sexta-feira, 14 de novembro de 2014

AS MINHAS CANÇÕES PREFERIDAS


«GELSOMINA, PAUVRE ENFANT PERDUE»

Esta canção -com letra da autoria de Robert Chabrier e música de Nino Rota- apresenta-se como uma homenagem à película «La Strada», realizada em 1954 por Federico Fellini; homenagem que se estende, obviamente, a uma das suas personagens centrais -Gelsomina- que nesta película é encarnada por Giulietta Masina, a própria esposa do cineasta. Curiosamente, este filme ganhou, em França, o estatuto de obra de arte incontornável, graças a um famoso artigo, escrito a seu propósito, pelo grande escritor François Mauriac, Prémio Nobel da literatura. Autor que não se enganou sobre a qualidade desta película emblemática da filmografia italiana de meados do século passado. A canção em questão, que aqui vos proponho que ouçam, é interpretada por uma das minhas intérpretes favoritas, a inimitável Lucienne Delyle.

Ouvir aqui :

https://www.youtube.com/watch?v=YNgiIlpP5gM

MAIS UM ESCÂNDALO...

Vivemos, infelizmente, num país pródigo em escândalos. País onde quadrilhas de figurões recorrem a esquemas e truques para viverem à grande e à francesa, como sói dizer-se. Nestes últimos anos, vieram a lume pilhagens e vigarices colossais, que, para além de deixarem o português comum embasbacado com tanta ousadia, também o deixam triste. Porque, muitas vezes é ele quem paga as favas (tapando buracos), por exemplo, dos desfalques a bancos privados, cujos passivos são assumidas pelos (des)governos que temos. Foi assim com o saque do B.P.N. e é assim com o esbulho do B.E.S.. A mais recente dessas repetitivas vergonhas, é a que ontem começou a ser revelada ao grande público e que está hoje a ser divulgada por todos os órgãos da imprensa escrita, radiofónica e televisiva. E que tem a ver, desta feita, com as famosas cartas Gold distribuídas prodigamente (e aparentemente sem controlo) pelo Estado a todo aquele estrangeiro que por cá queira investir 1/2 milhão de Euros numa casa. Parece que, através desse curioso negócio da China (ou para chins ?), o país já encaixou mais de 1 000 milhões de euros. Mas, agora, surge o reverso da medalha. Falava-se para aí, já há algum tempo, de lavagem de dinheiro por parte de alguns dos comtemplados como o visa Gold. E, ontem, a Polícia Judiciária acabou por prender -no termo de uma investigação que decorreu em todo o país- 11 pessoas ligadas à detenção e/ou à atribuição de tais vistos. Os detidos (que são, alguns deles, altos funcionários do aparelho do Estado) são suspeitos de corrupção, branqueamento de capitais, tráfico de influência e peculato. Tal como é publicado nas capas de todos os jornais lusos deste dia. Confesso que, enquanto cidadão português, me sinto envergonhado com estas notícias da podridão que por aqui reina e que, indubitavelmente, põe em causa o bom nome deste país que é o nosso. E pergunto : quando acabará a pouca-vergonha e o regabofe ? Afinal, que benefícios trouxeram os milhões que entraram nos cofres do Estado graças, à venda das cartas Gold ? Valerá essa 'massa' mais do que o prestígio de uma nação ? Responda quem souber.

terça-feira, 11 de novembro de 2014

A ESSÊNCIA DOS NOSSOS POETAS


MEU EPITÁFIO

 Morta... serei árvore,
serei tronco, serei fronde
e minhas raízes
enlaçadas às pedras de meu berço
são as cordas que brotam de uma lira.

Enfeitei de folhas verdes
a pedra de meu túmulo
num simbolismo
de vida vegetal.

Não morre aquele
que deixou na terra
a melodia de seu cântico
na música de seus versos.
 
** Cora Coralina (1889-1985) **
 
Esta poetisa, contista e pensadora brasileira -de seu verdadeiro nome Ana Lins dos Guimarães Peixoto Bretas- nasceu na cidade de Goiás, no estado brasileiro do mesmo nome. Doceira de profissão, Cora Coralina produziu uma obra inspirada pela sua vivência pacata no interior do seu país, onde sempre se manteve. O primeiro dos livros que escreveu, intitulado «Poemas dos Becos de Goiás e Estórias Mais», só foi publicado em 1965, quando a poetisa contava perto de 76 anos de idade. Tem editadas 8 outras obras, das quais cinco saíram do prelo já depois do seu passamento. Hoje, Cora Coralina é reconhecida na sua região e no Brasil inteiro como uma das grandes poetisas do século XX.


CINE-SAUDOSISMO (2)

Revi, há poucas semanas, graças a um videograma importado, esta fita britânica de espionagem realizada por Ronald Neame no ano de 1956 e distribuída pela companhia 20th Century Fox. O cartaz aqui apresentado (na capa de um DVD), serviu para promover «O HOMEM QUE NUNCA EXISTIU» («The Man Who Never Was») junto do público italiano e mostra algumas personagens e peripécias do seu enredo. Este filme de espionagem conta um episódio autêntico ocorrido, na Europa, aquando da 2ª Guerra Mundial : a mistificação dos serviços secretos nazis pelos seus rivais de Londres, a propósito do futuro desembarque de tropas aliadas na Sicília. Logro que fez acreditar à `Abwehr', que a dita operação militar de grande envergadura seria lançada... nos Balcãs; região para onde os alemães (uma vez enfiado o barrete) se apressaram a enviar importantes unidades militares, desguarnecendo, assim, as defesas da ilha italiana visada. Excelente cinema, o representado por esta película, do qual tenho muitas saudades. Que, para além de utilizar excelentes actores -neste caso representados por Clifton Webb, Gloria Grahame, Robert Flemyng, Stephen Boyd, Josephine Griffin e outros- era pedagógico, pois instruia-nos sobre acontecimentos reais, nunca antes abordados nos ecrãs. Confesso que adoro o cinema britânico de temática histórica e o que de bom ele ofereceu ao cinéfilo que eu sou.

