uma vasta filmografia (sobretudo constituída por documentários), que vão perdurar como testemunhos importantes da história do seu tempo. As suas películas mais conhecidas são, com certeza, «Avoir Vingt Ans dans les Aurès» (sobre a vida dos soldados de um contingente francês na Argélia em guerra) e «Les Anneaux d'Or» (primeiro filme de Claudia Cardinale, premiado em Berlim com o Urso de Prata). Aqui fica a sentida homenagem de um cinéfilo, que muito apreciou a obra de um Homem (com H grande), de um homem vertical, que, nos seus 67 anos de vida, nunca se dobrou a ameaças, nem a chantagens.

sexta-feira, 2 de janeiro de 2015

O QUE EU QUERO...


Para este novíssimo ano
Eu desejo o que tu queres :
Mais amor, menos desengano,
Raras mágoas e bem-me-queres...

O COMBATE PELA PAZ

«A luta para manter a paz é infinitamente mais difícil que qualquer operação militar».

** Dixit : Anne O'Hare McCormick (1880-1954), poetisa norte-americana **

É IMPORTANTE LER : «A III GUERRA MUNDIAL»

Com o título em epígrafe («A III Guerra Mundial») foi publicado nas páginas da revista «Viaão» (nº 1 136, de Dezembro de 2014) um excelente artigo do sociólogo Boaventura de Sousa Santos -diplomado por várias universidades dos 'states' e por Coimbra- que nos alerta para os perigos de uma nova guerra na Europa, sob pretexto de crise na Ucrânia. Guerra que se inscreve na política quase secular do cerco à Rússia, que, desde a Revolução de 1917, tem sempre sido um dos mais poderosos motores da política internacional de Washington. Não entrarei em pormenores sobre o assunto, porque é meu desejo convidar os leitores deste blogue a tomar conhecimento do artigo em questão, lendo-o, directamente, no 'site' Boaventura de Sousa Santos - Visao.pt. Onde o dito artigo se encontra à disposição de quem quiser tomar conhecimento do raciocínio do seu autor. Aconselho vivamente, toda a gente, a ler e a reflectir sobre um assunto susceptível de criar -no nosso continente- uma zona de instabilidade tal, que porá em risco a segurança e o direito à paz na nossa região. A preparação desse conflito, de consequências medonhas para os europeus em geral, mas também para o Mundo, está a ser apoiada pela Comunidade Europeia. Que, como se sabe, tomou parte activa e teve responsabilidades nos 'incidentes' de Kiev de há meses atrás. E também com a cumplicidade de certa imprensa, que acata a desinformação dos diferentes serviços de propaganda americanos como 'a voz do dono'. Deixo no ar uma das pertinentes perguntas de Boaventura : Estarão os EUA a viver em democracia, quando 67% dos norte-americanos são contra a entrega de armas à Ucrânia e 98 % dos seus representantes (no Senado) votam a favor ? E, já agora, só mais outra : que faz na capital ucraniana a senhora Natalie Jaresko, uma cidadã dos Estados Unidos (onde exerceu importantes funções no governo), que obtve a cidadania ucraniana poucos dias antes de ter sido investida no cargo de ministra das Finanças da Ucrânia ?

FRIAS RECORDAÇÕES


O Inverno está particularmente frio em Portugal, sobretudo nas regiões do interior do país. Na minha terra do Norte Alentejano, de manhã, já se têm registado temperaturas mínimas da ordem dos 0º. O que é castigador para quem tem -por obrigação ou por necessidade- de sair de casa todos os dias. O que nem é o meu caso. Mas não nos queixemos, porque há por essa Europa fora situações bem mais duras. Com nevões, gelo, cheias e outros 'mimos' próprios desta quadra. E eu que o diga; eu que passei esta estação do ano com 30º negativos na Escandinávia e que gramei invernos mais do que rudes vividos na Alemanha (na Renânia), na Bélgica (na Flandres), na França (na Normandia), onde o mercúrio dos termómetros pode 'mergulhar' para lá da marca dos 10º negativos. Enfim, temos que contentar-nos com aquilo que a Natureza (que nós tão maltratamos) decide oferecer-nos. Mas ainda a propósito de invernos duros, estou-me a lembrar de um deles, passado (aqui há uns 18/20 anos atrás) na Alta Normandia, em que as primeiras neves cristalizaram e transformaram as ruas das cidades em autênticos e gigantescos ringues de patinagem. Onde as pessoas se estatelavam constantemente e quebravam membros. O que fazia sorrir alguns, embora a situação não tivesse graça nenhuma... Lembro-me dos jornais locais terem noticiado (nesse calamitoso ano) a quebra dos 'stocks' de gesso nos hospitais e clínicas de Rouen, onde eram conduzidas as vítimas dessas grotescas quedas que tanto faziam rir os outros. E recordo-me (eu que nunca soube patinar) de me ter lançado, uma tarde, depois do regresso do trabalho, numa rua -transformada em pista da modalidade- que ligava a estação de metro a minha casa. 50 metros, se tanto, mas que me valeram para aí umas 10 quedas e uma boa meia hora para realizar trajecto tão curto. Por isso, quando vejo e ouço na TV os portugueses de visita à serra da Estrela tecerem elogios à neve e outras 'maravilhas' invernais do lugar, para além de me arrepiar, conforto-me na ideia de que as ditas só são boas precisamente na televisão, ou vistas através das (duplas) vidraças de um confortável quarto de hotel ou de um restaurante catita. Sem contactos directos e frígidos com a foleca. Mas também reconheço que o espectáculo da queda de neve (ao qual eu assisti, pela primeira vez, quando já contava 19 anos de vida) também me fascinou. Enquanto foi novidade. Mas, garanto, que foi amor de pouca dura...