terça-feira, 2 de dezembro de 2014

SELECÇÃO DAS QUINAS 56

Esta é a selecção que, no já longínquo ano de 1956, defendia as cores da Federação Portuguesa de Futebol. Era composta por grandes jogadores, cujos nomes despertarão gratas recordações nos 'jovens' da minha idade. Que já anda pelos 70... Atente-se bem na insólita cor azul-anilada das camisolas que envergam. Que aqui, nesta foto, me parecem mais camisas domingueiras, próprias para um passeio estival...

AVES E RÃS...


«Quando as aves falam com as pedras e as rãs com as águas, é de poesia que estão falando».

** Manoel de Barros (1916-2014), poeta brasileiro **

CINE-SAUDOSISMO (5)

«INCONQUISTÁVEIS» («Unconquered»), fita realizada em 1947 por Cecil B. DeMille, é uma das minhas grandes referências do cinema de aventuras com fundo histórico. A acção (inspirada no livro «The Judas Tree», de Neil H. Swanson) decorre em meados do século XVIII, nas colónias americanas de Sua Majestade Britânica; para onde foi degredada uma pobre mulher, acusada de ter cometido um crime de sangue. Condenada a uma pena de escravidão transitória, a proscrita é resgatada por um capitão de milícias da Virgínia; oficial que vai viver com ela, num período agitado pelas guerras com os pele-vermelhas (trata-se da chamada rebelião de Pontiac), uma empolgante aventura e uma inevitável história de amor. Simultaneamente espectacular e sensível, esta grande produção dos estúdios Paramount tem uma duração de 2 h 26, foi filmada em soberbo Technicolor e contou com a interpretatação de grandes actores, tais como Gary Cooper (então no auge da sua carreira e da sua glória), Paulette Goddard, Howard Da Silva, Boris Karloff, Ward Bond e Katherine DeMille, entre outros. Notáveis são, também, a fotografia de Ray Rennahan e a música de fundo assinada e dirigida pelo emérito compositor Victor Young. Este filme (que se intitula no Brasil «Os Inconquistáveis», como o prova parte da iconografia que aqui deixo) já foi alvo -no estrangeiro- de vários lançamentos videográficos. Eu tenho, dele, uma magnífica cópia DVD comercializada em França. Cópia que, infelizmente, só propõe aos cinéfilos a V.O. e as versões dobrada e legendada na língua de Vítor Hugo.

A ESSÊNCIA DOS NOSSOS POETAS



AURORA BOREAL

Tenho quarenta janelas
nas paredes do meu quarto.
Sem vidros nem bambinelas
posso ver através delas
o mundo em que me reparto.
Por uma entra a luz do Sol,
por outra a luz do luar,
por outra a luz das estrelas
que andam no céu a rolar.
Por esta entra a Via Láctea
como um vapor de algodão,
por aquela a luz dos homens,
pela outra a escuridão.
Pela maior entra o espanto,
pela menor a certeza,
pela da frente a beleza
que inunda de canto a canto.
Pela quadrada entra a esperança
de quatro lados iguais,
quatro arestas, quatro vértices,
quatro pontos cardeais.
Pela redonda entra o sonho,
que as vigias são redondas,
e o sonho afaga e embala
à semelhança das ondas.
Por além entra a tristeza,
por aquela entra a saudade,
e o desejo, e a humildade,
e o silêncio, e a surpresa,
e o amor dos homens, e o tédio,
e o medo, e a melancolia,
e essa fome sem remédio
a que se chama poesia,
e a inocência, e a bondade,
e a dor própria, e a dor alheia,
e a paixão que se incendeia,
e a viuvez, e a piedade,
e o grande pássaro branco,
e o grande pássaro negro
que se olham obliquamente,
arrepiados de medo,
todos os risos e choros,
todas as fomes e sedes,
tudo alonga a sua sombra
nas minhas quatro paredes.

Oh janelas do meu quarto,
quem vos pudesse rasgar!
Com tanta janela aberta
falta-me a luz e o ar.
 
*** António Gedeão ***
 

UM NAVIO, TRÊS NOMES, TRÊS VIDAS

Este navio, construído na Alemanha em 1899, viveu três vidas. A primeira delas, antes da deflagração da Grande Guerra, enquanto paquete da companhia Norddeutscher Lloyd, assegurando o transporte de passageiros entre Bremen e Nova Iorque. Chamava-se, então, «Grosser Kurfurst». A sua segunda vida desenrolou-se durante o acima referido conflito, depois de ter sido apresado pelas autoridades norte-americanas e de ter sido adaptado ao transporte de tropas. Chamou-se, durante essa conturbada época, «Aeolus». A sua terceira e última vida decorreu durante toda a década de 20 e parte da seguinte, de novo como paquete, usando o nome de «City of  Los Angeles». Terminou os seus dias em 1937, num estaleiro de demolição japonês, ao qual foi vendido (na qualidade de ferro velho) pelo seu derradeiro proprietário : a armadora L. A. Steamship Company. Para informações mais detalhadas sobre este navio -e sobre mais de 1 400 outros- pode consultar o blogue ALERNAVIOS. (Clique na imagem para a ampliar).

segunda-feira, 1 de dezembro de 2014

BANDEIRA DA REPÚBLICA PORTUGUESA

Não sei se a data foi escolhida por pura provocação (por ser a do aniversário da restauração da monarquia portuguesa em 1640) ou se por puro acaso; sei é que, foi no dia 1º de Dezembro de 1910 -cerca de 2 meses depois da dita monarquia ter sido abolida- que foi decidido adoptar a bandeira do novo regime republicano. Houve várias propostas e a escolhida foi a concebida pelo artista Columbano Bordalo Pinheiro. Que, aparentemente, não percebia nada de heráldica, ou melhor de vexilologia. Ciência que proíbe (por regra) combinar duas cores (aqui o vermelho e o verde), sem serem separadas por um metal (ouro = amarelo ou prata = branco). Enfim, como diz o outro, se já está, que fique... Outra curiosidade referente à bandeira da nação : foi nos tempos do Estado Novo que se deu a 'explicação' de que o verde significava a esperança dos Portugueses em dias melhores e que o vermelho simbolizava o sangue derramado durante os combates pela implantação da República. Na realidade, as cores adoptadas em 1910 (e usadas ainda hoje) eram, simplesmente, as que distinguiam o Partido Republicano.

FAZER RIR O CRIADOR...


«Se queres fazer Deus rir, fala-Lhe dos teus planos para o futuro»

(dixit Woody Allen).