HOJE COMEMORA-SE O FIM DE UM MASSACRE


Hoje, comemora-se mais um aniversário (o 96º) do armistício que pôs termo à Grande Guerra. Recorda-se o fim do primeiro conflito globalizado, que durou 4 longos anos e que custou perto de 20 milhões de mortos à Humanidade. Para além de destruições maciças de património, nunca antes vistas num conflito entre nações. Infelizmente essa desgraça não foi um drama singular; já que, após 20 anos de periclitante paz, eclodiu a 2ª Guerra Mundial, um confronto de ainda maiores e mais gravosas dimensões. -Será que os homens algum dia ganham sabedoria e aprendem com as lições da História ? Oxalá que isso aconteça, porque a guerra é uma abominação, que não honra, que não dignifica nenhuma nação que a pratica !!!

segunda-feira, 10 de novembro de 2014

ASSIM VAI O MUNDO...


Neste fim de semana o F.C. Porto foi empatar ao campo do Estoril Praia, o Sporting C.P. empatou em casa com o Paços de Ferreira e o S. L. Benfica ganhou 'à rasca' ao Nacional da Madeira. Não me lembro de, nestes últimos anos de futebol, o campeonato português ter tido tanto interesse. Não acredito que 'isto' seja o fim da hegemonia dos chamados 3 Grandes, nem sequer que dure muito tempo, mas é saudável e muito interessante que esteja a acontecer. Que uma equipa como a do Vitória de Guimarães  suplante (neste momento) 'dragões' e 'leões' na classificação geral e ameace seriamente umas 'águias', que vencem, mas que não convencem. E que se lixem os fanáticos !


Nesta Europa onde vivemos ninguém se entende. Em Berlim festejam-se os 25 anos da queda do famoso muro, que ao ruir, e entre outras coisas, facilitou a reunificação da Alemanha. País que, como devem estar lembrados, os Aliados dividiram (e muito bem !) em várias zonas de ocupação, após o episódio trágico da 2ª Guerra Mundial. E na Catalunha, ontem, vários milhões de votantes foram às urnas para exigir (oficiosamente) a separação do reino de Espanha dessa região que, já há muito tempo, beneficia de um estatuto de larga autonomia. Afinal, em que ficamos ? -Isto é para manter unido ou para esfrangalhar, até que o nosso espaço comum se transforme numa verdadeira manta de retalhos ?


Como lembra, hoje, um título da nossa imprensa quotidiana, o Orçamento de Estado para 2015 atribuiu aos senhores deputados mais (em relação ao ano que chega a termo dentro de dias) 3,5 milhões de euros para... viagens. Isto é ilustrativo da falta de vergonha a que se chegou. Há por cá quem pretenda que os 'nossos' parlamentares são dos mais mal pagos da Europa... Fantasia !!! Não se podem comparar, assim, sem mais nem menos, os emolumentos dessa gente com os que recebem os seus colegas dos países ricos. Que atribuem aos seus cidadãos reformas e pensões decentes. Que dão às populações que os elegeram algo mais do que lhes é necessário para assegurar a sua sobrevivência. Acho que as remunerações dos deputados portugueses deveriam ser calculados em função (repito, em função) do salário mínimo nacional; que continua a ser uma autêntica miséria. E quem não quisesse aceitar, que emigrasse e fosse trabalhar para a Suíça, para o Reino Unido ou para a França. Países para onde este (des)governo tem deportado legiões de arquitectos, de engenheiros, de operários qualificados e de profissionais da saúde. Que (todos eles) fazem por cá mais falta do que a maioria dos papagaios que temos na Assembleia da República. Digo isto sem populismos (não estou a pedir votos a ninguém), porque também eu acho que há deputados a mais (num país tão pequeno) e dinheiro a menos para entregar -para viagens- aos privilegiados do Parlamento.

quinta-feira, 6 de novembro de 2014

MARMELOS, MARMELADAS

Estamos em plena época dos marmelos. Um fruto muito pouco apreciado na minha região; onde as árvores (abundantes) que os produzem (em profusão) -os marmeleiros- servem, quase exclusivamente, para demarcar propriedades e pouco mais. Pois raras são as pessoas que por aqui se dão ao trabalho de colher esses frutos e de os aproveitar para comer ou transformar em marmeladas, geleias, compotas, etc. Originário, ao que parece, da Ásia Menor, o marmeleiro pertence à família das rosáceas. O seu fruto, que é quase incomestível cru, serve, no entanto, de matéria prima a uma indústria caseira, mas não só, cujo produto final tem muitos apreciadores no estrangeiro : a indústria da marmelada.  Subproduto que se chama 'marmelade', 'mermelada' e similares, em países onde o respectivo fruto é designado pelos nomes de 'quince', 'coing', membrillo', 'quitte', etc.
Acontece que o termo derivado da nossa palavra marmelada, até já serve, lá fora, para designar doçuras feitas à base de outros frutos (como as laranjas, por exemplo), o que não deixa de ser curioso... e divertido.